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Manifestantes invadem embaixada de Israel no Cairo

15/09/2011

 “El Pais” 10-09-2011

Tradução: Fred Henriques

O embaixador de Israel no Egito, Yitzhak Levanon, deixou o país com sua família e parte da missão diplomática depois da noite em que centenas de egípcios ocuparam a embaixada de Israel no Cairo, a atacaram, derrubaram o muro que a protege e entraram no edifício que ela está sediada. Após uma manifestação em protesto a lentidão das mudanças democráticas da Junta Militar que passou a dirigir o país após a queda em fevereiro da ditadura de Hosni Mubarak, centenas de manifestantes se dirigiram a embaixada israelense, derrubaram o muro que a cerca, e mesmo com a presença policial entraram no edifício. Os choques posteriores com a polícia e o exército deixaram três mortos, um por ataque cardíaco, quase mil feridos e pelo menos 28 detidos.

Diante dos acidentes, um gabinete de crises egípcio se reuniu e depois da reunião o Ministro do Interior declarou estado de alerta e cancelou todas as férias de policiais por todo o país. A crise diplomática entre Israel e Egito tem empurrado o presidente dos EUA, Barack Obama, a expressar sua preocupação e pedir ao governo egípcio que garanta a segurança da embaixada israelense. O primeiro ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, qualificou o assalto como “incidente sério que poderia ter sido pior caso os agitadores houvessem conseguido atravessar a última porta e ter ferido a nossa gente”.

O ataque e os tumultos subseqüentes eclodiram quando centenas de manifestantes atacaram a embaixada israelense localizada num dos últimos pisos de um edifício residencial de 21 andares. Primeiro armados com martelos e barras de metal conseguiram derrubar um muro de 2,5 metros de altura, construído ainda esta semana diante de algumas manifestações anti-israelenses. Depois, trinta deles ocuparam o edifício, e lançaram milhares de documentos pelas janelas. Inicialmente, eles disseram que eram oficiais, mas Israel sustenta que foram papéis da entrada. Os manifestantes vieram de um grande protesto da Praça Tahrir, onde reclamavam das novas autoridades mais velocidade nas tímidas reformas democráticas e uma maior depuração dos ex-alto cargos da época de Mubarak.

Durante as primeiras horas do ataque a polícia se limitou a conter os manifestantes, mas não impediu que eles derrubassem o muro. Com vista aos fatos o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, anunciou que havia pedido ajuda aos Estados Unidos para proteger a sua embaixada. Depois disto, a ação da polícia passou a ser mais contundente. Uns 2000 manifestantes atearam fogo em diversos veículos ao redor do edifício e os distúrbios causaram cerca de 500 feridos. Os manifestantes também atacaram uma delegacia nas intermediações, mas foram afastados com gás lacrimogêneo, apesar de terem conseguido queimar 4 carros policiais. O exército fixou tanques ao redor da embaixada e a polícia acabou por usar gases e tanques de água para dispersar aquela zona. No entanto, ao amanhecer umas 500 pessoas ainda estavam presentes nos arredores, embora os agentes tivessem conseguido isolar as proximidades do edifício diplomático.

O primeiro ministro, Essam Sharaf, convocou um gabinete de crise para fazer frente aos novos incidentes e a crise diplomática com Israel.

Desconfiança em direção aos militares

 Os protestos começaram ontem, sexta-feira, um dia de oração e de protesto desde a eclosão da revolta que derrubou Mubarak na Praça Tahrir, onde milhares de pessoas participaram de uma marcha exigindo acelerar as reformas políticas e o fim dos julgamentos civis em tribunais militares. O descontentamento e desconfiança progressiva junto à junta militar que dirige a transição democrática vem alimentando as marchas de protesto que se repetem desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro. Uma das palavras de ordem mais repetidas na manifestação diante da embaixada foi “o povo quer a queda do Marechal”, referindo-se ao chefe do Conselho Militar, Hussein Tantawi, a mais alta autoridade no país desde a queda de Mubarak.

O ataque à embaixada agrava a crise diplomática que se anunciava desde a queda de Mubarak em fevereiro. Com o ditador, Israel tinha um aliado do outro lado da fronteira desde a assinatura de um acordo de paz em 1979, mas sua queda e a chegada de novas autoridades deixaram os pactos no ar. Os novos governantes militares garantiram que eles iriam respeitar estes, até porque esses acordos garantiam ao Egito uma grande ajuda militar dos norte-americanos. No entanto, também tem que lidar com o descontentamento do povo egípcio, que não simpatiza com Israel e seus abusos sobre os palestinos. O delicado equilíbrio foi quebrado abruptamente em Agosto passado, quando cinco soldados israelenses mataram cinco guardas de fronteira egípcios numa operação para capturar milicianos palestinos, um incidente que levou Cairo a chamar seu embaixador em Israel e exigir um pedido de desculpas oficiais, algo não ter ocorrido.

