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Sobre as tarefas internacionais do PSOL

06/12/2010

Por Pedro Fuentes

Escrevemos este texto esquemático – apressados pelo tempo- com objetivo de informar alguns processos que estão acontecendo na América Latina e que tem uma vinculação com o desenvolvimento do mesmo PSOL. É especifico sobre nosso continente não entrando no riquíssimo processo europeu que está no centro da luta de classes mundial. Mas nosso continente não esta parado. Pelo contrario, a pesar de que não se fazer o ruído da Europa é aqui onde neste último período estão se desenvolvendo novas alternativas políticas com perspectivas – algumas delas – de se converter em alternativas de poder. É aqui onde de maneira mais direta temos possibilidades de acompanhar, convergir, e nos relacionar com processos similares ao do PSOL.  O seminário internacional de setembro 2008 foi um primeiro passo que permitiu estabelecer relações com setores fundamentais de vários países. Mas agora o panorama está ainda mais aberto. Isto não nega as dificuldades. Já que na America Latina temos também uma disputa com o PT que atua demagogicamente para mostrar uma cara “tercermundista”  e tem reativado o Fórum de São Paulo; sendo isto também um fator – não o único – para frear o chamado a uma nova internacional que fez Chávez no ano passado. Por isso temos também a tarefa de explicar porque o PT e o governo Dilma não são parte do processo que vive Latino América. Mas o importante é que temos um grande espaço de colaboração com processos novos.

1.  A política do PT e o lulismo para América latina

Nosso continente tem três tipos de governos: os independentes do imperialismo, (Venezuela, Bolívia, Equador); aqueles que são diretos agentes do imperialismo dos EUA, Peru, México, Panamá, Honduras, com alguns que estão correndo para o centro como é o caso da Colômbia com Santos o Piñera no Chile; temos os países como Brasil e Argentina e Uruguai que são dependentes do imperialismo embora as vezes tenham uma associação mais conflitiva com este por determinadas posturas, especialmente um certo jogo duplo com os países independentes.

Em efeito, frente à decadência dos EUA, o Brasil aparece como uma sub-potência que atua como um amortecedor dos países independentes. A política seguida pelo lulismo de posturas de uma relativa independência dos EUA, faz que o PT por meio da Secretaria de Relações Internacionais com Walter Pomar, faz parte de uma certa reativação do fórum de São Paulo, utilizando-lo como uma lavadora para limpar a cara de sub-pontencia, aparecendo como “latinoamericanista”, lembrando que se opondo as projetos mais radicais como foi o chamado do Chávez para formar a quinta internacional. O seja um foro de São Paulo sem o caráter de aglutinador de grandes movimentos –alguns deles independentes, como foi na década do 80-90.

Tem também outro setor atuando na America Latina que tem relação com o bolivarianismo e com Evo que é o MST. Mas o MST e a “Vía Campesina” promovem uma coordenação de movimentos sociais que deixa por fora importantes processos políticos.

Estas são algumas dificuldades para que avance na America Latina uma coordenação antiimperialista e anticapitalista conseqüente. Mas não são as únicas. O chamado a “quinta internacional”, de Chávez, ficou no papel, entre outras coisas porque embora os governos independentes tenham uma relação de certos conflitos com o lulismo são também pragmáticos com o Brasil. Estes países especialmente Chávez, transformam as necessárias relações entre estados em relação política com seus partidos. É uma política exterior pragmática; se a relação entre governos é justificável como política de relações entre estados, o apoio político que dão a Lula e a Cristina Kirchner, por exemplo, faz com que não apóiem ou vacilem em apoiar a construção de novas alternativas. (Embora Evo tenha uma política diferenciada é o que acontece, por exemplo, com Chávez e o PSOL).     


2.  O Aprofundamento do bolivarianismo e novos processos

 

O fundamental na America Latina, é que o signo dominante é de avanço com contradições, de acumulação de experiências por parte de setores de massas e inclusive de novos processos.

