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Amami Nizar em Campinas

24/04/2011

Na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Amami Nizar conversou com um público de 60 pessoas, maior que o esperado para uma sexta-feira à noite. Contou como o movimento revolucionário veio num crescente de dezembro até hoje, e relatou as 3 principais conquistas da revolução tunisiana da última semana:

  1. A paridade entre homens e mulheres nas eleições da Assembléia Constituinte, revelando o quão distante está a Tunísia dos fundamentalismos islâmicos e cristãos.
  2.  Eleições por listas e por partido para Assembléia Constituinte. Essa medida é especialmente boa para a esquerda, cujos partidos estão na clandestinidade há décadas e por isso sem contato direto e aberto de suas lideranças com o público.
  3. Proibição de todos os membros do Antigo Regime (como eles chamam o governo de Ben Ali) de participação das eleições para Assembléia Constituinte.

 

      Amami disse que a Assembléia Constituinte já é uma conquista na Tunísia. Os próximos passos são igualmente desafiadores. A tarefa mais imediata é fundar um amplo partido de esquerda, com características semelhantes ao PSOL, para disputar a hegemonia do processo constituinte com um programa de transição para outra sociedade.

      Esse programa, relatou, estaria baseado em 9 diretrizes:

  1. Democratização do poder e do Estado, através da participação popular e dos poderes locais.
  2. Fim das desigualdades regionais e desenvolvimento das partes mais pobres do país, demanda fortemente defendida pelo povo que se levantou.
  3. Pleno emprego, como medida de médio prazo.
  4. Fiscalização permanente dos órgãos públicos e ruptura com a corrupção sistêmica.
  5. Anulação da dívida externa por meio de auditoria.
  6. Fim das privatizações e retomada de empresas públicas de transporte, saúde, educação e telecomunicações que foram vendidas.
  7. Reforma do sistema bancário.
  8. Poder judiciário independente.
  9. Imprensa livre.

 

      Amami frisou o caráter anti-imperialista de todas as revoltas árabes, defendendo que se pode falar de um novo “pan-arabismo”, mas que se Khadaffi não cair logo, as revoluções em outros países podem ficar comprometidas e o movimento regional bloqueado.

      Depois fomos com Amami a um evento do Sindicato dos Químicos de Campinas, que contava com a presença de mais de 400 sindicalistas. Lá demosntrou sua solidariedade com o movimento sindical no mundo, defendeu a independência política dos movimentos sindicais e o caráter internacionalista da classe trabalhadora. Foi ovacionado com palavras: “Brasil, Tunísia, América Central: a luta socialista é internacional!”

      Assim, Amami fechou com chave de ouro sua intensa semana no Brasil, que parece ter durado mais de um mês.

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