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Por que Ahmed Shafiq caiu?

04/03/2011

Frederico Henriques*

Após a queda de Mubarak centenas de manifestantes resolveram ficar na Praça Tahrir para garantir os seus direitos e suas demandas. Desde então a principal demanda tem sido a queda de Ahmed Shafiq (primeiro ministro interino do Egito) e de todos os ministros ligados ao antigo ditador.

Manifestações de hoje

Logo no início da minha viagem, no sábado, quando cheguei a Tahrir, havia poucas centenas acampadas na praça. No entanto, a cada dia aumentava o número de tendas no local. Três dias depois, na terça foi instaurado um comitê organizativo do acampamento, imcumbido de controlar entrada e saída, organizar reuniões, fazer a segurança e informar e comunicar-se com as centenas de grupos que surgiam no processo revolucionário.

Na madrugada de quarta-feira consegui estabelecer contato com os organizadores do comitê e com diversos grupos. Fui informado de que a tarefa mais importante na qual estavam empenhados no momento era a construção de um grande ato, previsto para hoje (sexta-feira, 04/03). A data escolhida marca um mês dos dias mais sangrentos da revolução. A proposta era retomar a memória dos mártires para fazer uma grande investida contra o que sobrou do regime. O ato contará com a presença de uma delegação da Tunísia e de quadro dirigentes Líbios. Além disso, boa parte das mesquitas irá realizar sua reza em Tahrir.

Tendo em vista, tanto o exemplo da Tunísia quanto a necessidade de amortecer o processo – em outras palavras, de caminhar passo a passo, através de reformas  e com o mínimo de conflitos – as forças armadas resolveram tirar Ahmed Shafiq do poder, ao saber que esse seria o centro da pauta da manifestação organizada para hoje.

Em seu lugar, está agora  Essam Sharafse, figura cujo nome parece ser mais respeitado junto à boa parte da população. Apesar de também ter sido ministro de Mubarak há alguns anos atrás, ele carrega a fama de ser um político ético, que não se adaptou aos moldes e às políticas do regime. Sua carreira no ministério foi curtíssima, devido a atritos com os demais membros do governo. Desde então, a vanguarda de Tahrir o vê com distinção e deposita confiança em seus princípios.

A revolução avança em todo o Mundo Árabe e o povo egípcio mantém em movimento vivo seu processo!

Manifestações de hoje

OBS. Ontem, no meio da noite, fui detido pelas forças armadas na saída de Tahrir. Tive que prestar satisfação por ser estrangeiro e porque eles acreditavam que eu estava sem credencial de jornalista para cobrir os fatos no país. Por esse motivo, entrego essas notícias com algum atraso.

*Militante do PSOL e colaborador da Secretaria de Relações Internacionais do partido.


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