Skip to content

DECLARAÇÃO SOBRE A CRISE EUROPÉIA

04/05/2010

 

1.    A crise econômica global continua. Enormes quantidades de dinheiro foram injetadas no sistema financeiro – 14 bilhões de dólares para medidas de salvação nos EUA, Grã Bretanha e da Zona Euro; 1,4 bilhões em 2009 para empréstimos bancários na China – tantos esforços para alcançar uma nova estabilidade na economia mundial. Mas se esses esforços serão suficientes para produzir um reestabelecimento durável é uma questão em aberto. O crescimento segue sendo muito débil nas economias avançadas, enquanto o desemprego continua aumentando.  Existem temores de que está se desenvolvendo uma nova bolha financeira, desta vez com centro na China. O caráter prolongado da crise – a mais grave desde a Grande Depressão – é sintomático do fato de que suas raízes se encontram na própria natureza do capitalismo como sistema.

2.    Depois de uma severa onda de demissões, agora na Europa o foco da crise está no setor público e no sistema de proteção social. Os mesmos mercados financeiros que foram salvos graças aos planos de salvação estão agora em pé de guerra contra o aumento da dívida pública, que os ditos planos produziram. Pedem reduções massivas dps gastos públicos. Esta é uma tentativa com caráter de classe para fazer pagar os custos da crise, não aqueles que a provocaram – em primeiro lugar, os bancos – e sim os/as trabalhadores/as – não só os empregados do setor público, como também todos os usuários dos serviços públicos.

3.    A Grécia está atualmente no olho do furacão. Como tantas outras economias européias, a grega é particularmente vulnerável, em parte pelo fato de ter acumulado dívidas durante a fase de expansão, em parte porque é incapaz de rivalizar contra Alemanha, o gigante da Zona Euro. Baixo pressão dos mercados financeiros, da Comissão Européia e do Governo Alemão, o governo de Geórgios Papandréou abandonou suas promessas eleitorais e anunciou cortes orçamentários que equivalem a 4% do produto nacional.

4.    Afortunadamente, a Grécia possui uma história rica em resistências sociais desde os anos 1970. Junto da revolta da juventude, em dezembro de 2008, o movimento operário grego respondeu ao pacote de cortes orçamentários governamentais com uma onda de greves e manifestações. Saudamos também o exemplo do referendo na Islândia, no qual o povo rechaçou o princípio de reembolsar a dívida imposta aos bancos.

5.    Os trabalhadores gregos necessitam da solidariedade revolucionária, de sindicalistas e anti capitalistas de todos os países. Grécia é o primeiro país europeu na mira dos mercados financeiros, mas sua lista de objetivos potenciais compreende muito mais, em primeiro lugar o Estado Espanhol e Portugal.

6.    Necessitamos um programa de medidas que possam tirar a economia da crise sobre a base de uma prioridade dada às necessidades sociais, mais que aos benefícios, e que imponha um controle democrático do mercado. Devemos lutar por uma resposta anti capitalista: nossas vidas, nossa saúde, nossos empregos valem mais que seus benefícios.

–       Todos os cortes orçamentários públicos nacionais devem parar ou ser invertidos: não às “reformas” dos sistemas de aposentadoria; a saúde e a educação não se vendem.

–       Um direito garantido ao emprego e um programa de inversão pública em empregos verdes: transporte público, indústrias de energias renováveis e adaptação dos edifícios privados e públicos para reduzir as emissões de dióxido de carbono.

–       Pela criação de um sistema bancário e financeiro público unificado sob controle popular!

–       Os imigrantes e refugiados não devem ser bode expiatório da crise: documentos para todos!

–       Não aos gastos militares: retirada das tropas ocidentais do Iraque e Afeganistão, reduções massivas dos gastos militares, e dissolução da OTAN.

7.    Decidimos organizar atividades de solidariedade por toda Europa contra as reduções dos orçamentos sociais e os ataques capitalistas. Uma vitória dos trabalhadores gregos reforçará a resistência social de todos os países.

ASSINAM AS SEGUINTES ORGANIZAÇÕES:

Grécia: Aristeri Anasynthes, Aristeri Antikapitalistiki Syspirosi, Organosi Kommuniston Diethniston Elladas-Spartakos, Sosialistiko Ergatiko Komma, Synaspismos Rizospastikis Aristeras.

Alemanha : Internationale Sozialistische Linke, Marx21, Revolutionär Sozialistischen Bund ;

Áustria : Linkswende

Bélgica : Ligue Communiste Révolutionnaire – Socialistische arbeiderspartij 

Chipre : Ergatiki Dimokratia 

Croácia : Radnička borba ;

Estado espanhol: En lucha/En lluita, Izquierda Anticapitalista, Partido Obrero Revolucionario 

França: Nouveau Parti Anticapitaliste – NPA

Grã Bretanha: Socialist Resistance, Socialist Workers Party 

Holanda : Internationale Socialisten, Socialistische Arbeiderspartij 

Itália : Sinistra Critica ;

Irlanda : People Before Profit Alliance, Socialist Workers Party 

Polônia : Polska Partia Pracy, Pracownicza Demokracja 

Portugal : Bloco de Esquerda 

Rússia : Vpered 

Suiça: Gauche anticapitaliste, Mouvement pour le socialisme /Bewegung für Sozialismus, solidarités;

Turquia: Devrimci Sosyalist İşçi Partisi, Özgürlük ve Dayanışma Partisi.

Anúncios
2 comentários

Trackbacks

  1. O vulcão grego em erupção «
  2. O vulcão grego em erupção « ProfessorMaxiliano

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: