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Crise Européia e despertar de um novo tempo: a resistência massiva contra ajustes do FMI

05/06/2011

Boletim n° 6 – junho/2011

Nesse Boletim especial, a Secretaria de Relações Internacionais do PSOL apresenta análises e propostas sobre a crise econômica e política da União Européia. O projeto do Euro dá sinais de fracasso total. Os países altamente endividados, como Grécia, Espanha, Portugal, Irtlanda, Itália, atravessam uma situação ironicamente semelhante à história latino-americana, subordinados aos planos de auteridade do FMI. Os níveis de desemprego batem recordes. Os governos, responsáveis pela crise, estão dispostos a repassar a conta para o povo, e aplicar os ajustes com dedicação exemplar. Os ajustes, contudo, são o oxigênio da crise, são o aprofundamento da supremacia financeira sobre os direitos do povo. Porém há um fato novo,  que dá sinais de novo tempo: as revoluções democráticas árabes inspiram os jovens europeus a tomar as ruas para resistir. Apresentam nas praças da Espanha um novo programa para governar o país, com democracia real, controle popular das contas públicas, garantia dos direitos sociais. Apresentam nos plebiscitos populares da Islândia a decisão implacável de punir os banqueiros pela crise. A crise da União Européia é um momento da crise econômica internacional iniciada em 2008. É, portanto, uma crise  estrutural, e sua solução só pode ser radical. Do contrário, será o adiamento da mesma crise, que eclodirá mais forte no futuro. Sobre este tema, há artigos de Paul Krugman, Carlos Taibo, Pedro Fuentes, Israel Dutra, Partido Obrero Revolucionario da Espanha, do El País, além do programa eleitoral do Bloco de Esquerda de Portugal, e a plataforma Democracia Real Ya, o mais novo movimento social de massas espanhol, com tonalidade internacionalista.

 

Apresentamos também uma notícia necessária: a vitória do povo hondurenho que, em sua batalha democrática, conquistou a volta de Manuel Zelaya a Honduras, com garantias de direitos civis e políticos. Esse fato atesta a fraqueza do imperialismo estadunidense, muito preocupado com as revoluções árabes para intervir em defesa do truculento governo Porfírio Lobo, momentaneamente desamparado.

 Boa Leitura! 

Crise burguesa e despertar político na Europa

 Por Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL

 Dois processos de signo oposto compõem a situação política da Europa. De um lado há uma quebra do projeto econômico e político construído pelas classes dominantes na União Européia (UE). Basta ler os jornais para perceber como o otimismo que reinou nas duas primeiras décadas de existência da EU (os anos 80 e 90), deu passos em direção ao ceticismo cada vez maior sobre o presente e o futuro incertos. Os fatos mais preocupantes são o estancamento econômico global e a crise aguda de alguns de seus países-membro. De outro lado, um despertar do movimento de massas. Contagiados pela revolução árabe, os jovens espanhóis tomaram as ruas e praças com um novo movimento político, que em certo sentido nos lembra o Maio francês. ……LEIA MAIS

 

Maio Espanhol: às portas de um novo tempo? 

Por Israel Dutra, sociólogo e membro da direção nacional do PSOL

 A velocidade das notícias, no atual período turbulento que vive o planeta, se multiplica.

A morte de Bin Laden e a prisão de Strauss-Kahn trouxeram à tona mais incertezas no complexo cenário mundial. Contudo, um elemento novo, surpreendeu a todos. A irrupção do movimento de “indignados” em Madrid acelerou ainda mais a história. Seguido por quase 200 manifestações em todo o território espanhol, mobilizou centenas de milhares de pessoas no país. O “15-M”[alusivo a data da primeira manifestação] rompeu a apatia do calendário eleitoral espanhol. Em pleno 2011, temos um novo Maio na Europa. A juventude e o movimento dos “indignados” estão construindo uma ponte com as revoluções do mundo árabe e a luta do povo da Islândia contra os bancos e a crise. ……LEIA MAIS

  

Quando a austeridade fracassa

 Por Paul Krugman, The New York Times

Se os bancos gregos entrarem em colapso, isso obrigará o país a sair da zona do euro, o que daria início à queda dos dominós financeiros em grande parte da Europa. Muitas vezes eu me queixo, e com razão, sobre o estado em que encontra a discussão da economia nos EUA. E a irresponsabilidade de alguns políticos – como esses republicanos que afirmam que um calote da dívida americana não seria um grande problema – é assustadora. Mas pelo menos entre os membros do “grupo da dor, defensor do rigor “, para quem elevar as taxas de juro e cortar as despesas do governo diante do desemprego em massa de alguma maneira deixarão as coisas melhores, não piores, estão sendo obrigados a um certo recuo por parte do Federal Reserve e o governo Obama. ……LEIA MAIS

 

 Palavras de 15 de Maio

 Por Carlos Taibo, professor da Universidade Autónoma de Madrid

 Chamam-no democracia e não o é. As principais instituições e, com elas, os principais partidos conseguiram demonstrar a sua capacidade para funcionar à margem do ruído molesto que emite a população. Os dois partidos mais importantes, em singular, cenificam desde tempo atrás uma confrontação aparentemente severa que esconde uma fundamental comunidade de ideias. Um e outro mantêm nas suas fileiras, falando nisso, pessoas de mais que duvidosa moralidade. Não é difícil adivinhar o que há por trás: nos factos são formidáveis corporações económico-financeiras as que ditam a maioria das regras do jogo. ……LEIA MAIS

 

 Uma praça Tahir na Europa?