Dado o que aconteceu, Obama telefonou para o premiê israelense, Benjamin Netanyahu para expressar seu apoio e sua “preocupação”, chamando também o Egito a “cumprir suas obrigações internacionais” e proteger a missão diplomática israelense.

Os novos passos da primavera egípcia

15/06/2011
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Por Frederico Henriques, sociólogo e militante do PSOL/SP, esteve 12 dias no Egito durante as manifestações de março de 2011.

Apesar da insistência da mídia em tirar de foco os avanços das revoluções democráticas no Oriente Médio e os seus reflexos na Europa, levantes e contradições se acentuam no último período. Estes fatos podem ser vistos no aprofundamento da revolução democrática tunisiana, com a assembléia constituinte, na juventude e nos trabalhadores da Síria, que continuam a onda de protestos por todo o país, e mesmo no Egito, que começa a dar uma nova dinâmica para a geopolítica regional.

Embora no Egito o referendo constitucional de março tenha consolidado uma grande vitória de setores reformistas sobre os setores radicalizados no processo, fazendo com que a revolução caminhe de forma mais lenta que o caso tunisiano, a Primavera Egípcia começa a dar seus primeiros grandes passos após a queda de Mubarak.

Na geopolítica internacional, o Egito passa ater uma posição mais independente do imperialismo europeu e norte americano, que pode ser vista na abertura do Canal de Suez para navios persas, especialmente iranianos. Porém, o passo mais importante foi na mediação Palestina, pois após a revolução de 25 de Janeiro vários setores palestinos passam a ver o Egito como um mediador importante de sua causa. Essa movimentação faz com que o grupo dirigente da Faixa de Gaza, Hamas e o principal partido da Cisjordânia, Fatah, iniciem um processo de acordo, especialmente com o aumento das manifestações massivas em suas regiões pedindo a união destas duas facções. A assinatura de reaproximação destes dois grupos foi feita no Cairo, demonstrando a importância da independência egípcia para a vitória da causa Palestina. A solidariedade pela libertação deste povo foi gritada por centenas de milhares de egípcios no dia 15 de Maio.

 Internamente no país as contradições e embates também prosseguem. Semanalmente a Praça Tahrir continua a ser ocupada por manifestantes, sempre com a pauta da punição a Mubarak e seus comparsas. A dificuldade em avançar na pauta política dificultou a unificação dos grupos de juventude, especialmente porque a pauta das eleições do segundo semestre passaram a tomar conta da pauta política. Enquanto os setores conservadores, ligados a antigos aliados e partidos de Mubarak, articulam a candidatura de Amr Moussa à presidência do Egito, ElBaradei se postula como porta voz da revolução e se aproxima dos principais grupos de juventude.

O grande avanço no processo revolucionário está acontecendo no seio da classe trabalhadora. Apesar dela não ter anunciado a primavera, é exatamente este setor que se tornou o mais dinâmico e mantém paralisações e greves de maneira constante desde o início do processo, além de reivindicações por melhores condições de trabalho e o aumento do salário mínimo de 70 para 200 dólares, como exemplos de algumas pautas mais concretas. Porém, foi no 1º de Maio deste ano, com dezenas de milhares de jovens e trabalhadores nas ruas, que se pode dar um salto qualitativo com a criação de uma Central Sindical Independente, algo nunca alcançado pelos trabalhadores deste país.

Apesar da falta de organizações políticas que tenham capacidade de acelerar este processo, a revolução democrática não pára. Dificuldades e superações estão no centro do país mais populoso do mundo árabe.

 

Ventos da revolução na Islândia.

15/06/2011

Por: Atilo Boron em 10/06/2011

Tradução: Antonio Antunes da Cunha Neto. Geógrafo, membro do Diretório Nacional do PSOL.

Aproximadamente no ano 2000, o governo conservador da Islândia impulsionou um radical programa de reestruturação econômica neoliberal, dando inicio à abertura comercial indiscriminada e ao amplo e acelerado processo de privatizações e desregulamentações. No setor financeiro, isto foi particularmente acentuado: os três principais bancos da Islândia, o Glitnir, o Landsbanki e o Kaupthing, até então pequenas entidades públicas (considerando que a população do país é cerca de 330.000 habitantes), foram privatizados. A legislação regulatória das finanças e dos bancos foi flexibilizada. As auditorias governamentais sobre o sistema financeiro foram consideravelmente subvalorizadas.

Tal como o afirma o narrador do excelente documentário Inside Job, o ocorrido na Islândia o “mais puro experimento jamais ensaiado em matéria de desregulamentação financeira.”.

Inseriu esses três pequenos bancos, que nunca haviam operado fora da Islândia, na dinâmica especulativa do cassino financeiro mundial. Obtiveram empréstimos – endividando-se, naturalmente – por um montante de 120 bilhões de dólares, uma cifra quase dez vezes superior ao PIB islandês. O resultado foi a formação de uma gigantesca bolha, que inflou os preços das ações dez vezes acima de seu valor anterior, enquanto os imóveis aumentavam quase o triplo. Coerentes com este tipo de operação, os bancos aconselhavam seus clientes a transferir seus depósitos aos novos instrumentos bursáteis agora disponíveis, para beneficiar-se do auge dos negócios especulativos, com investimentos realizados naquelas regiões do capitalismo globalizado onde houve melhores perspectivas de rentabilidade.

