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Jean-Marie Pernot: “A evolução da opinião pública será crucial”

28/10/2010
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Jean-Marie Pernot, pesquisador do IRES (Institut de Recherches Économiques et Sociales), especialista em conflitos sociais 

Por que as manifestações não se desagregam?

 Este movimento é impactante por sua profundidade. Na terça-feira, a imprensa divulgou que havia 1.500 pessoas em Coutances, 300 em Hirson, 600 em Sarlat… Não é todo dia que isso acontece. Isso demonstra um mal-estar que vai muito além da questão da aposentadoria. A força desse amplo apoio popular permite que a mobilização se mantenha: há sempre bastante gente, mas não são sempre os mesmos. Nos revezamos nas ruas e nas greves. Cada um participa de acordo com suas possibilidades e suas escolhas de ação, em uma vontade geral de que o movimento continue.

 Esta não é uma greve na qual as refinarias vão substituir os transportes. Fala-se dos jovens, mas eu notei também cada vez mais pessoas de trinta e poucos anos nas manifestações. Estamos longe de ter apenas as bases tradicionais dos sindicatos. Os atos são representativos do país, como um “maio de 68”, mas sem uma grande greve, pois os trabalhadores atualmente não têm essa possibilidade.

   A votação no Senado e o feriado podem quebrar essa dinâmica?

 Não há nenhuma certeza em relação a isso. A recordação do Contrato de Primeiro Emprego (CPE) ainda está viva. Muitos trabalhadores e jovens acreditam que ainda é possível lutar contra uma lei após sua promulgação. O feriado também não é um grande obstáculo. Concretamente, poucos trabalhadores vão viajar nesse período. Isso será sobretudo um teste para as escolas secundaristas, mas se o movimento é tão sólido como eles dizem, deverá resistir sem dificuldades. Nem todos os estudantes viajam e eles continuarão em contato por mensagem SMS e pela Internet. Em 2006, o Executivo havia apostado nas férias de fevereiro para acabar com os ruídos anti-CPE. Não obteve sucesso.  

 O governo quer restabelecer a distribuição de gasolina. Esta é a chave do conflito?

Esta é uma alavanca central da ação sindical. A estratégia do governo é lógica. Contudo, restabelecer a situação nesse domínio não é simples, já é possível perceber isso. Além disso, proibir que certos trabalhadores façam greve é uma faca de dois gumes. Isso pode se virar contra o governo e provocar uma radicalização de outros conflitos, como o dos condutores de carro-forte, por exemplo. 

Como sair do conflito?

 

A situação é inédita e muito complexa. Nicolas Sarkozy fez um jogo político que parece impossível de ser recuado. No entanto, nem a CGT (Confederação Geral do Trabalho) nem a CFDT (Confederação Francesa Democrática dos Trabalhadores) podem sair do conflito nesse estado. A evolução da opinião pública será crucial. Se as manifestações radicais continuarem ou se acentuarem, as centrais sindicais vão perder uma parte do apoio. Se o presidente não ceder, a principal dificuldade será de organizar a retirada do movimento. Se essa transição for bem feita, os sindicatos sairão como vencedores, mesmo se as mobilizações não trouxerem nenhum resultado. Eles poderão argumentar que fizeram o máximo possível permanecendo unidos e responsáveis. A opinião pública ficará a seu favor e atribuirá a Nicola Sarkozy a responsabilidade das tensões no país. E ele, por sua vez, não vai ter conseguido acabar com as mobilizações.

(Fonte: Les Echos)

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