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Declaração de Manuel Zelaya: a resistência é a nova força beligerante em Honduras

18/12/2009
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Tegucigalpa, 07 de Dezembro de 2009.

A RESISTÊNCIA É A NOVA FORÇA BELIGERANTE EM HONDURAS

Deve constituir-se em uma plataforma de coordenação política

Ser o eixo para coordenar e aglutinar as forças políticas progressistas, que sem perder sua própria identidade, logrem cumprir o objetivo das transformações e mudanças para o povo hondurenho.

A Resistência é a esperança para se ter uma nova Constituição instalando uma Assembléia Nacional Constituinte

Companheiros membros da Resistência Nacional contra o Golpe de Estado

Com especial apreço me dirijo à vocês para agradecer seu trabalho na Resistência, esperando que minhas idéias sejam de utilidade em suas reflexões neste momento tão difícil que vive nosso povo, o qual me acompanhou e respaldou em minha luta de mais de 30 anos pela democracia e a justiça social para Honduras.

A 163 dias de Resistência contra o golpe de estado militar onde fui seqüestrado e me desterraram à Costa Rica, suportando, assim como vocês, dor e sofrimento pelo povo, com 78 dias de ataques contra nós, neste cerco militar na sede diplomática do Brasil, suportando com minha família e os amigos que me acompanham a perseguição política, vocês nas ruas, sofrendo a mais cruel repressão, massacres, assassinatos, torturas, perseguição política, detenções arbitrárias, por alçar a voz de protesto contra a ditadura ao exigir de maneira pacífica porém firme a restituição do Presidente eleito pelo povo, o retorno da democracia, assim como as sanções contra os que usurparam o poder.

Companheiras (os); que não nos enganem com a farsa e a armadilha que realizaram no último 29 de novembro. Em Honduras não há democracia, se institucionalizou o golpe de estado, não há separação de poderes e se mantém a impunidade das instituições co-autoras do golpe de estado: a Corte de Justiça, Fiscal do Estado, o Comissionado dos Direitos Humanos, as cúpulas dos pertidos políticos no congresso, e as castas militares.

As eleições tuteladas pela ditadura não são válidas, têm vícios de nascimento, sem observadores qualificados, sob repressão, sem garantias de igualdade nem liberdade para os opositores do regime de fato, censura e fechamento de meios de comunicação, com um abstencionismo de mais de 60%.

Porfírio Lobo surgiu de uma fraude eleitora, é ilegítimo, ilegal e sua presidência é débil, tal como o demonstrou à 48 das eleições com uma rápida aliança com os militares e a ditadura para opor-se no congresso ao retorno do regime democrático e do presidente eleito pelo povo. Assim perdeu toda a legitimidade de sua eleição.

Agora a aliança golpista Lobo-Micheletti nos impõe paquetaços, desvalorizartam nossa moeda, descarregando o punho pesado da repressão sobre o povo.

A resistência tem uma grande missão a cumprir, converter-se em uma força beligerante e em uma plataforma de coordenação política, ser o elo para coordenar e aglutinar as forças políticas progressistas, que sem perder sua própria identidade, obrigue a elite dominante a reconhecer que nós hondurenhos não temos amos, que queremos liberdade, que todos temos o direito à vida e a viver em melhores condições. Reconhecer que todos somos hondurenhos e que nosso país necessita de reformas que não podem ser impedidas.

Por isso a resistência deverá organizar sua plataforma de coordenação política e programas com ações definidas em cada bairro, cada município em todos os departamentos que conformam o território nacional, exigir um novo pacto social, uma nova constituição onde o soberano determine as regras que permitam a solução dos problemas e as transformações de Honduras.

Eu cheguei à presidencia pelo Partido Liberal, sou liberal e sigo sendo, pratico sua verdadeira doutrina, oposta às ditaduras e aos regimes militares totalitários. Os que apoiaram este golpe de estado deixaram de ser liberais e o povo os castigou nas urnas. O Partido Nacional jamais havia se levantado da derrota que lhes propiciamos, e para fazê-lo tivera, que associar-se e conspirar com a elite poderosa, com seus ramos internacionais e dos poderes do Estado para dar o golpe militar e tirar-me do cenário político.

A Resistência é a guía, é a esperança para o retorno da ordem democrática, instalando a próxima Assembléia Nacional Constituinte.

Nossas armas são as idéias. Nossa luta tem estratégias pacíficas.

Nenhuma coperação, nenhuma violência, e desobediência civil contra leis injustas. Ninguém deve obediência à quem assume o poder pelas armas.

Pelo amor ao povo

Pelo amor aos pobres

Pela defesa de nossa democracia

Não descansaremos até derrotar a ditadura.

José Manuel Zelaya Rosales

Presidente Constitucional de la República de Honduras

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