Skip to content

Maio Espanhol: às portas de um novo tempo?

05/06/2011

 Por Israel Dutra, sociólogo e membro da direção nacional do PSOL

 

“Eles não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”

  

A velocidade das notícias, no atual período turbulento que vive o planeta, se multiplica.

A morte de Bin Laden e a prisão de Strauss-Kahn trouxeram à tona mais incertezas no complexo cenário mundial. Contudo, um elemento novo, surpreendeu a todos. A irrupção do movimento de “indignados” em Madrid acelerou ainda mais a história. Seguido por quase 200 manifestações em todo o território espanhol, mobilizou centenas de milhares de pessoas no país. O “15-M”[alusivo a data da primeira manifestação] rompeu a apatia do calendário eleitoral espanhol. Em pleno 2011, temos um novo Maio na Europa. A juventude e o movimento dos “indignados” estão construindo uma ponte com as revoluções do mundo árabe e a luta do povo da Islândia contra os bancos e a crise. Foram manifestações que tomaram as praças centrais de Barcelona, Valencia, Granada, Sevilha, organizando acampamentos permanentes, com decisões assembleístas, atividades diárias, intervenções artísticas. Mesmo proibidos, centenas de milhares de pessoas, no dia da eleições[22 de março] desafiaram o Supremo Tribunal e tomaram as ruas de todo o país. Uma semana em que a Espanha respirou sua nova primavera política.

A mobilização da “Puerta del Sol”[1] trouxe, como bem afirmou Pedro Fuentes, a praça Tahrir para o coração da Europa.

 

A geração # : à rasca, sem futuro e indignada

As bases fundamentais para a mobilização da Puerta del Sol que se alastrou por toda Espanha combinam dois elementos: os efeitos cada vez mais duros da crise econômica e a marginalização política, efeito do regime controlados por uma partidocracia. A juventude que se expressa nas praças tem constantemente recebido o “não” como resposta. Não há vagas, não há lugar para intervir politicamente,não há moradia digna, não há educação de qualidade, não há possibilidades, não há futuro. A elite social e política espanhola, controlada pelo bipartidarismo a serviço dos bancos fez “ouvidos moucos” durante muito tempo. Agora o barulho é ensurdecedor.

 A relação que existe com os processos de mobilização recente do mundo árabe é direta. Não apenas pela eficácia das convocações que, burlando os mecanismos “oficiais”, ocorreram via as redes sociais e formas de comunicação alternativa. A identidade é bem maior. Nas praças da Espanha se podia ouvir referencias tanto a Praça Tahrir quanto a Islândia[país que aprovou o não pagamento de dívida com bancos em dois referendos populares]. Solidários na precarização, solidário na luta. Como referência aos islandeses, que protestaram por um ano durante todos os sábados, os manifestantes cantavam: “Espanha em pé, uma Islândia é”.

Segundo dados oficiais, a Espanha atravessa uma condição histórica de desemprego: ultrapassa os 20%, chegando a quase metade da população quando considerados apenas os estratos mais jovens. Os cortes no orçamento atingem em cheio os serviços públicos essenciais. As execuções hipotecárias deixaram quase meio milhão de pessoas sem teto nos últimos anos. Apenas em 2009/2010 foram 270 mil espanhóis que perderam suas casas.

A juventude da Europa está no seu limite enquanto projeto de futuro. Há uma terrível curva descendente na escala da mobilidade social. Os filhos e netos não terão condições de competir no mercado e manter o nível de vida das gerações anteriores. A face portuguesa deste movimento se manifestou da mesma forma, espontânea e radicalizada, na manifestação do último 12 de março. Convocada por meios alternativos como o Facebook, a manifestação reuniu a juventude que se autodenomina “Geração à rasca” [alusão a condição precária da juventude portuguesa]. O 12-M foi a maior manifestação deste país desde a Revolução dos Cravos. Os protestos renderam ampla repercussão, precipitando a queda de Sócrates. A juventude tomou a cena em Portugal. O escritor Mia Couto analisou da seguinte forma:

“Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que coleciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.”

