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“O mundo do trabalho deve ter sua própria representação política”

14/04/2010
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Entrevista com o companheiro Boguslaw Zietek, dirigente do Sindicato “SIERPIERI 80″ (Agosto 80) e atual presidente do Polska Partia Pracy, Partido dos Trabalhadores Poloneses.

Por Pedro Fuentes


A primeira pergunta que gostaríamos de fazer é qual é a situação vivida na Polônia. Queremos que nos comente como surgiu o sindicato que você preside e que relação existe entre o partido e o sindicato, já que nos chamou a atenção, positivamente, o comprometimento que vocês têm com os processos de luta.

Bougoslaw – Como você sabe, depois dos anos 80 teve início a restauração do capitalismo na Polônia. Muito rapidamente, naquela época, as duas elites políticas dos dois lados, ou seja, a do antigo regime e uma nova elite polaca que surgiu do Solidarnosc (Solidariedade) , chegaram a um acordo sobre a restauração do capitalismo. Então, começaram as privatizações e as reformas anti sociais. Isso foi bastante surpreendente, talvez porque a Polônia é conhecida por seu grande movimento operário independente de 1980-81, um movimento muito pró-social, um movimento que levantava a bandeira da auto gestão operária e que seguramente não estava ao lado da restauração capitalista.

E por que o Sindicato se chama Agosto 80?

Bougoslaw – Porque nós reivincamos aquela tradição do Sindicato Solidarnosc, que surgiu naquele momento. Quando em 1989 a elite do Solidarnosc, encabeçada por Lech Valessa, chego a um acordo com o antigo Partido Comunista em torno de um plano de reformas ultra liberais, nós decidimos fundar um novo Sindicato, livre, chamado Agosto 80 retomando essa tradição, porque precisamente, esse grande sindicato surgiu das greves de agosto de 1980.

Mas isso não quer dizer que sejamos a continuação da velha guarda de 1980-81, e sim que somos uma nova geração de militantes sindicais.

Durante um período atuamos como sindicato, nos opondo decididamente às reformas neoliberais levadas a cabo, em meio a uma situação em que todos os partidos da Polônia estavam comprometidos com a restauração do capitalismo e com o neoliberalismo, tanto os partidos da direita, quanto o social democrata.

Por isso mesmo, chegamos à conclusão de que o mundo do trabalho, a classe operária, deve ter sua própria representação política. E então, por mando e decisão das nossas bases sindicalistas, fundamos o Partido do Trabalho. Participamos das eleições e obtivemos um pouco mais de 1%.

Hoje, a fórmula de nosso partido atravessa uma evolução, já que não só nosso partido agrupa agora os militantes de nosso sindicato, mas também militantes que não pertencem à nossa federação, setores que estão ativos em movimentos sociais e movimentos de juventude. O PT é um partido de esquerda, radical, anti capitalista, sem perder com isso a ligação que existe entre o partido, como instrumento político, e o sindicato. O primeiro existe para atuar na esfera política, assumindo a representação dos trabalhadores.

Qual coordenação internacional vocês pensam ser possível organizar?

Bougoslaw – Nós consideramos que é absolutamente indispensável uma coordenação de atividades políticas e sindicais no plano internacional. De nossa parte, estamos mais envolvidos na construção desse tipo de coordenação no âmbito europeu e por isso participamos das atividades ao redor do NPA da França desde o processo de fundação. Estamos colaborando com esse partido e tentamos, junto com eles, tomar iniciativas em escala européia. Nossa participação em atividades como este Congresso nos permite também estabelecer relações e vínculos com outras organizações que participam como membros ou convidados, o que é muito importante.

Ao mesmo tempo, nós sabemos que coisas muito significativas estão acontecendo fora da Europa, inclusive processos mais importantes em outras partes do mundo como, na América Latina. Por essa razão, nos interessa o que está ocorrendo na América do Sul e também em outras partes do mundo onde há resistência contra o neoliberalismo.

Por fim, qual a sua opinião sobre o chamado de Hugo Chávez à formação de uma V Internacional?

Bougoslaw – Bom, é uma coisa muito nova, na Europa apenas se começou a discutir esse assunto. Eu acho que é algo importante, que se deve discutir. Não podemos ser indiferentes diante desse chamado, já que Chávez e Venezuela são fatos importantes na luta dos movimentos sociais anti capitalistas.

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