 Por Pedro Fuentes, secretário de Relações Internacionais do PSOL

  Indignados. Fartos. Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram, dia 15 de maio – último domingo – em mais de 50 cidades espanholas. A manifestação foi convocada sob a plataforma cidadã “Democracia Real Já!”. A concentração de maior envergadura ocorreu em Madri, onde milhares de pessoas conseguiram parar o centro da cidade. “As críticas aos políticos, partidos e banqueiros, ao resgate das entidades financeiras, ao trabalho precário, aos cortes nos gastos sociais, e à atual lei eleitoral eram os lemas estampados nos cartazes”.“Violência é cobrar 600 euros” dizia um cartaz.“Não é uma crise, é um roubo.” lia-se num cartaz carregado por muitos manifestantes. ……LEIA MAIS

 

 

As praças exigem mudanças sociais, as urnas refletem um giro à direita

Por Partido Obrero Revolucionario da España (POR)

Dois processos estão misturados nas eleições de maio: a mobilização de milhares de jovens indignados com a crise econômica e com a falta de futuro que a atual sociedade lhes oferece e o voto em urna no dia 22. O resultado de ambos é bastante contraditório. Milhares de jovens ocuparam as praças de muitas cidades desde o domingo, 15 de maio. Com seus protestos não fizeram mais que expressar o sentimento geral no país: que a crise está sendo paga pela classe trabalhadora, que os banqueiros e os grandes empresários seguem acumulando benefícios; que os dirigentes políticos são incapazes de tomar medidas contra os mais ricos. ……LEIA MAIS

 

As praças são de esquerda

Comunicado do Partido Obrero Revolucionario da España  (POR)

O movimento 15 M é a expressão de uma rebelião crítica e cidadã da juventude engajada na denúncia e na resistência à crise capitalista e àqueles que a provocaram: os poderosos do setor financeiro e seus instrumentos políticos. Essa eclosão era necessária. O POR apoia e participa mobilizações nas praças nessa jornada eleitoral. Sol, com a participação das massas, é a ponta de um iceberg que emerge também na Catalunha, Donostia etc. A indignação e a frustração de uma juventude sem futuro, desacreditada do Eldorado capitalista, irrompe como novo fator político que ninguém poderá desconhecer após os atos de maio. ……LEIA MAIS

Islândia: o povo puniu a festança dos banqueiros

 Extratos de artigos do “El País”  

  A Islândia foi saqueada por não mais de 20 ou 30 indivíduos. Uma dúzia de banqueiros, alguns poucos empresários e um punhado de políticos formaram um grupo selvagem que levou a país inteiro à ruína: 10 dos 63 parlamentares islandeses, incluídos dois líderes do partido que governou quase ininterruptamente desde 1944, tinham empréstimos pessoais concedidos por um valor de quase 10 milhões de euros por cabeça. Ainda estão por comprovar que essa prática seja crime (ao que tudo indica, parte desse dinheiro era usado para comprar ações dos próprios bancos para inflar as cotações). Mas de qualquer maneira, sendo crime ou não, é um grande escândalo. ……LEIA MAIS

 

 Propostas do Movimento Democracia Real Já!

 Em democraciarealya.es

 1. Eliminação dos privilégios da classe política:

Controle estrito do absenteísmo dos cargos eleitos em seus respectivos postos. Sanções Específicas pelo abandono de funções.Supressão dos privilégios no pagamento de impostos, anos de contribuição e montante das pensões. Equiparação do salário dos representantes eleitos ao salário médio espanhol mais os honorários indispensáveis para o exercício de suas funções.Eliminação da imunidade associada ao cargo.Aplicabilidade dos delitos de corrupção.Publicação obrigatória do patrimônio de todos os cargos públicos.Redução dos cargos de livre designação. ……LEIA MAIS

 

Bloco de Esquerda de Portugal apresenta programa para superar crise econômica

Leia a plataforma eleitoral do Bloco de Esquerda de Portugal, para superar a crise econômica com auditoria da dívida pública, com ampliação emergencial do emprego, com valorização do trabalhador e dos direitos sociais, sem submissão aos planos austeros do FMI. http://www.esquerda.net/sites/default/files/compromisso_eleitoral_0.pdf

 

 A volta de Zelaya

Por Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL 

 

O povo da Honduras explodiu de alegria e entusiasmo. Esse povo tem construído a mais ampla resistência contra um golpe militar em nosso continente e criou como sua ferramenta política a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), a organização de massas com maior dinamismo da América Latina atualmente. A FNRP recebeu a notícia do retorno de Zelaya com uma grande manifestação. Pela primeira vez em nosso continente, um acordo (de Cartagena) foi construído graças à mediação de Chávez e sem nenhuma intervenção do governo dos Estados Unidos. Isto mostra certa fragilidade da ação imperialista na região, pelo fato de os Estados Unidos terem que concentrar sua intervenção política no mundo árabe. .…..LEIA MAIS

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