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Apoio à revolução líbia! Fora Khadafi!

19/03/2011

Estamos em total desacordo com as tomadas de posição de Hugo Chávez, Daniel Ortega e Fidel Castro. Não nos opomos ao imperialismo apoiando os ditadores que massacram os seus povos, porque isso é reforçá-lo.

Declaração do Bureau da IV Internacional.

 

As ondas de choque das revoluções egípcias e tunisianas continua a espalhar-se pelo mundo árabe e para além dele. Durante estes dias, é a Líbia que está no centro do turbilhão revolucionário. Os acontecimentos evoluem a cada dia, a cada hora, mas hoje tudo depende da mobilização extraordinária do povo líbio. Centenas de milhares de líbios ergueram-se para atacar a ditadura de Khadafi, muitas vezes, apenas com a força das suas mãos desarmadas. Cidades e regiões inteiras caíram nas mãos das populações insurgentes. A resposta da ditadura foi impiedosa: repressão sem piedade, massacres, bombardeamento das populações com armamento pesado e ataques aéreos. Hoje, há uma luta até à morte entre o povo e a ditadura. Uma das características da revolução líbia, comparada às da Tunísia e do Egipto, é a fragmentação do aparelho policial e militar. Há confrontações dentro do próprio exército, uma divisão territorial, que e opõe as regiões e cidades controladas pelos insurgentes à área de Tripoli, onde está a base da força militar da ditadura. A ditadura líbia representa as profundas injustiças sociais e a ausência de direitos democráticos, além da repressão e dos ataques aos direitos e liberdades elementares do povo e por isso, ela tem de ser vencida.

A revolução líbia é parte dum processo que abarca o mundo árabe no seu conjunto e vai para além dele, no Irã e na China. Os processos revolucionários na Tunísia e no Egito estão se radicalizando. Na Tunísia, os governos caem um após o outro. A juventude e os trabalhadores estão a levar mais longe os seus movimentos. Todas as formas de continuidade do regime estão sendo postas em causa. A reivindicação de uma assembleia constituinte, oposta a todas as operações de salvamento do regime, se fortalece. Em ambos os países, Tunísia e Egito, o movimento dos trabalhadores reorganiza-se no lume da vaga de greves pela satisfação de necessidades sociais vitais. Este ascenso revolucionário tem formas particulares e distintas consoante os países: confrontos violentos no Iémen e Bahrein, manifestações na Jordânia, Marrocos e Argélia. O Irã apresenta, novamente, uma explosão das lutas e das manifestações contra o regime de Ahmadinejad e pela democracia.

 É neste contexto que a situação na Líbia adquire uma importância estratégica. Este novo ascenso já traz consigo mudanças históricas, mas o seu desenvolvimento pode depender da batalha da Líbia. Se Khadafi tomar de novo o controle da situação, com milhares de mortes, o processo poderia se abrandar, ser contido ou mesmo bloqueado. Se Khadafi for derrubado, o movimento será por consequência estimulado e amplificado. Por esta razão, todas as classes dominantes, todos os governos e todos os regimes reacionários no mundo árabe estão mais ou menos apoiando a ditadura líbia.

É também neste contexto que o imperialismo norte-americano, a União Europeia e a OTAN estão tentando em manobras para controlar este processo. Apesar dos discursos de uns e outros, as revoluções em curso enfraquecem as posições dos imperialismos ocidentais. Por isso, como sempre, o imperialismo usa o pretexto da “situação de caos”, como lhe chama, ou da “catástrofe humanitária” para preparar uma intervenção e voltar a controlar a situação. Que ninguém se engane sobre os objetivos das potências da OTAN: elas querem confiscar as revoluções em marcha aos povos da região e tirar vantagem da situação para ocupar novas posições, nomeadamente no controle de regiões petrolíferas. Por esta razão, é fundamental rejeitar qualquer intervenção militar do imperialismo norte-americano. É o povo líbio, que começou este trabalho, que o deve agora terminar com o apoio dos povos da região e todas as forças progressistas à escala internacional devem contribuir, através da sua solidariedade e apoio.

 Deste ponto de vista, estamos em total desacordo com as tomadas de posição de Hugo Chávez, Daniel Ortega e Fidel Castro. Fidel Castro denunciou o risco duma intervenção do imperialismo norte-americano em vez de apoiar a luta do povo líbio. Quanto a Chávez, reiterou o seu apoio ao ditador Khadafi. Estas tomadas de posição são inaceitáveis para as forças revolucionárias, progressistas e antiimperialistas do mundo inteiro. Não nos opomos ao imperialismo apoiando os ditadores que massacram os seus povos, porque isso é reforçá-lo. A tarefa fundamental do movimento revolucionário, à escala internacional, é defender estas revoluções e de se opor ao imperialismo, apoiando as revoluções em vez dos ditadores.

 Estamos ao lado do povo líbio e das revoluções árabes em marcha. A nossa solidariedade incondicional deve exprimir-se pelos direitos cívicos, democráticos e sociais que emergem nesta revolução. Uma das prioridades consiste em apoiar todas as ajudas ao povo líbio – ajudas médicas vindas da Tunísia e do Egipto, ajuda alimentar necessária –, a exigir a rescisão de todos os contratos comerciais com a Líbia e o fim de todo o fornecimento de armas. É preciso impedir o massacre do povo líbio.

Solidariedade com as revoluções árabes!

Apoio ao povo líbio!

Não à intervenção imperialista na Líbia!

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