Todo este disparate se levou a cabo sem provocar a menor inquietação das autoridades reguladoras islandesas. Não só isso: uma das três maiores empresas de auditoria contábil do mundo, a estadunidense KPMG (que emprega a 138.000 profissionais para atender seus negócios em mais de 150 países) auditou aos bancos islandeses e seus investimentos, sem que seus sagazes e experts detectassem a menor irregularidade em suas operações, em que pese o exorbitante endividamento, que não só superava os ativos dos bancos senão várias vezes o produto interno bruto da ilha.

Porém ainda, tão tardiamente como em fevereiro de 2007, as qualificadoras de crédito Norte-Americanas lhes outorgaram, já abertamente envolvidos em operações especulativas a escala global, a máxima qualificação possível: AAA. Uma vez mais se confirma que todo o entremeado de instituições financeiras globais, começando pelo FMI e Banco Mundial, e seguindo com os bancos de investimentos, as qualificações de crédito, e as consultorias e auditorias internacionais, amparadas pelas diversas agências reguladoras nacionais, não são outra coisa que uma sinistra conspiração, mediante a qual um grupo de ladrões e estafadores a serviço do capital – absolutamente imorais e dispostos a cometer qualquer crime – planejam, organizam e executam o despojo dos trabalhadores em escala mundial.

          Interessado em colher as lições que se derivam do caso islandês, em janeiro deste ano, a pagina web WWW.nosimibici.com publicava uma nota sem assinatura na qual saudava os acontecimentos que estavam tendo lugar naquela ilha e fazia uma prolixa enumeração dos fatos principais ocorridos desde o momento em que se produziu um desmoronamento da economia islandesa. A crônica incluía os seguintes itens, alguns dos quais ampliamos agregando novos antecedentes:

  • No final de 2008, os efeitos da crise são devastadores. Em outubro se nacionaliza Landsbanki, principal banco do país. O governo britânico congela todos os ativos de sua subsidiária IceSave, com 300.000 clientes locais e entidade públicas do Reino Unido. Seguiram ao Landsbanki os outros bancos principais, o Kaupthing o Glitnir. Seus principais clientes estão nesse país e na Holanda, clientes aos quais os governos destes dois países têm que reembolsar um montante de 3,7 bilhões de euros apelando a fundos públicos.  A esta altura dos acontecimentos, o conjunto das dívidas bancárias da Islândia equivalia a dez vezes seu PIB. Por outro lado, a moeda se desvaloriza e a bolsa suspende suas atividades sob uma desvalorização de 76%. O país entra em bancarrota.
  • O governo solicita ajuda ao fundo monetário internacional, que aprova um empréstimo de 2,1 bilhões de dólares, completado por outros 2,5 bilhões que aportam alguns países nórdicos. 
  • Os protestos sociais em frente ao parlamento em Reykjavik vão aumentando. Dia 23 de janeiro de 2009, são convocadas eleições antecipadas e, três dias depois, os “caçarolaços” e os protestos desencadeiam a demissão do primeiro ministro, o conservador Geir H. Haarden e de todo seu gabinete.
  • No dia 25 de abril, realizam-se eleições gerais das quais emerge um governo de coalizão formado pela aliança Social-Democrata e o Movimento de Esquerda Verde, encabeçado pela nova Primeira Ministra Jóhanna Sigurdardóttir.
  • Ao longo de 2009 continua a péssima situação econômica do país e o ano fecha com uma queda de 7% no PIB.
  • Mediante uma lei amplamente discutida no parlamento, que propõe a devolução da dívida à Grã Bretanha e à Holanda, mediante o pagamento de 3 bilhões de euros, soma que deveriam pagar todas as famílias islandesas mensalmente durante os próximos 15 anos a 5,5% de juros, as pessoas voltaram às ruas e solicitaram submeter a lei a um referendo. Em um gesto sem precedentes, em janeiro de 2010, o presidente, Ólafur Ragnar Grímsson, se nega a promulgá-la e anuncia que chamará uma consulta popular. Tal como recorda em uma reportagem o jornalista islandês Kristinn R. Ólafsson, correspondente na Espanha da Rádio Nacional da Islândia, Grimsson é um ex-político comunista que já está a 14 anos como presidente da República. Esta situação foi a que originou a convocatória do referendo, para que os islandeses decidissem sobre a aprovação do acordo. A consulta popular foi em março de 2010 e o acordo IceSave acabou rechaçado por 90% dos votantes.
  • Em represália, o FMI congela as ajudas econômicas à Islândia, esperando que se resolva favoravelmente a devolução de sua dívida.
  • Em relação a tudo isso, o governo iniciou uma investigação para dirimir juridicamente as responsabilidades da crise, começando as detenções de vários banqueiros e altos executivos. A Interpol expede uma ordem internacional de prisão contra o ex-presidente do Kaupthing, segurdur Einarsson. Segundo o já mencionado Ólafsson, há cerca de 160 denunciados e alguns se encontram em prisão preventiva.
  • Neste contexto de crise, se elegeu uma assembléia constituinte no mês de novembro passado para redigir uma nova constituição, que recolha as lições aprendidas com a crise e que substitua a atual. Para isso, se recorreu diretamente ao povo. Foram eleitos 25 cidadãos sem filiação política, dos 522 que apresentaram candidaturas. A Assembléia Constitucional deveria ter iniciado seus trabalhos em fevereiro de 2011.
  • Após as eleições, das quais participaram somente 36,7% dos eleitores, três dos candidatos que não foram eleitos, denunciaram irregularidades na votação. O Tribunal Supremo, a mais alta instância judicial islandesa, com maioria de juízes conservadores, os quais haviam sido nomeados pelo governo anterior, decidiu que a votação era nula por estas irregularidades. A solução para esta situação será dada pelo parlamento, que nomeará estes 25 eleitos, porém agora não como membro de um parlamento constituinte, senão de um conselho constituinte.
  • E para terminar, outra medida “revolucionária” do parlamento islandês: a iniciativa islandesa moderna para meios de comunicação, um projeto de lei que pretende criar um marco jurídico destinado a proteção da liberdade de informação e de jornalismo. Pretende-se fazer do país, um refugio seguro para o jornalismo de investigação e a liberdade de informação onde se protejam fontes, jornalistas e provedores de internet que alojem informações jornalísticas. Em suma, o inferno para EEUU e o paraíso para Wikileaks.
  • Por último, em abril deste ano, foi convocado um novo referendum para resolver a questão da divida com o Reino Unido e Holanda, centrado nas operações de IceSave. Em que pese a intensa campanha do governo para que a população aceitasse o pagamento da divida algo mais que 60% da população manteve sua negativa e, portanto, a resposta oficial foi rechaçada.