A existência de uma capa burocrática no aparelho estatal, é a causa principal do impasse na Venezuela; mas falamos que o signo é positivo porque continuam as nacionalizações e surgem experiências importantes de controle operário nas mesmas. Por outro lado temos a  derrota do “semigolpe” no Equador que levou a uma radicalização e fortalecimento do processo.

Temos uma acumulo de experiências que vão se fazendo nesses países e na America Latina como um todo. Conhecemos algumas delas das quais podemos falar. A formação da frente oposição de esquerda a Kirchner na Argentina com Pino Solanas como candidato a presidente, o fortalecimento da resistência hondurenha, Alternativa Popular no Panamá, do processo do  Partido Nacionalista Peruano, da tentativa de agrupamento anti-burocrático em Venezuela, da formação da Assembléia Popular no Uruguai de setores ex-Tupamaros, da TR (Tendencia Revolucionaria) em El Salvador, que nucleia a velhos dirigentes do FMLN (Frente Sandinista Farabundo Matí de Liberação Nacional) se transformando-se em partido político pelo curso direitista do governo Funes, a “Frente Camañista” da República Dominicana.  Destes processos tal vez o mais importante seja o FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular) de Honduras.


3. Na Argentina, Pino Solanas   

Pino Solanas, cineasta e candidato da esquerda à presidência Argentina

 Neste país está se concretizando uma frente uma terceira via eleitoral antiimperialista e democrática sobre a candidatura presidencial de Pino Solanas, integrante do Projeto SUR, que agrupa diferentes forças políticas. O MST, Libres del Sur, força política que rompeu com o Kirchnerismo, o Partido Socialista Autêntico, setores importantíssimos da CTA. Se no “argentinazo”, em 2001, não houve uma alternativa de massas agora esta avançando neste sentido. As pesquisas dão de 10 – 12 % de intenção de voto para Solanas, com muitas possibilidades, para a Frente, de uma grande eleição para a prefeitura de cidade de Buenos Aires. Se a presidente Kirchner tem uma política relativamente semelhante à de Lula, essa frente está muito próxima da política que o PSOL defende. Uma frente ou aliança entre alguns setores que, sem ser socialistas, têm mostrado na luta prática uma política antiimperialista e democrática em conformidade, e o MST partido da esquerda socialista revolucionaria. O lançamento da candidatura de Pino Solanas será no dia 07 de dezembro em Bueno Aires.

O que falam os protagonistas.

Livres del Sur é uma força política com peso nos “piqueteros” e que tem também deputados nacionais.  Sua declaração com Pino entre outras coisas fala o seguinte:

Por que Pino Solanas (extratos do chamado de “Libres del Sur”) Humberto Tumini

“Ou neoliberalismo da década de 90 foi finalmente derrubado e seus responsáveis duramente confrontados perante a sociedade e a história. Como aconteceu desde que somos nação, nosso povo resistiu, levantou-se e jogou aos “entreguistas”. “Que se vayan todos, disse sabiamente”. Sentença não obstante de não simples cumprimento em nosso país onde de tempos imemoriais os fugitivos da política são hábeis para trocar de cor e permanecer no manejo da coisa pública.

A primeira tentativa de trocar algo para não trocar nada, tivemos na transição conduzida pelo então senador Eduardo Duhalde, escorada pelo Justicialismo e sua “liga de governadores”. Leram mal o que acontecia no país e com dois jovens mortos sobre suas costas tiveram que ir-se com o rabo entre as pernas.

Chegou então Néstor Kirchner. Montado sobre a onda de repúdio a direção tradicional…. Disse por exemplo reivindicar a luta pelos DDHH e cumpriu; que acabariam as relações carnais com os ianques e que a partir de então olharíamos para nossa região, e cumpriu. Também que não reprimiria o protesto social e assim foi. Manifestou que sairíamos de um sistema econômico de especulação para voltar para um de produção, e podemos dizer que em linhas gerais não mentiu; como tampouco em que não se esfriaria a economia, receita habitual dos liberais, e foram criados muitos postos de trabalho.  Expressou que não podia haver qualidade institucional com a Corte Suprema Menemista, e a substituiu por outra digna.

