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“O povo não votou. Lobos não representa nem 1 de cada 10 hondurenhos’.

06/12/2009
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Gilberto Rios, dirigente da Resistência Hondurenha, fala com Pedro Fuentes sobre as eleições do país

Hoje pudemos falar pelo telefone com Gilberto Rios, dirigente de ”Los Necios” grupo político com uma grande presença nas universidades, e que é um dos principais animadores da resistência hondurenha. Sua voz não só era muito firme mas sim transmitia a alegria de ter obtido uma vitória da resistência. Disse-nos:

“Nunca na Honduras o abstencionismo foi tão grande; mais de 70% ao que têm que se somar o 2% de voto nulo e o 3% de votos em brancos reconhecidos por eles mesmos. Este resultado é mais gritante ainda porque foi no meio a coação sistemática que fez o aparelho burguês e o exército para que vá se votar. Os empregados públicos deviam mostrar seu dedo menor colorido em segunda-feira em seus trabalhos e o mesmo devia se fazer nas maquiladoras propriedades dos gringos e os grandes burgueses. Houve bairros onde o exército com os caudilhos conservadores e liberais ia diretamente às casas a procurar os habitantes para que vão votar; na sábado houve dezenas de detidos”.

Em conclusão diz Gilberto, “Lobos é o presidente mais minoritário de toda a história da Honduras. Nas condições de coerção que mencionávamos não foi apoiado nem por 1 de cada 10 habitantes da Honduras; de maneira nenhuma representa ao povo de nosso país”.

“O estado de ânimo de triunfo da resistência ficou expresso na caravana que se fez ontem segunda-feira em Tegucigalpa, em que participaram milhares de carros. Foi muito grande e ao passo da mesma a gente aplaudia e mostrava seu dedo limpo e “blanquito” sinal de que não tinha ido votar”.

“Houve uma grande quantidade de perseguições e provocações específicas a alguns dirigentes importantes da resistência”. Perguntamos ao Gilberto pela situação Juan Barahona e nos dizia que se encontra muito bem, custodiado, ressaltando que se converteu nele líder de massas mais reconhecido do pais hoje em dia.

Gilberto Rios concluía nos dizendo que, “logo depois destes cinco meses de intensa mobilização, agora a Frente da Resistência vai entrar em um período de estruturação e organização para continuar a luta política e social”.

Isto mostra que a Frente da Resistência converteu-se no principal protagonista, a principal força político-social do país e que o processo hondurenho está longe de haver-se fechado com estas eleições; pelo contrário, entrou agora em uma nova fase.

Pedro Fuentes é Secretário de Relações Internacionais do PSOL

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