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A ira do Egito se volta contra amigo íntimo do filho de Mubarak

08/02/2011
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Por KAREEM FAHIM, MICHAEL SLACKMAN e DAVID ROHDE – 6 de fevereiro de 2011

CAIRO — Enquanto os egípcios voltavam seu ódio contra símbolos do Estado no fim do mês passado, incendiando delegacias de polícia e a sede do partido de Hosni Mubarak, reservaram uma raiva especial para um edifício berrante com vidros fumê pretos em um bairro de classe alta, o incendiando três vezes. 

Egípcios na frente dos escombros de um imóvel saqueado no Cairo, que pertencia a Ahmed Ezz, uma das principais figuras do Partido Nacional Democrático.

 Ele pertence a um magnata do aço e membro do partido que está no poder chamado Ahmed Ezz, um amigo íntimo e confidant do filho de Mubarak, Gamal. Por muitos anos o Sr. Ezz representou a intersecção entre dinheiro, política e poder, controlando dois terços do mercado de aço, liderando o comite orçamentário como membro do parlamento e servindo como oficial e tenente leal do partido do governo. O ressentimento do público com a riqueza adquirida pelos políticos podereosos ajudou a impulsionar o levante já alterando os contornos do poder ao longo do Nilo.

O mundo de Sr. Ezz se desmoronou. Ele é tratado como um passivo por uma tentativa antiga de se salvar de manifestantes furiosos. Está sob investigação por suspeita de corrupção. Seus bens foram congelados e seu direito a viajar  retirado. Ele negou as acusações de corrupção no passado e sua localização era desconhecida no domingo. No momento, seu nome é parte dos gritos de protesto na praça Tahrir, um símbolo de tudo que estava errado com o governo de Mubarak.

“Ahmed Ezz suga o sangue do povo,” disse Osama Mohamed Afifi, um estudante que se uniu aos manifestantes da praça no domingo: “Ele é o único homem que pode vender aço em todo o egito, e vende muito mais caro do que pudessemos comprá-lo de mais alguém, como a China.”

O Egito de Hosni Mubarak funciona há muito tempo como um Estado no qual a riqueza compra poder político e poder político compra riqueza. Enquanto informações objetivas são difíceis de encontrar, O egipcios que viram o ascenso das classes altas  acreditam que a corrupção e o apadrinhamento são endemicos, representados no olho do publico por um grupo de executivos ricos ainhados com Gamal Mubarak, o filho do presidente, assim como com ministros chave e membros do partido do governo.

“As pessoas em torno de Gamal se tornaram o grupo mais rico do país,” disse Hala Mustafa, um cientista político que saiu do partido do governo há anos, afirmando que este não estava comprometido com a reforma política.“Eles monopolizaram tudo.”

Enquanto o Produto Interno Bruto do Egito cresceu, a porcentagem da população pobre fez o mesmo. Rumores de propinas e corrupção se disseminaram. Existem estimativas de bilhões de dólares da riqueza do presidente e de sua família, mas expertos dizem que são suposições infundadas.

Uma ligação de 2006 obtida pelo WikiLeaks descrita num relatório de 274 páginas por um grupo de oposição política detalha as acusações de corrupção, a esposa do presidente, Suzanne, bem como à Gamal Mubarak, e seu irmão, Alaa, um empresário. A ligação, do embaixador americano no Cairo, Francis J. Ricciardone, observou que as acusações não são comprovadas, mas chamou o relatório de evidência da  crescente indignação pública.

“Os egípcios estão se tornando cada vez mais vocais com relação a questões sensíveis apesar de uma possível reação do governo”, ele apontou.

Os Mubaraks possuíam uma moradia de cinco andares em 28 Wilton Place no bairro chique de Knightsbridge em Londres, que serviu como base para a Sra. Mubarak e como casa para Gamal Mubarak quando ele estava trabalhando em Londres como um banqueiro de investimentos. Um agente imobiliário local, disse que as casas da área haviam sido vendidas, nos últimos anos, por entre US$ 10 milhões e US$16 milhões.

Na semana passada, uma mulher que atendeu a porta da frente do No. 28 afirmou que os Mubaraks haviam vendido a casa de campo, mas agentes imobiliários afirmaram que não houve registro de nenhuma venda, e os vizinhos afirmaram ter visto Gamal Mubarak e sua família entrando na casa diversas vezes nos últimos tempos. ]

Sr. Ezz, em seus ternos italianos apertados, se tornou o membro mais conhecido e odiado do grupo em torno de Gamal Mubarak.

Seu pai era um comerciante de aço e sua mãe era proprietária de terras em Gaza. Sr. Ezz cresceu com bastante dinheiro, mas não rico, de acordo com Ali Moussa, um empresário e membro do partido do governo, que conhece o Sr. Ezz desde que ele era uma criança. Os negócios de aço da família cresceram no início de 1990, durante um período de mudanças econômicas, quando o governo egípcio, sob o comando do Fundo Monetário Internacional, procedeu uma reestruturação radical da economia do país.

No papel, as mudanças transformaram um sistema econômico quase totalmente controlado pelo estado em um mercado livre, predominantemente. Na prática, porém, uma forma de capitalismo de compadrio surgiu segundo especialistas egípcios e estrangeiros. Bancos controlados pelo Estado atuaram como dignitários, concedendo empréstimos às famílias que apoiavam o governo, mas negando crédito a empresários que não tinha o pedigree político correto.

Kareem Fahim relatou do Cairo, Michael Slackman de Berlin and David Rohde de New York. O relato foi aportado por John F. Burns, de Londres, e Mona El-Naggar, D. David Kirkpatrick e Liam Stack do Cairo.

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