Agora bem, isso era suficiente arranca com isso as marcas deixadas no país pelo neoliberalismo?  argumentava-se – e ainda sustentam isso, 7 anos depois, uma boa quantidade de pusilânimes que formam parte do kirchnerismo-  que o dano era profundo e que não era possível avançar rápido porque os inimigos conservavam muito poder.

As condições econômicas e políticas mundiais sopravam a favor dos projetos nacionais, no curto e médio prazo. A UCR estava em absoluta crise e ao PJ o colocamos em terapia intensiva em outubro 2005. Como que não havia condições para avançar para outra Argentina? Não quiseram, tinha outro projeto de país Kirchner, essa é a verdade que não branqueou nunca. Pretendia trocar algumas coisas do modelo dos noventa, efetivamente, mas a outras -fundamentais- ia dar continuidade.

Não estava no projeto kirchnerista modificar a concentração econômica nem tampouco sua extranjerização , as cifras de ambas as variáveis a sete anos de governo são definitivas.  Por isso não tocaram o regressivo sistema impositivo. Pretendiam que se fizessem mais eficientes as grandes empresas -incluindo as agrícolas- para poder inserirem-se na economia mundial; também tentar agregar valor às exportações. Mas sempre falando de grandes corporações; com pretensão de armar entre elas alguma nova e amiga, por caminhos questionáveis.

Não se propuseram a recuperar os recursos naturais estratégicos privatizados como o gás e o petróleo, nem nacionalizar -ou controlar embora mais não seja- os que se foram valorizando rapidamente, como os da mineração; dali que não tocassem as leis respectivas do menemismo. Esses lucros extraordinários os concebiam para fortalecer aos grandes grupos econômicos.

Este modelo promovido pelo kirchnerismo, em um novo contexto internacional, embora não fosse uma continuidade do neoliberal das décadas passadas, e conteve aspectos reivindicáveis, em definitivo e andando os anos foi se mostrando como um onde as grandes corporações têm o papel preponderante e mais dinâmico.  Assim, produto de seus enganos, mas particularmente de suas limitações políticas e ideológicas, estamos chegando ao final deste ciclo kirchnerista, tendo perdido uma grande oportunidade de construir uma Argentina distinta. Mas também chegamos a atualidade com todas as possibilidades nacionais e internacionais para voltar para a carga com nossos sonhos. Por isso Pino

Cartaz do filme de Pino Solanas "Memórias do Saqueio"

 O desafio é grande, a batalha, não duvide, será dura. O establisment está se lambendo.  Transformar nossa pátria em um sentido de progresso, de justiça social, de soberania e de verdadeiro federalismo, requer tomar as rédeas pisando nos calos dos capitalistas; recuperar e controlar os recursos naturais estratégicos, e de um papel ativo do Estado na economia, mais ativo que o dos monopólios. Necessita que terminemos com a corrupção enviando aos corruptos para a cadeia, não a sua casa; e que democratizemos esta democracia. É necessário também que continuemos e aprofundemos a unidade latino-americana.

Nada disso será possível sem construir uma nova força política. Pino Solanas Presidente. Essa é a bandeira com a que convocamos a trocar a pátria em favor das maiorias. É a que renova os velhos estandartes de soberania, dignidade e federalismo. É a que nos diz: democratizemos a fundo, com o povo participando e cuidando nossa terra. É o chamado a nos organizar para a batalha por vir. É a que nos diz: podemos transformar a Argentina.                                                                        Buenos Aires, 22 de Novembro 2010”

 O MST, “Movimiento Socialista de los Trabajadores”, que é uma organização trostkysta  está jogando um papel ativo nessa política. A política eleitoral do MST é uma continuação da política sindical que tinham quando ingressaram no CTA (uma corrente sindical que agrupa muitos funcionários públicos) e torná-la um bloco forte, com os setores que são independentes do governo de Cristina Kirchner. Isso levou a fortes críticas da extrema esquerda, que em nome do socialismo ficou à margem desse processo.