Como bem anotam os companheiros de nosinmibici, a história da revolta islandesa pode ser resumida assim: sublevação popular, derrocamento de um governo conservador, nacionalização dos bancos, referendo para que o povo decida sobre as decisões econômicas transcendentais, processo e eventual prisão dos responsáveis pela crise, reforma da constituição pelos cidadãos e um projeto de blindagem da liberdade de informação e de expressão.

E fica a questão: houve alguma notícia sobre isso nos meios de comunicação europeus? Algo foi dito a respeito nos repugnantes círculos de comentaristas políticos e mercenários da desinformação? Vimos imagens dos fatos pela TV? Claro que não! O temor, o pânico, é o contagio. Por isso a revolução islandesa, ainda que talvez se possa objetar o uso daquele termo, deu um exemplo, um mal exemplo, que deve ser silenciado, calado, ignorado. E a “imprensa livre”, na Europa e em todo o mundo, ocultou maliciosamente o ocorrido. Porém será em vão. Pois nos últimos dias se fala que, na Grécia, o encurralado governo irá convocar um referendo popular para decidir se aceitam ou não as condições do “salvamento” imposto pelo FMI e seu títere europeu, o Banco Central Europeu.

A brava luta do povo grego e sete ou oito greves gerais acabaram com a reticência oficial. Não passará muito tempo antes que outros povos exijam o mesmo. Espanha parece haver recorrido o testemunho islandês ao denunciar a falsa democracia que oprime, explora e marginaliza a grande maioria de sua própria população. Uma escandalosa plutocracia, na realidade, não uma democracia. Estamos vivendo um tempo novo e a revolução, que parecia senão definitivamente descartada, pelo menos mais distante do que antes, parece hoje, mais próxima que nunca. A história, uma vez mais, fez picadinho de todos os esquemas.

Crise Européia e despertar de um novo tempo: a resistência massiva contra ajustes do FMI

05/06/2011

Boletim n° 6 – junho/2011

Nesse Boletim especial, a Secretaria de Relações Internacionais do PSOL apresenta análises e propostas sobre a crise econômica e política da União Européia. O projeto do Euro dá sinais de fracasso total. Os países altamente endividados, como Grécia, Espanha, Portugal, Irtlanda, Itália, atravessam uma situação ironicamente semelhante à história latino-americana, subordinados aos planos de auteridade do FMI. Os níveis de desemprego batem recordes. Os governos, responsáveis pela crise, estão dispostos a repassar a conta para o povo, e aplicar os ajustes com dedicação exemplar. Os ajustes, contudo, são o oxigênio da crise, são o aprofundamento da supremacia financeira sobre os direitos do povo. Porém há um fato novo,  que dá sinais de novo tempo: as revoluções democráticas árabes inspiram os jovens europeus a tomar as ruas para resistir. Apresentam nas praças da Espanha um novo programa para governar o país, com democracia real, controle popular das contas públicas, garantia dos direitos sociais. Apresentam nos plebiscitos populares da Islândia a decisão implacável de punir os banqueiros pela crise. A crise da União Européia é um momento da crise econômica internacional iniciada em 2008. É, portanto, uma crise  estrutural, e sua solução só pode ser radical. Do contrário, será o adiamento da mesma crise, que eclodirá mais forte no futuro. Sobre este tema, há artigos de Paul Krugman, Carlos Taibo, Pedro Fuentes, Israel Dutra, Partido Obrero Revolucionario da Espanha, do El País, além do programa eleitoral do Bloco de Esquerda de Portugal, e a plataforma Democracia Real Ya, o mais novo movimento social de massas espanhol, com tonalidade internacionalista.

