Skip to content

“Não se vive uma democracia em Honduras desde o Golpe de 2009”, afirma Juan Barahona

12/05/2011
tags:

Juan Barahona, líder da FNRP - Honduras

Entrevistado por “La Página” de El Salvador, Juan Barahona, Coordenador Geral adjunto da Frente Nacional de Resistência Popular de Honduras assegura: é uma falácia que exista democracia em seu país. Atualmente há repressão política e muitos assassinatos, produtos do Golpe de Estado de 2009.

A visita do hondurenho a El Salvador tem como objetivo a reunião com dirigentes da FMLN para obter apoio das Organização dos Estados Americanos, para que Honduras não regresse ao seio desta entidade sem a realização de mudanças substanciais.



Qual o objetivo de sua visita a El Salvador?

Tem como objetivo trazer a público, para além de nossas fronteiras, a situação real que vivemos em Honduras. A situação política, econômica e social que vivemos no país. Porque desde o Golpe de Estado [em 18 de junho de 2009] se estabeleceu um cerco midiático para que não se conheça a realidade, sequer dentro do país.

Agora, neste momento em que se aproxima a Assembléia da OEA aqui em El Salvadorse pretende espalhar a idéia de que Honduras é um país que vive numa democracia e respeita os direitos humanos; um país que merece, portanto, entrar novamente na OEA. Não podemos permitir tamanho absurdo: não podemos deixar que nos enxerguem como um país que vive em harmonia, coisa que não é verdadeira. Então, nosso objetivo é que nos países centro-americanos se conheça toda a verdade. 

Para a FNRP não existe democracia em Honduras?

Não somente para a base da Frente. Todos os que vivemos no país e para todos aqueles cidadãos de qualquer país do mundo, que entendem o que é viver numa democracia, sabemos que em Honduras não se vive numa democracia desde o Golpe de Estado de 2009.

Em primeiro lugar, vivemos numa ordem inconstitucional. Quando se rompeu a ordem constitucional com um regime de facto, foi instaurado um regime repressivo, com intolerância, no qual não se respeitam as leis já estabelecidas no país. Se não se respeitou a Constituição, já não se respeita nenhuma lei secundária, e isso altera a ordem legal. Vivemos com uma Corte Suprema de Justiça totalmente corroída com o Golpe de Estado e não há justiça, nem implementação correta das leis vigentes.

Apesar disso, se realizaram eleições?


Correto, porque as eleições tinham um objetivo para o golpismo. O Golpe ocorreu seis meses antes das eleições gerais. Porém, já neste momento, o Golpe estava dado. As eleições tinham objetivo não de retornar a ordem constitucional, mas sim de “limpar” o Golpe de Estado, para criar a imagem que a partir dali vivíamos um novo governo, democraticamente eleito.

Isto apenas em tese, porque na prática, e conforme a legislação, isso não é certo. Vivemos um regime que é herdeiro de um Golpe de Estado, com as mesmas políticas que obedecem aos interesses dos empresários oligarcas.

A que situações reais se refere para afirmar que não há democracia em Honduras?

Para voltar a uma ordem constitucional democrática devemos convocar uma Assembléia Geral Constituinte para aprovar uma nova Constituição Política da República.

Qualquer manifestação pacífica do povo é reprimida, há seqüestrados, processados, feridos. Há assassinatos, porém essa situação vivida pelos hondurenhos é desconhecida fora do país.

Por vezes, nos enxergam como o país das maravilhas, mas em Honduras vivemos uma situação de crise, a pobreza e a indigência se aprofundaram depois do Golpe de Estado.

O presidente Chávez é o mediador entre vocês e o Governo. Como vão tais negociações?

Nós entregamos ao presidente Chávez um documento que apresentava a posição da Frente, a situação do Golpe de Estado e os quatro pontos para superar a crise e retornar a Ordem Constitucional.

Quais são estes quatro pontos?


Respeito aos direitos humanos; convocatória a Assembléia Nacional Constituinte; reconhecimento da Frente como um instrumento político; e o retorno dos exilados encabeçados por Manuel Zelaya. Isto deve acontecer para que possamos retornar a normalidade no país, caso contrário é muito difícil. 

Manuel Zelaya

Como vocês analisam o regresso do ex-presidente Zelaya a Honduras?

Há um primeiro passo: a Corte Suprema de Justiça deve anular os dois juízos políticos contra Zelaya. Porque a Corte anulou as duas ordens de captura, mas não os dois juízos contra nosso ex-presidente.

O que a FNRP espera de El Salvador?

Com a Frente Farabundo Martí há anos temos boas relações, desde quando eram uma organização clandestina, agora esperamos contar com apoio dos companheiros.

Esperamos ter apoio nas decisões que serão tomadas sobre o retorno ou não de Honduras a OEA.

Mas que tipo de apoios esperam? Porque você sabe que o presidente Mauricio Funes tem defendido o retorno de Honduras à OEA…

Isso mesmo. Se não houver nenhum acordo através da mediação do presidente Chávez e do presidente Santos (Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia) Honduras não deve retornar à OEA, porque isso seria deixar impune um Golpe de Estado, num país membro da OEA. Portanto, Honduras não deve retornar à OEA sem ter dado sinais de querer mudar toda a situação política e económica vigente.

Você acha que pode ser dado que o reconhecimento nesta Assembléia?

Não se esqueça que o golpe em Honduras é dado, não para ficar em Honduras, mas para exportá-lo como um bom exemplo para outros países e aí temos o fracassado golpe no Equador, também Guatemala. Tentaram na Venezuela. Depois de golpes na América Latina, hoje estamos a viver uma onda de governos progressistas. A única maneira de parar esta onda de mudança é com os golpes para impor regimes militares. E o Golpe em Honduras não poderá, jamais, servir como laboratorio para novas politicas deste tipo entre os países da América Latina.

Qual é a posição do Presidente Lobo na mediação do presidente Chávez?

Pelo que nos disse o presidente Chávez por telefone, Lobo aceitou os quatro pontos. Se isto é assim pode ser que o acordo de mediação prospere. Mas se isso não acontecer, se a anulação dos juízos não ocorre por agora, o acordo fica muito distante.

E que outros países vão visitar em nome da FNRP?

Esperamos visitar a Nicarágua e Cuba.

Anúncios

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: