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GIGANTESCA MARCHA EM HONDURAS NO 1º DE MAIO, EM RESPOSTA AO TERROR E À MISÉRIA

05/05/2010
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Tegucigalpa – 01.05.2010

Possivelmente só a marcha de Havana, Cuba, foi maior na América Latina e no Caribe. Porque a marcha do 1º de Maio na capital hondurenha ultrapassou todas as expectativas e deve se interpretada como uma clara advertência ao regime de Pepe Lobo “Não tente brincar com o povo trabalhador organizado, pois a resposta será firme!”

 Calcula-se que entre 500.000 a 700.000 mil pessoas marcharam pela capital hondurenha. Sobre uma das pontes do Boulevard das Forças Armadas foi possível avistar uma enorme faixa com o texto: “Com a Unidade Popular para a Vitória Final”.

 Unidade contra uma política de fome e terror

 E a unidade foi o que caracterizou este 1º de maio em Honduras. As três Centrais Sindicais, organizações camponesas, estudantis, de jovens, mulheres, organizações das colônias e bairros encabeçadas pela Frente Nacional de Resistência Popular mancaram a unidade popular como um só punho. E mais, as três centrais sindicais estão em sérias discussões sobre unir suas forças em torno de uma só central.

 A marcha de ontem é considerada pelos organizadores como o mais importante acontecimento desde a grande greve geral de 2 meses em 1954, dirigida por trabalhadores bananeiros contra a exploração da empresa Standart Fruit, ou outras que conquistaram uma das legislações trabalhistas mais avançadas da época na América Central

 “Estamos Militarizados com a bota Militar no Pescoço”

 ntre os manifestantes conversamos com Adriana Guevara, que de sua cadeira de rodas expressou sua opinião na marcha, exigindo liberdade e justiça social para o povo hondurenho.

 – Me dói a pobreza em meu país Honduras. Se estou na rua é porque tomei consciência plena da realidade que se vive em nosso país. Não é possível que até hoje estejamos militarizados em Honduras, com a bota militar no pescoço, disse a companheira que refletiu os desejos de todo um povo.

 Quando os primeiros da marcha chegaram à Praça Isis Obed Murillo, os últimos manifestantes ainda não tinham saído da Universidade Pedagógica, distante vários quilômetros da parte sul do aeroporto internacional Toncontin. Neste lugar foi assassinado o ativista Isis Obed Murillo por franco atiradores do exército no dia 5 de Julho de 2009, uma semana depois do golpe de militar, e no momento em que o presidente deposto Manuel Zelaya Rosales tentava pousar, e foi impedido por quatro caminhos militares estacionados na pista do aeroporto. 

Participação Massiva em todo o País

 – Esta é uma tremenda demonstração de força da Resistência e dos Sindicatos de Tegucigalpa. E assim como em Tegucigalpa tem sido em todo o país: participação massiva do povo hondurenho, que despertou depois de 28 de junho de 2009, quando ocorreu o golpe de estado, golpe que continua com autoridades no poder. O povo hondurenho esta brigando pela Constituinte, diz Gullermo Ponce, vice-presidente do combativo sindicato classista STIBYS, que organiza os trabalhadores nas cervejarias.

 As reivindicações no Dia Internacional da Classe Operária não pode faltar. Ponce adverte que os patrões estão terceirizando, por todos os meios, a organização do trabalho em cada empresa, e buscando desarmar a organização de defesa dos trabalhadores, o sindicato, convertendo cada trabalhador em uma presa fácil. Também podemos observar uma penosa postergação nas negociações pelo salário mínimo de 2010 por parte do regime de direita de Pepe Lobo e seu ministro do trabalho, Felícito Ávila, ex-secretário geral da central operária CGT, que só oferece aos trabalhadores as migalhas da mesa dos patrões, garante Ponce. 

O Sindicalista que mudou de lado

 – É a estratégia dos empresários que tem financiado o golpe de estado. Tem autoridade de enrolar e enrolar. Segundo: estão terceirizando as funções. Ou seja, estão transformando funções permanentes em temporárias e com isso eliminando os acordos coletivos, e assim eliminam os sindicatos. Isso é uma violação flagrante.

 – O ministro do trabalho, Felícito Ávila, participou neste processo eleitoral de 29 de novembro de 2009 que constitui uma legitimação ao golpe de estado. Este homem poderia estar aqui hoje, porém ele não tem nenhum sentimento operário, é uma realidade. Legitimaram o golpe de estado através das eleições. 

Ofensiva de assinaturas para uma nova constituinte.

A Frente Nacional de Resistência Popular esta em plena a campanha para coletar mais de dois milhões de assinaturas para poder realizar um plebiscito sobre uma nova Constituinte dia 27 de junho. Perguntamos ao líder sindical como está a campanha.

 – Temos avançado muito. Hoje, com toda certeza, vamos coletar mais de um milhão de assinaturas. A segunda tarefa da Frente é trabalhar para que o presidente Zelaya regresse ao país, que é seu país. 

Trabalhadores Universitários em Greve de Fome.

 Osman Ávila é fiscal do sindicatos dos trabalhadores da universidade autô.noma de honduras, SITRAUNAH. Ele conta em entrevista que a universidade vive um conflito que data do ano passado por conta da intransigência e obsessão da reitora Julieta Castellanos em não assinar o 15º acordo coletivo com Sitraunah.

 Pelo contrário, Castellanos despediu 186 trabalhadores, numa ação totalmente contrária a todas as normas e convenções da OIT. A resposta do sindicato veio com a greve de fome de 11 trabalhadores. A reitora Castellano declarou que nada lhe importa se morrer alguém na greve de fome.

 – A reitora se dá ao trabalho de publicar ao mundo que não lhe importa a vida de ninguém, e isso é vergonhoso. A posição da reitora é a posição de um capataz, porém um capataz muito além do que poderia ser uma pessoa normal. Entendemos que essa atitude obedece às posições das oligarquias. A posição da reitora é mostra de uma espécie de nepotismo, de um patrão que realmente não se interessa por verificar o trabalho que companheiros estão realizando.

 – E mais terrível é que estamos frente a uma socióloga, uma estudiosa das sociedades, que sabe que suas próprias manifestações são ilegais. 

O incompreensível e contraditório neste sentido é: como vão interpretar da faculdade de direito as leis hondurenhas e convênios internacionais que regulam os conflitos no mercado de trabalho, se a reitora de sua universidade as viola flagrantemente?

 A juventude presente

 O 1º de Maio em Tegucigalpa foi uma grande festa do povo – com uma impressionante participação da juventude que vislumbra um panorama político e econômico tenebroso. As oportunidades num mercado de trabalho, no qual patrões têm todas as possibilidades de explorar a classe trabalhadora, são ótimas.

 Como canalizar o capital político formado por meio milhão de hondurenhos, só na capital de Honduras, para a direção da Frente Nacional de Resistência Popular e os lideres do movimento sindical? Pois as tarefas são múltiplas e o povo nas ruas de Honduras mostrou que ante os uniformizados não tem medo.

  FOTO: DICK EMANUELSSON.

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