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Notas sobre a situação da Venezuela e a revolução bolivariana

19/12/2009
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por Neto

Voltado faz pouco ao Brasil vários companheiros me tem pedido que escreva mias ultimas impresões sobre o momento que vive a Venezuela. Estas notas escritas em forma rápida intentam transmitir a atual situação.

É verdade que a revolução esta em uma encrucillhada. Quais som as causas do atual  o momento pelo qual passa o processo político mais avançado de enfretamento anticapitalista e anti-imperialista de nosso continente?. Se bem é verdade que a burocracia oficialista é a um problema que se tem voltado o principal do processo venezuelano, também não se pode desprezar ou desconhecer o papel que cumpre o imperialismo, e seus agentes e menos ainda que na Venezuela como existe uma forte pressão, do movimento de massas, pela manutenção do curso socialista adotado em 2003. Recordamos que nem sempre Hugo Chaves teve o socialismo como horizonte. O fato é que desde aquele ano o país petroleiro vem adotando medidas e postura que estão cada vez más em contradição com o imperialismo e tem transformado o cenário político latino americano. Porém, todos os avanços e a própria resistência anti-imperialista e a luta pelo socialismo na America latina estão ameaçados, ameaçados porquê, por quê estes avanços e a luta pelo socialismo estão ameaçados na própria Venezuela. E, como afirmamos acima, Venezuela é a locomotiva que arrasta outros governo e países, do continente, para o bonde da resistência anti-imperialista, seja através da ALBA seja pela UNASUR ou ainda quando Chavez convoca a construção de uma nova internacional.

A instalação de sete novas bases militares na Colômbia, a consolidação do golpe militar em Hondura – sem desconsiderar o importante papel que joga a resistência -, a reativação da frota do mar do caribe, são fatores externo que tentam isolar o vírus do bolivarianismo, para dizer de uma forma, a direita Venezuelana são fatores internos que se bem tentam desestabilizar o país, não tem força suficiente para causar maiores fraturas num país que ainda que polarizado sofre muito mais pelas ações dos próprios “amigos de chaves” ou seja. Neste momento, as maiores ameaças da revolução bolivariana e latino americano, estão dentro das fileiras do próprio Chavismo.

Desde o mês de setembro vários estados da Venezuela vem sofrendo constantes apagões, muito piores e mais freqüentes que os sofridos no Brasil durante os governos de FHC ou o recente pagão do Lula. Equivocadamente o Governo venezuelano tenta responsabilizar “el niño” que se bem contribui bastante, está longe de ser o principal responsável pela instabilidade do sistema de abastecimento elétrico do país; o programa “Barrio a dentro” umas das experiência mas avançadas de atenção a saúde da America latina, e a rede hospitalar da Venezuela, padecem pela falta de medicamentos e materiais cirúrgicos, a lei de terras aprovada em 2001, um dos estopins do golpe de 2002, não acaba de se converter em reforma agrária e o país segue importando boa parte do que consome, além de outras tantas medidas anunciadas que nunca acabam de ser efetivadas, como é o caso da “gestão obrera”, aprovada por chaves num seminário com os trabalhadores de SIDOR que a burocracia não permite, por meio de diversas manobras que se converta em realidade.

Todos estes problemas acumulados ao longo dos 10 anos de revolução bolivariana têm conseqüência e cobram seus resultados, a derrota eleitoral no referendo de dezembro de 2007 foi talvez a primeira grande derrota política de Chávez em novembro do ano seguinte o chavismo sofreu outra derrota política pois se bem o PSUV elegeu a maioria esmagadora dos governadores – 18 contra 5 da oposição – as derrotas em Carabobo, Tachira, em Miranda e no Distrito Metropolitano Capital representaram um enorme retrocesso na área de influencia chavista, demonstrando que os problemas, reais, que já eram elementos de desgaste para o processo não haviam sido solucionados. A ultima grande derrota política do chavismo foi a grande ausência de militante participando nas eleições de delegados ao congresso do PSUV, nada mas nada menos que 52% dos filiados simplesmente não compareceu as eleições o que provocou uma enorme “arrechera” do próprio chaves, que na juramentação dos delegados cobrou explicações de vários dirigentes do partido.

Ainda que, numa primeira leitura, todos os elementos apontem para a conclusão de que o processo Venezuela esteja esgotado caminhando para a restauração pura e simples do capitalismo ou num cenário pior para uma dramática ditadura populista, essas mesma contradições e o próprio fato da existência de periódicos/correntes como marea socialista, nos dão esperança de que isso não está dado pelo menos não neste momento.

A derrota eleitoral de 2007 que também foi uma derrota política abriu caminho para uma grande vitoria política da revolução frizo, – não do “chavismo” como fenômeno particular más da revolução em seu conjunto – pois no ano seguinte já em janeiro na mesma Caracas surge embrionariamente o que se chamou de Assembléia Popular de Caracas, umas das primeiras experiências autônomas de mobilização popular, não controlada pelo aparato de estado, que buscava pressionar por soluções aos problemas que já sinalizamos acima; neste mesmo ano em Guayana, depois de 15 meses sem acordo da data base, os trabalhadores de SIDOR se enfrentam com a guarda nacional, com o governador “bolivariano” do estado Bolívar e conquistam a re-nacionalização de SIDOR e a destituição do Ministro do Trabalho, das mãos do próprio Hugo Chaves.  A vitoria em SIDOR sérvio como motor e combustível para estimular uma série de outras lutas em todo o país, deu mais confiança a classe trabalhadora e tem servido de exemplo para muitos dos que não acreditavam numa vitoria frente a burocracia e a boliburguesia.

Agora se bem é verdade que a vitoria de SIDOR representou um marco no processo Venezuelano, isso não significa para nada negar o que expúnhamos anteriormente, o processo Venezuelano vive um estancamento, produto da ação consciente da burocracia oficialista e da “boliburguesias” ambos interessados em travar os avanços em direção ao socialismo. E precisamente nisso consiste o desafio dos venezuelanos. Mas dizer que há um estancamento para nada significa que não há luta e que não aprofundam as contradições, muito pelo contrário. Os trabalhadores do setor de enegia elétrica, setor que mencionamos anteriormente, vem travando uma luta heróica contra a gerencia do setor denunciando os diretores e exigindo medidas concretas como: a demissão das 15 gerências e a unificação das empresas 15 que formas a corporação venezuelana de energia elétrica, esse trabalhadores fizeram uma grande marcha em Caracas para exigir estas medidas do governo e mais apresentaram um plano que gestão socialista da empresa para solucionar o problema do abastecimento de energia. O mesmo passa numa escala menor com o setor saúde, já vão dois os ministro de saúde demitidos no ano de 2009 e não por casualidade o movimento luta pelo resgate tanto do programa “Barrio a Dentro” e dos restante do sistema ganha mas força.

Mas o que atesta de forma mais explicita nossa opinião não são as manifestações que se dão no terreno das lutas sociais, que por suposto também são políticas, mas a luta que se dá especificamente no campo político é que justifica acreditar que existe uma forte contradição que felizmente está longe do seu final. Nos mês de junho o Centro Internacional Miranda – fundação vinculada ao ministério de educação superior, que serve como referencia para pesquisadores e intelectuais de esquerda do mundo inteiro e que tem na sua direção figuras do calibre de marta Harnerck e Michel Lewbotz, promoveu um seminário para discutir a revolução bolivariana e toda a problemática em torno da ausência de uma direção coletiva, obviamente muita gente não ficou satisfeita com o tom das críticas nem o próprio Hugo chaves ficou muito feliz, a semana seguinte o CIM já estavas, para alguns, com seus dias contados, mas a reação da opinião publica expressa em diversas declarações enviadas para aporrea.org entre outros espaços mantém este espaço como um dos bastiões da critica e auto-crítica do processo revolucionário venezuelano. Na mesma linha o PSUV, com as contradições que possa ter, representa um avanço e o avanço reside no fato de que mesmo sendo Hugo Chaves um líder de tradição militar, como um partido com grandes elementos de burocratização, e com uma direção altamente verticalista, ainda assim existe espaço para a existência de correntes ou coletivos que gozam de certa independência e total liberdade de critica para atuar tanto dentro como fora do partido.

Total que concordamos com o artigo de nossos “ermanos” venezuelanos e reafirmamos que a melhor maneira de aprofundar o processo venezuelano e apoiar a revolução no nosso continente é sendo parte deste processo ativa e criticamente, com autonomia más não se deixando ganhar pelo propagandismo ou pelo sectarismo e espírito se seita.

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