Artigo de jornal do MST “Alternativa Socialista”.

“Pino Solanas 2011” 

Por Alejandro Bodart, direção do MST

“Durante vários meses, temos trabalhado em conjunto com os companheiros do Projeto Sur para uma integração de nossas forças em um único movimento. Nas últimas semanas demos um importante passo na formação de uma agenda política conjunta a nível nacional. O mesmo processo de convergência está acontecendo nas províncias, e em algumas, como Chubut e Salta, onde adiamos as eleições para os primeiros dias do próximo ano, já estamos trabalhando juntos para apresentar a melhor alternativa possível frente às estruturas dos velhos partidos.

Com a morte de Nestor Kirchner foi necessário adiar o lançamento oficial da candidatura de Pino para meados de dezembro. Mas o antigo bipartidarismo no que mergulhou a Argentina já é representativo de uma mudança real e imperativa.

Para o nosso partido, Pino é sem dúvida o melhor candidato para 2011 e o único que pode permitir a unidade da maioria das correntes políticas e sociais que se encontram à esquerda do governo de Cristina. Ao mesmo tempo é quem pode refletir a amplitude necessária para reunir os setores independentes que estão procurando uma alternativa distinta dos velhos partidos do sistema.

Junto a isso, a candidatura de Pino é também uma oportunidade para pôr de pé um movimento abrangente e unificador que transcenda as eleições. Um movimento onde seja possível a coexistência de correntes com tradições diferentes a partir da construção de um programa e uma identidade comum.

A crise do kirchnerismo e da oposição de direita deixou um grande vazio político. A candidatura de Pino e a possibilidade de articular um grande movimento nos colocam diante da oportunidade histórica de construir um instrumento com peso de massas, com a força necessária para causar mudanças fundamentais e colocar o país em conformidade com processos mais avançados da América Latina.

Embora atualmente as correntes que estão trabalhando a candidatura de Pino e um projeto mais em longo prazo sejam o Partido Projeto Sur, o Partido Socialista Autêntico, Livres do Sul e Buenos Aires Para Todos, e com todos eles estamos começando a convergir para nosso partido o MST e outros grupos menores, é essencial ampliar a unidade para outros setores.

É incompreensível, por exemplo, que a corrente política nacional encabeçada por Victor De Genaro e um setor do CTA ainda não tenha decidido se unir ao movimento que impulsiona a candidatura de Pino. Esta será a proposta que nossos companheiros inscritos no CTA levarão às diversas reuniões da Constituinte Social, previstas para os próximos meses.

Seria também muito importante a participação do PCR e do CCC, se eles tomarem a decisão política de intervir na próxima batalha eleitoral. Bem como a de todos os setores políticos e sociais que vêem a necessidade de se unir para começar a construir uma alternativa que rompa com o denuncismo e se proponha a governador e levar adiante uma série de mudanças estruturais. Começando com a recuperação de nossos recursos naturais e das empresas privatizadas, a suspensão do pagamento da dívida externa, a aplicação de pesados impostos sobre o lucro das grandes empresas e corporações na cidade e no interior, e uma série de medidas que nos permitam aumentar qualitativamente os salários, as pensões e a assistência social aos setores mais vulneráveis, juntamente com os orçamentos de saúde, educação e a implantação de projetos de obras públicas que são necessários para dar emprego, construir  casas e solucionar os grandes déficits de infra-estrutura que atinge o país.

Infelizmente um setor da esquerda, longe de promover uma alternativa ampla e unificada, como a que se começou a construir, vem intensificando seu sectarismo e sua auto-proclamação. Somam suas vozes as do governo e as da direita para atacar a única alternativa, real e com peso de massa, ao bipartidarismo.

