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Sobre o Congresso do NPA (Novo Partido Anti-Capitalista da França)

27/02/2011
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  O PSOL esteve presente no 1º Congresso do NPA (Novo Partido Anticapitalista da França) com uma delegação composta por Ivan Valente, Afrânio Boppré e Pedro Fuentes – única delegação brasileira. Para nossa delegação, realizamos importante tarefa com o estabelecimento de relações políticas internacionalistas e a ampliação do conhecimento sobre a atual situação francesa. O PSOL também esteve presente no Congresso de fundação do NPA acerca de dois anos atrás quando foi representado por Luciana Genro, Luiz Araújo e Pedro Ruas.

 Desde já queremos registrar que nossa delegação foi muito bem acolhida e marcamos uma forte presença.

O NPA é uma iniciativa que gerou grandes expectativas na Europa, uma vez que se predispõe a construir um partido socialista anticapitalista amplo, um partido que faça a disputa pelo movimento de massas, localizado à esquerda do Partido Socialista. Eles surgem precisamente quando se abre um espaço a esquerda para construir uma nova alternativa. Uma situação semelhante a do PSOL e da política brasileira.

Já antes de sua constituição, Olliver Bensancenot, que é a figura pública mais destacada, tinha conquistado, como candidato da LCR, votações expressivas levando-os a construir esta nova organização como elemento de aglutinação.

Na Congresso de fundação participaram, além da LCR, setores da esquerda marxista interessados no projeto, correntes provenientes de outros partidos como Lutte Ouvrier e outras frações trotskystas. Mas o fundamental é que a criação do NPA alcançou 10 000 filiados sobre uma plataforma anticapitalista. Este congresso de fundação foi um grande êxito.

 O Congresso atual aconteceu num momento particular da vida do partido. O NPA vinha de um mal resultado eleitoral nas ultimas eleições. Obteve menos votos que um novo partido surgido em pouco tempo denominado Partido de Esquerda. Este partido, criado por Melangemont, com muita presença na mídia e pouca na militância cotidiana, parece ter sido uma manobra do regime para dividir o espaço a esquerda e evitar o constante crescimento que vinha tendo o NPA. A manobra deu resultado já que o NPA baixou muito sua votação anterior, o que provocou uma crise no NPA que tem se expressado neste primeiro Congresso.

 O Congresso teve três agrupamentos, ou tendências, significativas. Tendência (1), com 41% dos delegados; tendência (2), com quase 29%; tendência (3), com 28%; e mais uma quarta tendência formada por uns 3 ou 4% dos delegados, muito similares e com vinculações com a Liga Operária do Brasil. Ao final do Congresso a eleição da direção resultou nas mesmas proporções.

 Em nossa opinião, a atividade mais entusiasta e unitária do Congresso foi um ato ao fim do primeiro dia com a participação de uma camarada da Liga da Esquerda Operária da Tunísia, um representante do Partido Comunista Operário da Tunísia e dois representantes de movimentos democráticos de exilados do Egito na França.

O ato foi empolgante pois aconteceu no dia anterior à queda de Mubarak. Foi uma boa demonstração do caráter internacionalista do NPA.

 Brevemente damos nossa impressão sobre o debate, sem perder de vista que o fundamental para nós não é a análise de cada corrente, nem o nosso apoio a uma ou a outra, mas sim um relacionamento com o conjunto do partido e sua direção, sem entrar nem tomar posição em seus debates internos. Embora possamos e temos que ter opiniões que também sejam úteis como experiência para continuar com a construção de nosso partido aqui no Brasil e com nossa relação fraternal com a direção do NPA.

Tivemos a impressão que todo o debate foi bastante abstrato e polarizado. Achamos que no interior do NPA existe um setor de militantes que reagem no debate como se o NPA fosse um partido revolucionário “clássico” com todo o programa já feito, -exemplos destes partidos dogmáticos temos no Brasil-, com todos os problemas políticos já resolvidos. Este setor de militantes já formados na atividade em outros partidos ou pequenas organizações reagiram forte não só contra a direção como também com outros delegados representativos levando adiante um debate sobre o terreno do programa revolucionário em abstrato, e defendendo em todo momento e lugar como política a greve geral elevada a quase uma doutrina.

Sem a compreensão que o partido não esta só na realidade do país e que se necessita ter política para outras forças como forma de fazer a disputa de massas. No inverso do acontecido no congresso de fundação estes grupos  polarizaram o debate, rejeitando toda a possibilidade de um debate concreto para intervir na realidade e tirar o partido da crise. Para nós ficou a impressão que tal polarização politica acontecida não responde aos problemas e preocupações dos 60% dos novos membros do partido que com certeza não encontram seu lugar neste debate tão abstrato sem responder as preocupações cotidianas.

Notamos que este debate abstrato não permitiu discutir questões mais concretas. O balanço real da luta contra as reformas da aposentadoria, a situação interna das organizações sindicais, a situação dramática dos jovens dos bairros populares e outras, como a política frente ao governo de Sarkozy.

Nossa relação com o NPA tem que ser de tirar conclusões das dificuldades de construir um partido amplo, e colaborar com as direções e partidos que tem assumido este novo desafio fundamental para intervir na política no século XXI.

Participamos também em uma reunião internacional dos partidos presentes no congresso e fizemos nela a proposta de declaração de apoio à revolução árabe que foi assinada por mais de 20 partidos, com os quais temos a grande possibilidade de estabelecer relações fraternais. Além disso, aproveitamos para estabelecer uma série de contatos com outras delegações e de alcance internacional, como também com dirigente políticos, militantes e intelectuais. Participações desta natureza coloca o PSOL em estágio de relacionamento superior e tem longa durabilidade.

Estas são as impressões de nossa atividade. Exemplos como este da França nos motivam a acreditar em nosso projeto, a ir além das crises e dificuldades que possamos ter, e nos mostra a importância da urgente tarefa de construção de um internacionalismo concreto e real e no fortalecimento da nossa relação com outros partidos similares.

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