 

Apresentamos também uma notícia necessária: a vitória do povo hondurenho que, em sua batalha democrática, conquistou a volta de Manuel Zelaya a Honduras, com garantias de direitos civis e políticos. Esse fato atesta a fraqueza do imperialismo estadunidense, muito preocupado com as revoluções árabes para intervir em defesa do truculento governo Porfírio Lobo, momentaneamente desamparado.

 Boa Leitura! 

Crise burguesa e despertar político na Europa

 Por Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL

 Dois processos de signo oposto compõem a situação política da Europa. De um lado há uma quebra do projeto econômico e político construído pelas classes dominantes na União Européia (UE). Basta ler os jornais para perceber como o otimismo que reinou nas duas primeiras décadas de existência da EU (os anos 80 e 90), deu passos em direção ao ceticismo cada vez maior sobre o presente e o futuro incertos. Os fatos mais preocupantes são o estancamento econômico global e a crise aguda de alguns de seus países-membro. De outro lado, um despertar do movimento de massas. Contagiados pela revolução árabe, os jovens espanhóis tomaram as ruas e praças com um novo movimento político, que em certo sentido nos lembra o Maio francês. ……LEIA MAIS

 

Maio Espanhol: às portas de um novo tempo? 

Por Israel Dutra, sociólogo e membro da direção nacional do PSOL

 A velocidade das notícias, no atual período turbulento que vive o planeta, se multiplica.

A morte de Bin Laden e a prisão de Strauss-Kahn trouxeram à tona mais incertezas no complexo cenário mundial. Contudo, um elemento novo, surpreendeu a todos. A irrupção do movimento de “indignados” em Madrid acelerou ainda mais a história. Seguido por quase 200 manifestações em todo o território espanhol, mobilizou centenas de milhares de pessoas no país. O “15-M”[alusivo a data da primeira manifestação] rompeu a apatia do calendário eleitoral espanhol. Em pleno 2011, temos um novo Maio na Europa. A juventude e o movimento dos “indignados” estão construindo uma ponte com as revoluções do mundo árabe e a luta do povo da Islândia contra os bancos e a crise. ……LEIA MAIS

  

Quando a austeridade fracassa

 Por Paul Krugman, The New York Times

Se os bancos gregos entrarem em colapso, isso obrigará o país a sair da zona do euro, o que daria início à queda dos dominós financeiros em grande parte da Europa. Muitas vezes eu me queixo, e com razão, sobre o estado em que encontra a discussão da economia nos EUA. E a irresponsabilidade de alguns políticos – como esses republicanos que afirmam que um calote da dívida americana não seria um grande problema – é assustadora. Mas pelo menos entre os membros do “grupo da dor, defensor do rigor “, para quem elevar as taxas de juro e cortar as despesas do governo diante do desemprego em massa de alguma maneira deixarão as coisas melhores, não piores, estão sendo obrigados a um certo recuo por parte do Federal Reserve e o governo Obama. ……LEIA MAIS

 

 Palavras de 15 de Maio

 Por Carlos Taibo, professor da Universidade Autónoma de Madrid

 Chamam-no democracia e não o é. As principais instituições e, com elas, os principais partidos conseguiram demonstrar a sua capacidade para funcionar à margem do ruído molesto que emite a população. Os dois partidos mais importantes, em singular, cenificam desde tempo atrás uma confrontação aparentemente severa que esconde uma fundamental comunidade de ideias. Um e outro mantêm nas suas fileiras, falando nisso, pessoas de mais que duvidosa moralidade. Não é difícil adivinhar o que há por trás: nos factos são formidáveis corporações económico-financeiras as que ditam a maioria das regras do jogo. ……LEIA MAIS

 

 Uma praça Tahir na Europa?