De nossa parte, além de somar todas as nossas forças e recursos nessa perspectiva, convidamos a nos acompanharem todos os companheiros que têm trabalhado nos sindicatos ou na sociedade, na juventude ou nos bairros. Estamos convencidos de que a luta por reivindicações concretas é fundamental, assim como a organização para retirar a burocracia e as velhas direções em cada uma das organizações sociais. Mas, ao mesmo tempo também estamos conscientes de que se essa luta não está vinculada à luta política para conquistar o governo, para o qual é necessário construir uma alternativa de massas, cada vez será mais difícil atingir e manter cada conquista parcial. Em função dessa grande ferramenta política que precisamos construir, convidamos você a trabalhar com a gente sobre a candidatura de Pino em 2011.”

A formação desta frente na Argentina pode ter repercutir positivamente no Uruguai e no Chile, na medida em que são países de uma estreita ligação política. No Chile está acontecendo uma greve na mina do Cobre mais importante do país que dura mais de um mês e com uma direção que está chamando a nacionalização das minas de cobre que são as mais importante em todo o mundo. Por sua parte no Uruguai crescem as críticas ao governo de Mujica, já houveram mobilizações estudantis contra medidas do mesmo, e existe – como falávamos a cima – o Movimento da Assembléia Popular. Vinculado aos ex-Tupamaros do 26 de março.


4. O progresso do novo bloco “Juntos” dentro do PNP (Partido Nacionalista Peruano) 

Ollanta Humana, candidato da esquerda à presidência do Perú pelo PNP

 No Peru tem acontecido inúmeras greves de trabalhadores – educação e mineiros – e levantes das frentes regionais ou departamentais. O PNP (Partido Nacionalista Peruano), liderado por Ollanta Humala, aparece como uma alternativa para as eleições do ano próximo. Frente a uma ofensiva do setor mais conciliador com a burguesia do PNP, tomou força o agrupamento “Juntos”, onde tem convergido diferentes forças, que ao mesmo tempo em que reivindica fortemente a candidatura de Humala, se opõem aos métodos caudilhistas que se encontra num setor do PNP e a política de alianças com outras forças, que descaracterizaria o caráter nacionalista do PNP. Este bloco fez um pronunciamento público que apareceu na imprensa em todo o país, assinado por dezenas de líderes sindicais, líderes estudantis, diversos deputados da bancada do PNP e setores e organizações políticas do PNP, como o Partido Socialista Peruano. Um dos setores mais importantes de Juntos é a organização trotkysta “La Lucha Continúa” que tem forte peso no movimento estudantil, – dirige sete Federações Estudianties, e que conta como hegemonia na juventude do PNP-. Num congresso da da juventude do PNP com 350 delegados, essa juventude foi legalizada pela direção do partido. Isto além de tudo é importante porque a legislação e o estatuto do PNP contemplam que 20% dois candidatos tem que ser da juventude.

O primeiro editorial do jornal chamado Juntos, e cujo diretor é Tito Prado de LLC, afirma em seu editorial a política de Juntos

Editorial de Juntos.

“Em meados de junho publicamos nos jornais de circulação nacional o comunicado JUNTOS! PELA GRANDE TRANSFORMAÇÃO. O propósito que incentivou tal iniciativa foi a de ampliar a base de apoio social e político ao projeto de transformação que encabeça o Partido Nacionalista Peruano (PNP) e Ollanta Humala.

O resultado não poderia ter sido mais animador. Rapidamente assinaram a declaração mais de 100 líderes de associações nacionais, tais como mineração, petróleo, energia, agricultura, educação, serviços bancários, estudantes, além de intelectuais e profissionais, bem como parlamentares e líderes do PNP, que incentivaram a busca de novos apoios.

O caminho está pavimentado para iniciativas de maior envergadura, que ajudem a organizar uma grande aliança ou uma grande frente única para a grande transformação necessária para atingir a vitória em 2011.

A polarização de 2006 se repetirá novamente. De um lado os candidatos do sistema, que com caras novas e o indisfarçável apoio do presidente, procurarão garantir a continuidade do modelo neoliberal, em cuja sombra a corrupção prospera. Do outro lado, o projeto de mudança levantado pelos nacionalistas, que deve instigar o apoio de todos os setores democráticos, liberais e de esquerda.

