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Sob o lema “Uma nova Democracia, Um novo Socialismo” foi fundada uma Nova Esquerda: O Movimento Caamañista

10/05/2010

Pedro Fuentes *

Com a presença de mais de 100 delegados representantes de núcleos caamañistas de inúmeras províncias e comarcas da República Dominicana, – inclusive de um núcleo que atua nos EUA – realizou-se entre os dias 24 e 25 de Abril o Congresso Caamañista. Um congresso vitorioso, que deu origem a um novo partido com o qual o PSOL deve construir estreitas relações, sentindo-se um partido irmão. Na realidade, já deu passos neste sentido ao se fazer presente através da Secretaria de Relações Internacionais, participando e apoiando o congresso.

Este novo partido significa um avanço não só para os trabalhadores e setores pobres da República Dominicana, mas também para todo o movimento anti-imperialista e socialista da America Latina. Já que a construção do “Movimento Caamañista” responde a uma necessidade que está colocada em vários países de nossa Pátria Grande; construir novos partidos socialistas com vocação para o trabalho de massas, que rechaçam tanto as políticas oportunistas de adaptação ao poder burguês, como as construções dogmáticas e auto-proclamatórias.

 O congresso foi realizado simbolicamente dia 24 de abril, porque nesse dia completam 45 anos do levante dos oficiais constitucionalistas contra o golpe de estado dirigido desde os EUA para tirar do poder o presidente Bosch. Com o levante dos jovens oficiais teve início uma revolução, o exército se dividiu e o povo tomou de assalto os quartéis, se armando para lutar ao lado dos constitucionalistas. A invasão de 40 mil marines yankees, enviados pelo então presidente Lyndon Johnson, deteve esta revolução.

O congresso contou com a presença de combatentes da revolução caamañista, entre eles Narciso Conde, que como Secretario Geral do Partido Comunista integrou naquela oportunidade o Comando Político da revolução constitucional. Narciso Conde é uma figura política respeitada na sociedade dominicana. Antes da realização do congresso houve um ato na Universidade Nacional de Santo Domingo, que contou com a participação das autoridades da mesma e na qual os oradores foram o reitor e o próprio Narciso Conde.

  O congresso foi iniciado com um ato político cultural onde estiveram presentes importantes representantes de organizações de trabalhadores, do movimento cultural, o movimento Justiça Global entre outros. As representações internacionais foram além do PSOL, o Partido Comunista do Chile e o Movimento Continental Bolivariano, com seu dirigente Carlos Casanueva. Também participaram militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), e o Movimento Eva Perón de Argentina.

Unindo a Revolução caamañista com o atual processo anti-imperialista latino americano

 

Narciso Conde, em sua intervenção de abertura reafirmou as bases do novo movimento “estamos decididos (as) a contribuir, com espírito inovador e com energias renovadas, para as imprescindíveis respostas teóricas, políticas, organizativas e culturais derivadas deste desafio histórico”. “Aquele abril heróico ficou inconcluso. A revolução democrático-popular gestada na luta destinada a derrotar o golpismo oligárquico – imperialista – e a restabelecer o governo de Bosch e a Constituição de 1963 ficou truncada: foi bloqueada pela intervenção militar dos EUA”.

Afirmou que essa contra revolução “se prolongou nestes últimos 45 anos empregando todas as formas de opressão e alienação até chegar na atual situação caracterizada, por um lado, pela putrefação das instituições e das cúpulas dominantes, e pelo empobrecimento do povo explorado, abusado e excluído, cada vez mais descontente e indignado; e, de outro, pela ausência de forças e propostas alternativas devidamente estruturadas, engrossadas e definidas”.

Referindo-se ao marco internacional da situação dominicana fez menção a que “ha uma grave crise integral da civilização burguesa. A pior crise do capitalismo em toda a sua história que se agudiza  sobre os países dependentes e periféricos do sistema, sendo a tragédia do haitiana a mais grave”. Depois do congresso, e junto com a coordenação bolivariana, o Movimento Caamañista realizou um ato anti-imperialistas contra uma empresa yankee exploradora de ouro Barrick Gold e outro na fronteira em solidariedade com Haití.

Esse resgate da revolução de abril coincide com o novo sentimento anti imperialista que percorre a América Latina. O objetivo do movimento caamañista é resgatar esses valores revolucionários para dar “continuidade a sua obra inconclusa em estreita relação com o desenho de uma alternativa pós-neoliberal, uma resposta a nova democracia e uma estratégia de novo socialismo”. Esse novo socialismo significa nas palavras de Narciso Conde “uma superação do socialismo real, que foi um socialismo burocrático que entrou em colapso nos países do Leste europeu e na URSS”. Por isso reivindicou “um marxismo criador que além de fazer o ensamble da revolução inconclusa com o marxismo Latino Americano de nossos tempos e com os aportes de diversas fontes de idéias emancipadoras. Um movimento caamañista, socialista, classista, ambientalista, feminista, juvenil, moralizador, adversário de todas as discriminações e exclusões. Que ajude a criar, ampliar e conformar uma grande força alternativa ao capitalismo neoliberal e a democracia partidária pervertida”.

 

Uma nova experiência importante para a prática internacionalista do PSOL.

 O congresso deliberou sobre estes eixos centrais com numerosas intervenções nos dois dias de sessão. Como em todo debate em que se propõe uma nova construção política, surgiram algumas duvidas, temores, que giraram em torno de dois eixos. Um deles sobre o perigo de deixar de reivindicar a tradição comunista. E outro foi a polêmica sobre quem deveria ser considerado militante da organização. Em ambos os casos os militantes expressaram temores e perigos diante do novo projeto. Ambas as questões foram resolvidas com um critério não sectário e aberto. Em ambos os temas pudemos contribuir a partir de nossa própria experiência

 Nossa presença neste congresso serviu para termos uma maior aprendizagem sobre os novos movimentos latino-americanos, a revolução que tem feito as direções políticas de tradição comunista, e também para reafirmar uma idéia que é chave e está na origem da construção do PSOL: a necessidade de fortalecer o internacionalismo no nosso partido. Não só porque sabemos que por principio é impossível construir um partido nacional isolado de uma perspectiva internacional, senão porque isso tem se tornado uma tarefa urgente nestes novos tempos em que vivemos. Sofremos e, contudo, ainda estamos transitando no PSOL por um período de contradições que se expressou em uma crise. Estamos convencidos de que, como toda crise, essa terá sua superação. Porém ela será muito mais efetiva, mas consistente se no PSOL avançamos coletivamente em uma visão e uma prática internacionalista mais profunda que nos permita ser parte e construir um marco internacional com correntes novas que estejam surgindo. A experiência e os novos laços com o movimento Caamañista são parte dele.

* Pedro Fuentes é Secretário de Relações Internacionais do PSOL

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