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Tunísia, a revolução continua

13/05/2011

Por Pedro Fuentes, secretário de Relações Internacionais do PSOL. 

Último momento.

 Uma vez mais o povo tunisiano e sua juventude tomaram as ruas de Tunis e das principais cidades do país exigindo que a revolução continue, contra as manobras e  o imobilismo do governo provisório de Beji Caid Essebsi. É o terceiro governo desde a queda de BenAli, e como os dois anteriores está agora na corda bamba. Nos dias5 e 6 de maio, as mobilizações estouraram na periferia da capital. Com barricadas populares, ocuparam a avenida Burguiba no centro, fato que se reproduziu por todo país. Algumas lojas foram saqueadas e vários veículos incendiados. Se gritava: “Governo, demissão!! Por uma nova revolução!!”. As manifestações foram convocadas porFacebook , e houve forte repressão policial, durante a qual 15 jornalistas foram baleados. A mobilização desafiou as tropas especiais e a polícia política do velho regime, instituições que o governo provisório recorre para sustentar sua debilitada autoridade.

Com as marchas de multidões, os manifestantes expressavam seu cansaço com as manobras do governo Beji Caid Essebsi, que pretende contornar a revolução e preservar as instituições do antigo regime autoritário, apesar das vítima se dos sacrifícios que custaram ao povo tunisiano para romper este regime e avançar para mudanças democráticas efetivas.

Todos os slogans tinham o propósito de exigir a dissolução do atual governo e  a formação de um governo de unidade nacional verdadeira, convocando uma nova revolução. As forças da ordem pública e a polícia secreta, armada com cacetetes, gás lacrimogênio e bombas enfrentaram os manifestantes de modo brutal e histérico.

Os golpes, porradas e impropérios se dirigiram contra os jovens, trabalhadores e jornalistas, tunisianos ou estrangeiros. A polícia invadiu a sede do jornal El Sahafa, da editora governamental Ibris, e arrombou a porta da União Geral de Trabalhadores de Tunis na rua Carthage.

Na rua Habib Borguiba, no centro, ocorreu uma verdadeira guerra entre civis e as tropas oficiais, que se estendeu até bem tarde. A periferia foi brutalizada pela polícia, que não poupou seus armamentos e abusou de todos os direitos. Os estabelecimentos comerciais foram fechados pela polícia, que impediu a circulação de meios de transporte públicos e privados e “sitiou” a parte periférica da cidade. O controle ditatorial e a polícia política estão ainda na ativa.

A Liga da Esquerda Operária da Tunísia, organização aliada do PSOL, esteve presente nas  mobilizações. Difundiram um panfleto no dia 1º de maio, no qual exigiam o fim do governo provisório e a formação de outro governo submetido à Alta Instância, organismo criado para decidir as regras do futuro processo eleitoral da assembléia constituinte.

A revolução por liberdade e dignidade segue viva!

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