Toda a máquina estatal se movimenta para impedir a vitória de Ollanta Humala. García Pérez já disse e repetiu em Nova Iorque, na passagem do Milênio: seu modelo deve continuar a qualquer preço. Isto irá reunir cães e gatos. A mídia, os grandes empresários da CONFIEP, o Cardeal Luis Cipriani e os partidos tradicionais como o APRA. Também a Casa Branca e as grandes multinacionais colocarão os seus, como já o fizeram em 2006.

Foi dito que funcionará novamente a frente única contra Ollanta, por isso precisamos apresentar uma frente de todo o povo para enfrentá-los.

Temos que comprometer todos os setores populares nessa tarefa: os povos indígenas, os movimentos regionais, os trabalhadores da cidade e do campo, a classe média, estudantes e setores populares. Devemos começar com líderes mais representativos: Pizango, Arana, Huamán, Villarán, etc. Tornar viável essa confluência é a maior responsabilidade que temos pela frente. Pelo menos da nossa parte deve ser muito claro o que queremos.

Poderíamos ter aproveitado melhor as eleições municipais e regionais para avançar nessa direção. Infelizmente, a incompreensão do que estava em jogo e a ausência de uma estratégia clara da frente única colocou o partido na defensiva. (Refere-se ao PNP não ter participado com política nestas eleições e nos últimos momentos decidiu votar em Lima em uma candidata independente, que ao final ganhou). Agora temos que reverter esse erro e humildemente voltar ao caminho da unidade.

Fazemos bem em optar por um gesto unitário nas eleições municipais de Lima, mas ainda há muito a ser feito. Deverão ser convocadas especialmente todas as organizações sociais e sindicais começando pelos setores que estão em luta, como os trabalhadores das empresas públicas que se mobilizam para evitar novas privatizações ou as Frentes Regionais, que anunciam novas ações contra o cosmopolitismo e a corrupção.

Os povos de Convención e Espinar, na região de Cuzco, marcam o caminho. Temos que derrotar o governo e seu modelo nas urnas e nas ruas. Essa é a chave para a vitória.”


5. Em Honduras está colocado que a FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular) se construa como uma  alternativa de poder eleitoral

 

 Da America Central não estamos em condições, hoje, de relatar a situação concreta do Panamá e de El Salvador, mas queremos, de forma sintética, relatar a situação da resistência hondurenha.

A FNRP realizou um congresso com delegados de todos os departamentos do país que foi um sucesso. Quase se conseguiu a unificação entre um setor do partido liberal que se mantém firme na resistência com o bloco popular que agrupa as organizações sindicais e populares da qual o principal dirigente é Juan Barahona.

Ao mesmo tempo foi eleita uma coordenação da qual o presidente é Zelaya e o secretário-geral é Juan Barahona, membro da “Tendencia Revolucionaria” e o dirigente sindical mais destacado que tem ótimas relações com que tem ótimas relações com o PSOL.

Houve um importante debate na direção do FNRP sobre a participação eleitoral que também esta sendo discutido nas assembléias da FNRP. Um setor majoritário do qual faz parte a TR coloca corretamente que o FNRP tem que se organizar para participar de processos eleitorais. Um setor minoritário formado pelo PST (vinculado ao PSTU) e outros pequenos grupos semi-anarquistas,rejeitam essa política afirmando que o FNRP tem que ter um chamamento a greve geral insurrecional.

No dia 26 de fevereiro acontecerá um congresso do FNRP para o qual a Secretaria de Relações Internacional do PSOL foi convidada. A linha da FNRP de incorporar a luta da resistência na participação eleitoral é muito correta, já que na medida em que não exista – é muito difícil que aconteça – um processo de insurgência de massas o FNRP tem que dar a batalha política eleitoral para converter-se na alternativa de poder.


6. Possibilidades do surgimento de uma corrente radical antiburocrática no PSUV

 

 Para grande parte dos militantes do PSUV o resultado das eleições parlamentares realizadas há um mês e meio foi uma derrota do projeto Bolivariano. Ainda que Chávez tenha ganho a eleição, o objetivo de ter dois terços da Assembléia Nacional não se alcançou. Desta maneira o governo, a partir do ano que bem, não poderá votar leis de reformas constitucionais e portanto, o governo teria uma trava maior para avançar na perspectiva das nacionalizações e novas medidas que fortaleçam o processo nacionalista e independente em curso. 

