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Em defesa do Projeto Nacionalista

19/12/2009
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Polarização e o avanço da luta de classes no Peru

por Fred Henriques

Assim como tem marcado todo este ano, no dia 26 de Novembro houve mais um chamado à população se organizar e tomar as ruas em todo o Peru para protestar contra a corrupção e a privatização dos recursos naturais, contestando mais uma vez o governo de Alan Garcia Pérez (AGP). O processo de polarização que vem se apresentando em toda a América Latina é mais uma vez colocado em evidência, agora na maior nação andina.

Enquanto “os governantes do mundo” repartem as florestas tropicais junto a empresários para a construção de empreendimentos sustentáveis, como a lei de florestas do Governo Lula no Brasil, ou distribui migalhas para a sua preservação, os povos da floresta juntos a movimentos sociais e o PNP travaram uma intensa luta na defesa da Pachamama no Peru. Desde o início do ano aproximadamente 300.000 organizados em 1297 comunidades organizaram o processo de resistência a privatização da floresta e o processo de desmatamento ocasionado por inúmeras multinacionais na região. A forte mobilização foi vitoriosa com a retirada do decreto legislativo 1090 referente a lei de florestas e fauna que colocava em risco a privatização da Amazônia, colocando em xeque as populações nativas.

No mesmo marco, contra o neoliberalismo, no dia 27 de maio deste ano milhares de pessoas saíram a denunciar o projeto do Aprista, que procura construir inúmeros tratados de livre comercio na região, em especial com o Chile e os EUA. As comunidades da floresta já em combate em união com os trabalhadores da cidade e estudantes construíram essa gigantesca manifestação, conseguindo inclusive barrar o plano de AGP.

Com a ofensiva dos movimentos sociais e o fortalecimento da alternativa do Projeto Nacionalista, expressado pela figura de Ollanta Humala, o governo Aprista tenta se defender criminalizando os movimentos sociais, os associando ora a guerrilha, ora aos narcotraficantes. O caso mais contundente vem ocorrendo nas últimas semanas, quando o governo corrupto de AGP vem atacando a deputada Elsa Malpartida,  do Partido Nacionalista Peruano, acusando-la de participação do Sendero Luminoso, guerrilha de esquerda, durante os anos 1989-1994. Campanhas como esta tem o objetivo de impedir que um projeto que não seja neoliberal chegue ao governo em 2011.

O resposta a esta contra-ofensiva da direita peruana é o chamado à unificação da esquerda em torno do projeto nacionalista e uma maior organização da esquerda. Podemos observar este processo junto aos estudantes do Partido Nacionalista que no mês de outubro realizaram um congresso com mais de uma centena de delegados de mais de 20 regiões do Peru, que reafirmaram uma saída anti-imperialista, através da ALBA, e a necessidade de construir um projeto anti-neoliberal para 2011, resgatando a soberania nacional e unificando os diversos movimentos sociais.

Os movimentos sociais e a esquerda peruana tem uma grande responsabilidade, pois está colocada a possibilidade de destruir o projeto neoliberal e chegar ao governo em 2011, em torno do Projeto Nacionalista em 2011. Afinal de contas por trás do Caracaço surge Chávez, a guerra da água e do gás surge Evo, contra o Tratado de Livre Comércio aparece Correa… Agora é a vez de Ollanta Humala, pois esta vitória no maior país andino não significa apenas uma vitória em seu território, mas um grande avanço do processo bolivariano em toda a América Latina!


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