 Por Pedro Fuentes, secretário de Relações Internacionais do PSOL

  Indignados. Fartos. Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram, dia 15 de maio – último domingo – em mais de 50 cidades espanholas. A manifestação foi convocada sob a plataforma cidadã “Democracia Real Já!”. A concentração de maior envergadura ocorreu em Madri, onde milhares de pessoas conseguiram parar o centro da cidade. “As críticas aos políticos, partidos e banqueiros, ao resgate das entidades financeiras, ao trabalho precário, aos cortes nos gastos sociais, e à atual lei eleitoral eram os lemas estampados nos cartazes”.“Violência é cobrar 600 euros” dizia um cartaz.“Não é uma crise, é um roubo.” lia-se num cartaz carregado por muitos manifestantes. ……LEIA MAIS

 

 

As praças exigem mudanças sociais, as urnas refletem um giro à direita

Por Partido Obrero Revolucionario da España (POR)

Dois processos estão misturados nas eleições de maio: a mobilização de milhares de jovens indignados com a crise econômica e com a falta de futuro que a atual sociedade lhes oferece e o voto em urna no dia 22. O resultado de ambos é bastante contraditório. Milhares de jovens ocuparam as praças de muitas cidades desde o domingo, 15 de maio. Com seus protestos não fizeram mais que expressar o sentimento geral no país: que a crise está sendo paga pela classe trabalhadora, que os banqueiros e os grandes empresários seguem acumulando benefícios; que os dirigentes políticos são incapazes de tomar medidas contra os mais ricos. ……LEIA MAIS

 

As praças são de esquerda

Comunicado do Partido Obrero Revolucionario da España  (POR)

O movimento 15 M é a expressão de uma rebelião crítica e cidadã da juventude engajada na denúncia e na resistência à crise capitalista e àqueles que a provocaram: os poderosos do setor financeiro e seus instrumentos políticos. Essa eclosão era necessária. O POR apoia e participa mobilizações nas praças nessa jornada eleitoral. Sol, com a participação das massas, é a ponta de um iceberg que emerge também na Catalunha, Donostia etc. A indignação e a frustração de uma juventude sem futuro, desacreditada do Eldorado capitalista, irrompe como novo fator político que ninguém poderá desconhecer após os atos de maio. ……LEIA MAIS

Islândia: o povo puniu a festança dos banqueiros

 Extratos de artigos do “El País”  

  A Islândia foi saqueada por não mais de 20 ou 30 indivíduos. Uma dúzia de banqueiros, alguns poucos empresários e um punhado de políticos formaram um grupo selvagem que levou a país inteiro à ruína: 10 dos 63 parlamentares islandeses, incluídos dois líderes do partido que governou quase ininterruptamente desde 1944, tinham empréstimos pessoais concedidos por um valor de quase 10 milhões de euros por cabeça. Ainda estão por comprovar que essa prática seja crime (ao que tudo indica, parte desse dinheiro era usado para comprar ações dos próprios bancos para inflar as cotações). Mas de qualquer maneira, sendo crime ou não, é um grande escândalo. ……LEIA MAIS

 

 Propostas do Movimento Democracia Real Já!

 Em democraciarealya.es

 1. Eliminação dos privilégios da classe política:

Controle estrito do absenteísmo dos cargos eleitos em seus respectivos postos. Sanções Específicas pelo abandono de funções.Supressão dos privilégios no pagamento de impostos, anos de contribuição e montante das pensões. Equiparação do salário dos representantes eleitos ao salário médio espanhol mais os honorários indispensáveis para o exercício de suas funções.Eliminação da imunidade associada ao cargo.Aplicabilidade dos delitos de corrupção.Publicação obrigatória do patrimônio de todos os cargos públicos.Redução dos cargos de livre designação. ……LEIA MAIS

 

Bloco de Esquerda de Portugal apresenta programa para superar crise econômica

Leia a plataforma eleitoral do Bloco de Esquerda de Portugal, para superar a crise econômica com auditoria da dívida pública, com ampliação emergencial do emprego, com valorização do trabalhador e dos direitos sociais, sem submissão aos planos austeros do FMI. http://www.esquerda.net/sites/default/files/compromisso_eleitoral_0.pdf

 

 A volta de Zelaya

Por Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL 

 

O povo da Honduras explodiu de alegria e entusiasmo. Esse povo tem construído a mais ampla resistência contra um golpe militar em nosso continente e criou como sua ferramenta política a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), a organização de massas com maior dinamismo da América Latina atualmente. A FNRP recebeu a notícia do retorno de Zelaya com uma grande manifestação. Pela primeira vez em nosso continente, um acordo (de Cartagena) foi construído graças à mediação de Chávez e sem nenhuma intervenção do governo dos Estados Unidos. Isto mostra certa fragilidade da ação imperialista na região, pelo fato de os Estados Unidos terem que concentrar sua intervenção política no mundo árabe. .…..LEIA MAIS

Islândia: o povo puniu a festança dos banqueiros

05/06/2011

Extratos de artigos do “El País”

A Islândia foi saqueada por não mais de 20 ou 30 indivíduos. Uma dúzia de banqueiros, alguns poucos empresários e um punhado de políticos formaram um grupo selvagem que levou a país inteiro à ruína: 10 dos 63 parlamentares islandeses, incluídos dois líderes do partido que governou quase ininterruptamente desde 1944, tinham empréstimos pessoais concedidos por um valor de quase 10 milhões de euros por cabeça. Ainda estão por comprovar que essa prática seja crime (ao que tudo indica, parte desse dinheiro era usado para comprar ações dos próprios bancos para inflar as cotações). Mas de qualquer maneira, sendo crime ou não, é um grande escândalo.