O mesmo resultado fez com que um setor do PSUV, que inclusive tem militantes que atuam em postos governamentais e um deputado da Assembléia Nacional fez uma convocatória pública para a formação de um Bloco de Esquerda no PSUV, que embora reivindicando a liderança de Chávez, tem o projeto de lutar contra a burocracia e pelo aprofundamento das medidas socialistas. “Marea Socialista”, que participou do seminário internacional que fizemos também coloca esta tarefa como fundamental.

Antes mesmo das eleições, MAREA SOCIALISTA em frente única com outros setores da UNT, especialmente o setor dirigido por Marcela Máspero, avançou em tomar importantes iniciativas sindicais para fortalecer a central sindical bolivariana. O resultado foi a revitalização da UNT.

No movimento operário está acontecendo um rico movimento de luta e conquista do controle operário ai donde as empresas são nacionalizadas. Esse processo avança em setores economicamente importantes; a siderurgia, a alimentação, eletricidade, lugar onde os trabalhadores deram uma batalha política e já conquistaram o controle operário.

O desafio que está colocado é grande. Num certo sentido é similar ao do Peru; desenvolvendo uma política que não seja romper como o chavismo, sem cair no sectarismo, construir uma corrente que combata o aparato instalado no PSUV e no governo.

Eduardo Samán, ex-ministro de economia responsável por uma séria de nacionalizações na indústria de alimentos e Iris Varela Deputada de Táchira na Assembléia Nacional, líder feminina reconhecida do Bolivarianismo, também fizeram o chamado a construir essa nova corrente. Todavia, não sabemos os resultados desta política já que haverá de se enfrentar com um certo protagonismo individualista, e talvez as pressões sectária e a do aparelho do PSUV. Mas que é evidente é que as condições estão dadas.

Reproduzimos trechos de uma entrevista com Eduardo Samán.

“Vamos construir a Corrente Radical Socialista do PSUV para retomar a luta contra a exploração capitalista”

Poucos dias depois das eleições do dia 26 de setembro começou um debate sobre as causas da perda de 1 mihão de votos revolucionários e as lições que deveriam ser tiradas para fortalecer o PSUV. Uma das vozes que se fizeram escutar foi a de Eduardo Samán, que concedeu a entrevista ao jornal Luta de Classes.

LC: Tem gente dizendo que você passou para as fileiras da oposição? Isso é correto?

ES: Não, de forma alguma. Quem tem falado isso é gente que teme as posturas que afirmou. Fui revolucionário durante toda a minha vida e sigo na luta pelo socialismo, ao lado do presidente Hugo Chavez Frias. Na verdade os que difundem tais calúnias tem medo de que a corrente radical que estou propondo tome força no PSUV. Temem nossas idéias políticas.

LC: Qual foi a resposta das bases do PSUV ao seu chamado político?

ES: Foi impressionante a quantidade de comentários positivos. Recebi muitas chamadas telefônicas, mensagens de textos, E-mails, escritos via twitter,  Facebook, Aporrea. A grande maioria me felicitando pelas entrevistas e pela proposta de lançamento da corrente. Nota-se que existe uma efervescência no Partido. A criação de uma corrente radical estava na imaginação coletiva de muitos camaradas, porém que não havia vindo a tona. De imediato se identificaram com a proposta, porque é uma necessidade inerente na própria situação pela qual a revolução está passando.

Em primeiro lugar são os grupos de trabalhadores, grupos de estudantes, grupos de artistas no setor cultural, grupos de militantes de base do PSUV. Todos são revolucionários, lutadores deste processo, entretanto, estão preocupados por conta da burocratização. Querem lutar contra a “quinta coluna”, a quem responsabilizam pelos tropeços que estamos sofrendo.

