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Manifestantes invadem embaixada de Israel no Cairo

15/09/2011

 “El Pais” 10-09-2011

Tradução: Fred Henriques

O embaixador de Israel no Egito, Yitzhak Levanon, deixou o país com sua família e parte da missão diplomática depois da noite em que centenas de egípcios ocuparam a embaixada de Israel no Cairo, a atacaram, derrubaram o muro que a protege e entraram no edifício que ela está sediada. Após uma manifestação em protesto a lentidão das mudanças democráticas da Junta Militar que passou a dirigir o país após a queda em fevereiro da ditadura de Hosni Mubarak, centenas de manifestantes se dirigiram a embaixada israelense, derrubaram o muro que a cerca, e mesmo com a presença policial entraram no edifício. Os choques posteriores com a polícia e o exército deixaram três mortos, um por ataque cardíaco, quase mil feridos e pelo menos 28 detidos.

Diante dos acidentes, um gabinete de crises egípcio se reuniu e depois da reunião o Ministro do Interior declarou estado de alerta e cancelou todas as férias de policiais por todo o país. A crise diplomática entre Israel e Egito tem empurrado o presidente dos EUA, Barack Obama, a expressar sua preocupação e pedir ao governo egípcio que garanta a segurança da embaixada israelense. O primeiro ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, qualificou o assalto como “incidente sério que poderia ter sido pior caso os agitadores houvessem conseguido atravessar a última porta e ter ferido a nossa gente”.

O ataque e os tumultos subseqüentes eclodiram quando centenas de manifestantes atacaram a embaixada israelense localizada num dos últimos pisos de um edifício residencial de 21 andares. Primeiro armados com martelos e barras de metal conseguiram derrubar um muro de 2,5 metros de altura, construído ainda esta semana diante de algumas manifestações anti-israelenses. Depois, trinta deles ocuparam o edifício, e lançaram milhares de documentos pelas janelas. Inicialmente, eles disseram que eram oficiais, mas Israel sustenta que foram papéis da entrada. Os manifestantes vieram de um grande protesto da Praça Tahrir, onde reclamavam das novas autoridades mais velocidade nas tímidas reformas democráticas e uma maior depuração dos ex-alto cargos da época de Mubarak.

Durante as primeiras horas do ataque a polícia se limitou a conter os manifestantes, mas não impediu que eles derrubassem o muro. Com vista aos fatos o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, anunciou que havia pedido ajuda aos Estados Unidos para proteger a sua embaixada. Depois disto, a ação da polícia passou a ser mais contundente. Uns 2000 manifestantes atearam fogo em diversos veículos ao redor do edifício e os distúrbios causaram cerca de 500 feridos. Os manifestantes também atacaram uma delegacia nas intermediações, mas foram afastados com gás lacrimogêneo, apesar de terem conseguido queimar 4 carros policiais. O exército fixou tanques ao redor da embaixada e a polícia acabou por usar gases e tanques de água para dispersar aquela zona. No entanto, ao amanhecer umas 500 pessoas ainda estavam presentes nos arredores, embora os agentes tivessem conseguido isolar as proximidades do edifício diplomático.

O primeiro ministro, Essam Sharaf, convocou um gabinete de crise para fazer frente aos novos incidentes e a crise diplomática com Israel.

Desconfiança em direção aos militares

 Os protestos começaram ontem, sexta-feira, um dia de oração e de protesto desde a eclosão da revolta que derrubou Mubarak na Praça Tahrir, onde milhares de pessoas participaram de uma marcha exigindo acelerar as reformas políticas e o fim dos julgamentos civis em tribunais militares. O descontentamento e desconfiança progressiva junto à junta militar que dirige a transição democrática vem alimentando as marchas de protesto que se repetem desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro. Uma das palavras de ordem mais repetidas na manifestação diante da embaixada foi “o povo quer a queda do Marechal”, referindo-se ao chefe do Conselho Militar, Hussein Tantawi, a mais alta autoridade no país desde a queda de Mubarak.

O ataque à embaixada agrava a crise diplomática que se anunciava desde a queda de Mubarak em fevereiro. Com o ditador, Israel tinha um aliado do outro lado da fronteira desde a assinatura de um acordo de paz em 1979, mas sua queda e a chegada de novas autoridades deixaram os pactos no ar. Os novos governantes militares garantiram que eles iriam respeitar estes, até porque esses acordos garantiam ao Egito uma grande ajuda militar dos norte-americanos. No entanto, também tem que lidar com o descontentamento do povo egípcio, que não simpatiza com Israel e seus abusos sobre os palestinos. O delicado equilíbrio foi quebrado abruptamente em Agosto passado, quando cinco soldados israelenses mataram cinco guardas de fronteira egípcios numa operação para capturar milicianos palestinos, um incidente que levou Cairo a chamar seu embaixador em Israel e exigir um pedido de desculpas oficiais, algo não ter ocorrido.

Dado o que aconteceu, Obama telefonou para o premiê israelense, Benjamin Netanyahu para expressar seu apoio e sua “preocupação”, chamando também o Egito a “cumprir suas obrigações internacionais” e proteger a missão diplomática israelense.

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