Mas a festa desmoronou: os ativos dos bancos chegaram a um valor 12 vezes maior que o PIB do pais. Índice tão alto de multiplicação havia sido observado apenas na Irlanda – outro exemplo de modelo liberal. Da noite para o dia, com o anúncio da falência do Lehman Brothers e a quebra financeira mundial, o sistema desabou. Foi “o choque mais brutal e fulminante da crise internacional”, assegura Jon Danielsson, da London School of Economics.

A inflação disparou, o desemprego cresceu a toda velocidade, o PIB caiu 15%, os bancos perderam 100 bilhões de dólares. E de quem foi a culpa? Dos bancos e dos banqueiros, de sua desumana ganância. Os bancos são os vilões e têm toda a culpa da catástrofe que atingiu a Islândia. Em todo o caso, a culpa é também dos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse.

Mas há algo que salva os islandeses e, de alguma maneira, lhes redime de parte desses pecados. Stephane Hessel conta que, na Europa e nos EUA, os financistas, culpados indiscutíveis da crise, salvaram-se e prosseguem sua vida como sempre. Em troca, suas vítimas não recuperaram o nível de ganhos, nem seus empregos. “O poder do dinheiro nunca tinha sido tão grande, insolente, egoísta com todos”, acusa. Entretanto, houve um país onde o povo não deixou que isso ocorresse “No país do ártico, o povo indignado obrigou os banqueiros a assumirem a responsabilidade.”Resolveram deixar quebrar os bancos e dizer aos credores que não eles não vão lhes cobrar tudo o que lhes deviam. Isso ajudou ajudou a mitigar algumas das consequências das loucuras de seus banqueiros”

 A crise deixou uma cicatriz enorme que segue bem visível. Esse processo elevou a dívida pública a mais de 100% do PIB e para controlar o déficit fiscal, tampouco os islandeses se livraram da onda de austeridade que percorre a Europa do Estreito de Gibraltar até a costa da Groenlândia: mais impostos e menos gasto público. Além disso, Islândia teve que pedir um empréstimo ao FMI, que obrigou a aplicar sua receita habitual: elevar os impostos e cortar gastos públicos. Com isso, houve corte de salários e benefícios sociais. Em alguns lugares, o governo chega a fechar escolas. Houve o enxugamento, enfim, do Estado de Bem-Estar.

 

Em referendo, Islândia rechaça pagar pelos erros de seus bancos

O NÃO vence no referendo que pretendia aprovar a indenização de 4 bilhões de euros que exigem Reino Unido e Holanda pela quebra de uma entidade bancária. O que você faria se um dos grandes bancos em seu país quebrasse e o Governo britânico exigisse um pagamento de 50.000 euros por família para saldar essa dívida? A Islândia, que já negou-se em uma ocasião a pagar essa fatura, enfrentou, no dia 09 de abril desse ano, um segundo referendum sobre “devolver” ou não os 4 bilhões de euros a Reino Unido e Holanda pela bancarrota de uma de suas entidades financeiras. E tornaram a dizer não. Segundo os resultados parciais, com 70% das cédulas apuradas,  57,7% dos votantes rechaçaram fazê-lo, frente aos 42,3% que o aprovaram. O resultado pode ser visto como um triunfo da denominada “Revolução do Panelaço”. 

O referendo foi convocado há dois meses pelo presidente islandês, Oláfur Ragnar Grímsson, que negou- se a assinar uma lei do Parlamento que estipulava as condições do acordo: um pagamento com interesses de 3% a 37 anos. Grímsson já o fez em outro momento: em dezembro de 2009 já forçou uma consulta similar, quando, contra todo prognóstico, se negou a assinar uma lei que obrigava a pagar com interesses de 5,5% em 15 anos. O NÃO ganhou, então, de forma esmagadora. “As antigas condições de pagamento eram muito injustas: as novas são melhores, mas se os islandeses vão ter que carregar uma dívida de seus bancos, devem ter direito de decidir. A Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro”, declarou Grímsson.

O Governo, em troca, defendia o SIM no referendo, defendendo que os ativos do banco quebrado, quando se liquidarem, permitirão pagar a maior parte da dívida. Os partidários do NÃO argumentavam que o povo não deveria pagar pelas loucuras de seus bancos e que a legislação internacional -cheia de sombras- não obriga nenhum país a assumir dívidas astronômicas que ultrapassam  importância acumulada nos recursos de garantia.

O trunfo do NÃO deixa em uma difícil posição o Governo de coalizão entre social-democratas e  os “rojiverdes”, e complica o acesso da Islândia à União Europeia e aos créditos com o FMI e outros países nórdicos. Os islandeses sabem disso, e mesmo assim votaram NÃO. “Temos a opção de acabar com este desafortunado assunto com dignidade, ou  embarcar novamente num período de incertezas”, alertou à época o ministro das Finanças, Steingrimur Sigfusson. “De acordo: mas a crise já está sendo o suficientemente dura. Não quero pagar mais”, respondeu o diretor de cinema Arni Sveinsson.