Também recebi muitos convites para debates e reuniões destes coletivos para debate esta proposta e fortalece-la, somando seus próprios aportes. Na realidade, eu não sou mais do que um porta-voz ou quem sabe, um interlocutor. Tive contato com gente de todo o país que confirma essa certeza. Há grupos de base do PSUV em Lara, Falcón, Táchira, Anzoátegui, Caracas, Miranda, Aragua, entre outros, que manifestaram seu apoio.

Longe de dividir o partido, a proposta da corrente está unificando o partido, no sentido de que podemos unir os militantes que estão preocupados ou inclusive descontentes, que poderiam cair no discurso da desmoralização e abandonar a política de uma vez por todas. Podemos evitar uma erosão no partido.

LC: Quais os princípios da Corrente Radical?

 ES: Todavia estamos em pleno debate, ainda não temos um programa acabado. Posso falar da minha visão: a Corrente deve ser uma Corrente Radical Socialista. Agrego “socialista” pois é importante assinalar que somos parte do PSUV, o Partido Socialista- e de outra parte, que não temos nada a ver com a Causa R (grupo ex-socialista que passou para o campo dos “esqualidos”). Que nossa corrente seja radical não quer dizer que seja extremista. Nós não estamos a favor do extremismo ou do fundamentalismo, nem de nada pelo estilo. Simplesmente estamos preocupados pelo destino da revolução e queremos impedir o avanço da direita.

Nosso princípios são os princípios do PSUV, inscritos no programa e nos estatutos acordados pelos congressos do Partido e a filosofia marxista. O que deve ser feito é defender e recuperar a verdadeira essência dos princípios e da revolução bolivariana: a luta contra a exploração capitalista. Na realidade a corrente vai servir para impedir desvios deste objetivo.

Estamos contra a corrupção e a burocratização, por suposto, porém este não é todo o problema. O problema é que não existem definições socialistas. Temos que retomar a bandeira das definições socialistas, é dizer que se tomem medidas para melhorar a vida do povo, e contra o domínio os banqueiros, os capitalistas e os parasitas.

 

7. Em América Latina há um desenvolvimento desigual e combinado do qual o PSOL é parte

Se compararmos a situação destes países com a do Brasil, podemos deduzir que, em nosso caso, a situação é mais atrasada. Isso acontece porque o Brasil conseguiu uma alta estabilidade do regime democrático-burguês graças ao crescimento econômico e o papel que passou a jogar Lula e o PT nos 8 anos de governo. De todas as formas nem tudo é desigualdade; senão que há também combinação. Essa combinação se dá pelo lado subjetivo, pela existência do PSOL. Apesar da situação da luta de classes no Brasil, o PSOL é um fato político do país frente à degeneração do PT e em certa medida um pólo e um modelo em relação ao processo latino-americano.

Essa defasagem em que se encontra o Brasil em relação aos processos mais dinâmicos coloca ao PSOL frente a necessidade de estar vinculados e participar neles, não somente porque assim temos que atuar como internacionalistas, senão porque isso nos permite enriquecer a própria militância e política do PSOL. Esta é a principal tarefa internacional do CE a través da Secretaria de Relações Internacionais. Evidentemente que temos que estar em contato com todos os processos europeus, seguir a situação dos EEUU, mais aqui há um frente de trabalho bem concreto. Aqui estão às condições para avançar em uma coordenação concreta de todos estes processos, disputando ao mesmo tempo r à influenza que pode ter sobre alguns deles o Foro de São Paulo.  Da mesma forma que na Europa avançam as reuniões da Esquerda Anticapitalista que agrupam diferentes países, aqui temos que desenvolver essa coordenação Anti-Imperialista e Anticapitalista continental.

Nosso partido está preparado para isso. Tem acumulo suficiente, o Seminário Internacional, os diferentes viagens realizados para participar em Seminários ou seguir processos da luta de classes. O fato de que tenhamos perdido a influenza eleitoral alcançada com HH foi um recuo mais não perdemos nossa marca; o progresso de nosso partido segue sendo fundamental e muito ligado a esta perspectiva internacional em particular Latino Americana.

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