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Sócrates aposta no “efeito bode”

12/05/2011

Primeiro-ministro deve ter-se inspirado na sabedoria popular brasileira

Por Luís Leiria

De http://www.esquerda.net/ 

O discurso de José Sócrates elogiando as virtudes do acordo do governo português com o FMI parece ter-se inspirado na sabedoria popular brasileira. Explico.

Conta a história que um homem de uma aldeia se queixava que a sua vida era um inferno, porque a sua casa tinha apenas uma assoalhada e a sua família era grande. Um amigo deu-lhe um conselho: leva o teu bode para dentro de casa e volta daqui a uma semana.

Passados os sete dias, a vida do pobre homem estava ainda pior: não só era um inferno, como o cheiro do animal se tornara insuportável. O amigo recomendou-lhe então: “Agora, tira o bode”. No dia seguinte, o homem irradiava de felicidade. Sem o bode em casa, a vida parecia sorrir-lhe. A mesma casa de uma assoalhada até parecia maior. A família estava contente. E viver sem aquele cheiro só o fazia sentir-se bem.

É nesse “efeito do bode” que Sócrates aposta. Foi à televisão cantar vitória porque o acordo não mexe nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos. Logo, espera que todos achemos que o PEC IV afinal até era bom.

Espera que achemos que os cortes no subsídio de desemprego afinal não são tão maus.

Espera que nos sintamos aliviados diante das medidas para facilitar os despedimentos. Vendo bem, a escravatura seria pior.

Espera que não lamentemos o congelamento de salários e pensões até pelo menos 2013. Podia ser até 2020, quem sabe.

Espera que nos alegremos com o aumento dos impostos. Por definição, um imposto sempre pode aumentar mais.

Espera que suspiremos de alívio diante de mais um aumento das taxas moderadoras. Apesar de tudo, vão continuar mais baratas que no privado.

E nós, vamos cair no truque do bode?

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