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Jabulani: a bola concebida na Inglaterra, costurada no Paquistão e arrematada na África do Sul

06/07/2010

Por Juan Luis Sánchez

  Os verdadeiros produtores da bola recebem 3 euros por dia de trabalho

Essa bola, com que jogam a Copa do Mundo da África do Sul 2010, se chama Jabulani e Casillas diz que é como uma “bola de praia”, que pesa muito pouco, e quando é chutada forte faz movimentos raros no ar.

Jabulani é o nome comercial escolhido pela Adidas para a bola oficial da Copa do Mundo da África do Sul 2010 e em zulu significa regozijo, celebração, alegria. Um conceito sul-africano para a bola, pensada por engenheiros e acadêmicos da Univerdade de Loughborough, na Inglaterra. “Com somente oito inovadores painéis 3D, colados termicamente e pela primeira vez moldados esfericamente com cola EVA e poliuretano termoplástico, a bola possui é uma esfera de precisão exata”, diz a nota de imprensa que se reproduz, como autômato, em quase todos os meios de comunicação esportivos do mundo. Tudo sofisticação: “a superfície da bola tem uma textura com ranhuras desenvolvida pela Adidas e chamada de Grip’n’Groove”.

A bola é usada por Tshabalala, por Messi, por Casillas mesmo que se queixe, usada por ídolos; as crianças e não tão crianças de todo o mundo querem jogar com uma. Por isso a Adidas faz réplicas como água na cidade palestina de Sialkot, onde os trabalhadores fabricam uma versão menos sofisticada da bola a cada 2h30. Se costuram por 12h conseguem produzir 5 bolas. Ganham no máximo 3 euros por dia. “O problema de desemprego é tão grave aqui que os patrões sabem que podem nos pagar muito pouco, e que não temos outra alternativa”, diz ao jornal britânico The Daily Telegraph um trabalhador de uma das fabricas manufatureiras de Sialkot, onde se concetra boa parte da fabricação internacional de bolas de futebol.

Esses artistas e artesãos da bola não recebem palmas de toda as cores, como os titulares épicos e emocionados. O que recebem são 60 a 90 euros ao mês que, segundo o Labor Rights Fórum, representa a metade do mínimo que necessita um trabalhador no Paquistão para manter sua família e oferecer educação aos seus filhos. “Meu marido e eu tivemos que explicar para nossa filha que não vamos poder pagar seus estudos. Ela ameaçou até suicidar-se”, diz Malinka, uma mãe de 36 anos que mantem a duras penas seu trabalho na fábrica. “A pessoa que faz a bola da Adidas está orgulhosa disso”, diz William Anderson, o chefe da responsabilidade social corporativa da Adidas na região. “Eles não tem a percepção de que viviam na pobreza. Pagamos mais do que ganhariam na agricultura, por exemplo”, diz Anderson.

Hoje mesmo, no El Corte Inglês, cada réplica da Jabulani está anunciada por 25 euros. A oficial, que se usa nos jogos de futebol da Copa, se fabrica na China e nas lojas custa 120 euros. A Adidas tem como objetivo superar os lucros produzidos durante a Copa de 2006, de uns 800 milhões de dólares.

Não é só uma questão de dinheiro. O trabalho infantil e temporário, as demissões espontâneas, a carga excessiva de trabalho diário. Como em qualquer empresa de costura massiva, não são raras as lesões: “os trabalhadores podem perder um dedo se algo vai mal com a máquina. Ou em fase de colar e estampar, estão expostos a altas temperaturas e produtos químicos tóxicos”. Segundo o Labor Rights Forum “não há nem formação nem informação sobre os acidentes laborais e os direitos a eles correspondentes”.

Adidas não é a única marca que fabrica no Paquistão, Índia, China ou Tailândia em empresas que tem a licença oficial da FIFA, mas não cumprem os mínimos direitos trabalhistas, segundo o informe “Missed the Goal for Workers: the Reality of Soccer Ball Stitchers” (“Gol perdido aos trabalhadores: a realidade da produção de bolas de futebol”). Puma, Wilson, Vision, Regent ou Capital estão entre as marcas que trabalham ou compram nas indústrias inspecionadas.

Fonte: http://periodismohumano.com/economia/jabulani-la-pelota-pensada-en-inglaterra-cosida-en-pakistan-y-rematada-en-sudafrica.html

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