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O Equador, visto por dentro: os eventos do dia 30/09

01/10/2010
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  Transcrição do email do camarada Jorge Estrella, membro do governo do Equador, para Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL

 

Olá camarada!

Desculpa que não te respondi ontem. Sou coordenador zonal no Ministério de Coordenação Política e nos coube organizar mobilizações e vigílias em toda minha região, em apoio ao governo.

Sem dúvida, por trás do levante organizado pela Polícia Nacional e por um setor de tropas do exército, se escondem os interesses da oposição política, que está contra as reformas legais, que buscam a vigência da Nova Constituição dos equatorianos, e tem manifestado isso na Assembléia Nacional.

Se descarta que o ocorrido esteja vinculado a reivindicações salariais, já que durante este governo o salário dos membros da tropa policial subiu até 148%, além da corporação ter sido dotada de novos armamentos e equipamentos de segurança pessoal. O levante funcionou como um relógio: começou com a tomada do regimento Quito, e pouco a pouco foi tomando conta dos aeroportos, e outros regimentos. Se obrigou aos assembleístas a abandonar a sede da Assembléia Nacional com uso da força. (Esta é uma razão forte, já que se queriam a reforma da lei, a idéia é que a Assembléia funcione e não que feche, como fez a policia, que nos arredores do Congresso se chama “escolta legislativa”).

O Gutierrizmo comandou as operações. A idéia central foi lançar como um ensaio, o levante para ver se agradava, isso se via pelo tensionamento que a imprensa da partidocracia estava demonstrando nos últimos dias, com a cobertura da agenda legislativa. Os sindicatos de professores e estudantes ligados ao maoísmo se juntaram à polícia e fecharam as vias de acesso a várias cidades do país.

Não obstante, outra vez, o apoio popular a este governo permitiu que a mobilização de cidadãos de caráter nacional detivesse o golpe. Ao término da noite, milhares de cidadãos em todo país festejavam nas ruas de todas as cidades do Equador, a derrota do golpe da partidocracia.

Sem embargo, é preciso ressaltar o balanço geral dos acontecimentos:

– Fortalecimento do governo: poderá enfrentar melhor posicionado o cenário de um chamado a muerte cruzada”, para consolidar uma maioria legislativa que nos permita organizar melhor a agenda da Assembléia, com mais força.

– Oportunidade de reconstruir, sob tensão e com bases mobilizadas, a ferramenta política que hoje sofre uma distorção de separar os espaços de competência do Executivo e do movimento político. Se está trabalhando para a Conveção Nacional dos Movimentos do País, para 15 de novembro em Guayaquil, e esta situação ajudará a repotenciar a militância e a discussão democrática sobre o tema.

Abraços:
Jorge Estrella

Observação: A polícia equatoriana está infiltrada pela corrupção, e este é um dos elementos de insegurança que afeta a vida cotidiana dos cidadãos.

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