Decepção Britânica

A reação do Reino Unido foi a esperada. O secretário-chefe do Tesouro britânico, Danny Alexander, expressou sua decepção ante a negativa dos islandeses em pagar pelo colapso dos bancos “É claro que o rechaço declarado pelo povo islandês ao que era um acordo negociado foi decepcionante. Mas é evidente que respeitamos sua decisão, mas agora vamos falar com nossos sócios internacionais e parece que esse processo irá terminar nos tribunais”.

Bloco de Esquerda de Portugal apresenta programa para superar crise econômica

05/06/2011

 Leia a plataforma eleitoral do Bloco de Esquerda de Portugal, para superar a crise econômica com auditoria da dívida pública, com ampliação emergencial do emprego, com valorização do trabalhador e dos direitos sociais, sem submissão aos planos austeros do FMI.

http://www.esquerda.net/sites/default/files/compromisso_eleitoral_0.pdf

A volta de Zelaya

05/06/2011
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Por Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL 

 O povo da Honduras explodiu de alegria e entusiasmo. Esse povo tem construído a mais ampla resistência contra um golpe militar em nosso continente e criou como sua ferramenta política a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), a organização de massas com maior dinamismo da América Latina atualmente. A FNRP recebeu a notícia do retorno de Zelaya com uma grande manifestação. 

Carlos Aznares, no Resumen Latinoamericano,  relatou: “Milhares e milhares de homens, mulheres e meninos na rua, enfrentando aos militares e policiais, pondo o corpo às balas e também deixando nessa dura batalha dezenas de mortos, esta vez chegaram a Tegucigalpa de todos os pontos do país para se reencontrar com seu líder. Honduras se tingiu do vermelho da bandeira da Frente Nacional de Resistência Popular, e do azul da insígnia pátria, enquanto as ordens de ‘Sim, podemos’ e ‘Fora o imperialismo’ mesclavam-se com as vaias contra o governo do Porfirio Lobo”,

Nós do PSOL, através da Secretaria de Relações Internacionais, temos participado e colaborado com a FNRP e encontrado seus dirigentes, entre eles com Juan Barahona e Gilberto Rios. Não podemos deixar de saudar este triunfo da resistência hondurenha que é também de todos os latino-americanos. A volta da Zelaya era a primeira grande consigna da resistência e isso foi votado na grande Assembléia Nacional realizada alguns meses atrás. Essa conquista expressa um recuo objetivo do regime resultante do golpe de 2009. A recuperação dos direitos democráticos para o Mel (como é conhecido Manuel Zelaya) é um primeiro avanço das causas populares. Com isso, se obteve um grande fôlego para seguir a luta democrática e fortalecer a FNRP enquanto alternativa concreta de poder. É um passo crucial para conquista de um novo governo popular democrático, que tenha como base a FNRP. Essa tarefa está associada à defesa de uma Assembléia Constituinte que aponte para uma profunda reorganização do país, sobre outras bases políticas, econômicas e sociais.

A força alcançada pela FNRP é o que tem viabilizado o acordo da Cartagena. Nesse acordo participaram a FNRP, o governo de Lobo e o governo de Hugo Chávez. A FNRP afirma que segue sua luta pela Assembléia Constituinte e a restauração de todos os direitos democráticos e a punição aos golpistas. Com a volta da Zelaya, a FNRP e o povo de Honduras estão em melhores condições para alcançar seus objetivos.

Pela primeira vez em nosso continente, um acordo (de Cartagena) foi construído graças à mediação de Chávez e sem nenhuma intervenção do governo dos Estados Unidos. Isto mostra certa fragilidade da ação imperialista na região, pelo fato de os Estados Unidos terem que concentrar sua intervenção política no mundo árabe.

Certamente, é no Magreb e no Afeganistão que Obama foca sua ação. É nesta região onde revoluções democráticas derrubaram ditadores aliados dos governo estadunidense no sustento ao Estado sionista de Israel. É ali o lugar estratégico, onde o imperialismo vai evitar perder terreno e influência política. A situação mais desfavorável e a maior dor de cabeça estadunidense estão ali.  

No mesmo momento em que ocorre a volta da Zelaya com seus direitos garantidos, o governo do Egito abre as fronteiras com a Faixa Gaza e o Fatah e o Hamas voltam a se unificar na Palestina.

Com este acordo, a direção da FNRP deu uma prova de que tem capacidade de negociar com os inimigos em um momento que a correlação de forças não permite derrotar ao governo de modo contundente, e ao mesmo tempo sustenta as bandeiras fundamentais e a organização da resistência. Negociar foi a opção para obter passos parciais que facilitem melhores condições para fortalecer a FNRP e o movimento de massas. Não há dúvidas que a volta da Zelaya cria melhores condições para lutar pela queda do regime resultante do golpe de Estado e pelo avanço da luta de classes na América Latina a partir de Honduras.

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