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A volta de Zelaya

05/06/2011
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Por Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL 

 O povo da Honduras explodiu de alegria e entusiasmo. Esse povo tem construído a mais ampla resistência contra um golpe militar em nosso continente e criou como sua ferramenta política a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), a organização de massas com maior dinamismo da América Latina atualmente. A FNRP recebeu a notícia do retorno de Zelaya com uma grande manifestação. 

Carlos Aznares, no Resumen Latinoamericano,  relatou: “Milhares e milhares de homens, mulheres e meninos na rua, enfrentando aos militares e policiais, pondo o corpo às balas e também deixando nessa dura batalha dezenas de mortos, esta vez chegaram a Tegucigalpa de todos os pontos do país para se reencontrar com seu líder. Honduras se tingiu do vermelho da bandeira da Frente Nacional de Resistência Popular, e do azul da insígnia pátria, enquanto as ordens de ‘Sim, podemos’ e ‘Fora o imperialismo’ mesclavam-se com as vaias contra o governo do Porfirio Lobo”,

Nós do PSOL, através da Secretaria de Relações Internacionais, temos participado e colaborado com a FNRP e encontrado seus dirigentes, entre eles com Juan Barahona e Gilberto Rios. Não podemos deixar de saudar este triunfo da resistência hondurenha que é também de todos os latino-americanos. A volta da Zelaya era a primeira grande consigna da resistência e isso foi votado na grande Assembléia Nacional realizada alguns meses atrás. Essa conquista expressa um recuo objetivo do regime resultante do golpe de 2009. A recuperação dos direitos democráticos para o Mel (como é conhecido Manuel Zelaya) é um primeiro avanço das causas populares. Com isso, se obteve um grande fôlego para seguir a luta democrática e fortalecer a FNRP enquanto alternativa concreta de poder. É um passo crucial para conquista de um novo governo popular democrático, que tenha como base a FNRP. Essa tarefa está associada à defesa de uma Assembléia Constituinte que aponte para uma profunda reorganização do país, sobre outras bases políticas, econômicas e sociais.

A força alcançada pela FNRP é o que tem viabilizado o acordo da Cartagena. Nesse acordo participaram a FNRP, o governo de Lobo e o governo de Hugo Chávez. A FNRP afirma que segue sua luta pela Assembléia Constituinte e a restauração de todos os direitos democráticos e a punição aos golpistas. Com a volta da Zelaya, a FNRP e o povo de Honduras estão em melhores condições para alcançar seus objetivos.

Pela primeira vez em nosso continente, um acordo (de Cartagena) foi construído graças à mediação de Chávez e sem nenhuma intervenção do governo dos Estados Unidos. Isto mostra certa fragilidade da ação imperialista na região, pelo fato de os Estados Unidos terem que concentrar sua intervenção política no mundo árabe.

Certamente, é no Magreb e no Afeganistão que Obama foca sua ação. É nesta região onde revoluções democráticas derrubaram ditadores aliados dos governo estadunidense no sustento ao Estado sionista de Israel. É ali o lugar estratégico, onde o imperialismo vai evitar perder terreno e influência política. A situação mais desfavorável e a maior dor de cabeça estadunidense estão ali.  

No mesmo momento em que ocorre a volta da Zelaya com seus direitos garantidos, o governo do Egito abre as fronteiras com a Faixa Gaza e o Fatah e o Hamas voltam a se unificar na Palestina.

Com este acordo, a direção da FNRP deu uma prova de que tem capacidade de negociar com os inimigos em um momento que a correlação de forças não permite derrotar ao governo de modo contundente, e ao mesmo tempo sustenta as bandeiras fundamentais e a organização da resistência. Negociar foi a opção para obter passos parciais que facilitem melhores condições para fortalecer a FNRP e o movimento de massas. Não há dúvidas que a volta da Zelaya cria melhores condições para lutar pela queda do regime resultante do golpe de Estado e pelo avanço da luta de classes na América Latina a partir de Honduras.

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