A nova geração, diplomada e sem perspectiva, conhece violenta e dramaticamente a política. À sua exclusão, social, cultural e econômica responde com uma saída coletiva e indignada. A juventude “Indignada” como seus pares da “Geração à Rasca” e mesmo os “diplomados” da Tunísia são produto direto da crise estrutural do capitalismo.

 

Nem socialdemocratas, nem conservadores

O movimento “Democracia Real”[ nome da articulação que organizou a convocatória do 15-M] inverte a lógica fria do regime democrático liberal.

 Na Espanha, como em Portugal e na Grécia, quem aplica as medidas de austeridade é o Partido Socialista. Foi na gestão de Zapatero, ícone do social-liberalismo que se deram os cortes mais brutais. Para se ter ideia, o governo reduziu 15 bilhões dos gastos do orçamento público.

Além do controle exercido pelo Bipartidarismo na esfera dos postos executivos e legislativos, as organizações sociais e sindicais também são parte da crítica. As duas maiores centrais sindicais são espaços burocráticos e sem representatividade[UGT, CCOO]. No ano passado, o governo impôs o aumento da idade para a aposentadoria- a partir da nova lei, o mínimo será de 67 anos. Também foram privatizados setores como aeroportos e loterias. Tudo em nome da “austeridade fiscal”. As entidades sindicais não estabeleceram nenhum plano coerente de lutas. Pressionados pela base, por uma série de greves radicalizadas- como do metrô de Madrid- as direções convocaram uma greve geral em 29 de setembro de 2010. Apesar da condução morna e das atividades dispersas, a greve não foi “protocolar”. Grandes jornadas mostraram a disposição de luta dos trabalhadores, dos serviços, das funções públicas e da indústria. Uma vez mais, as centrais apresentaram seu caráter nefasto, não encaminharam nenhuma nova luta ou paralisação, acabando por aceitar a proposta do governo como um “mal menor”. Todos passos foram dados sem consultar as bases sindicais. O legítimo “pacto de cúpula”.

A irrupção da juventude, seguida por muitos trabalhadores, aposentados e setores da socidade civil não seguiu nenhum “script”. O Movimento Democracia Real desconheceu as “cúpulas” e direções sindicais. Os “políticos tradicionais” também foram atropelados pela ânsia de mudanças.

A proibição por parte do Supremo Tribunal das manifestações nos dias 21 e 22[véspera e data das eleições municipais] só demonstra a insensibilidade do Estabilshment. Os protestos se reproduziram de forma ainda mais massiva.

O resultado da eleição foi custoso para Zapatero. Uma derrota histórica. Os socialistas perderam em toda a Espanha. Após 32 anos, o Partido Socialista perdeu o governo de Barcelona. Os resultados de Bildu- coalizão da esquerda independentista no País Basco- afirmam que não é uma derrota de toda a “esquerda”. Quem sai derrotada é a fração majoritária da esquerda, que há muito aderiu ao social-liberalismo. O elevado número de votos nulos e brancos também é um sinal nesta direção. A lição das urnas, em que pese a vitória dos conservadores como produto do desgaste do PSOE, só confirma o que dizem as praças: o que se vive na Espanha é um simulacro de democracia.

 

O recurso à insurreição

O difícil quadro político poderia levar ao ceticismo? As praças da Espanha afirmam o contrário. Além de resistir contra as medidas de austeridade e rejeitar esta democracia, o movimento 15-M recorre a um velho método: o da mobilização. Um velho método, aliás, sempre reinventado, de forma criativa e crítica. O dia 15-M restituiu o próprio sentido da política na vida espanhola. Contra aqueles que acusam o movimento de ser “apolítico” vale ressaltar que ali, na praça, em sete dias, se fez uma política concentrada. Uma política que acelerou os tempos históricos. Nada da monotonia dos acordos parlamentares, dos bastidores sindicais, da corrupção legal ou ilegal do Estado. A política na sua forma plena, com conteúdo democrático, a decisão oriunda da coletividade, da Assembleia, da barricada. O “SOL” da praça de Madrid é mais do que uma metáfora. O conteúdo da ideia de “democracia real” é uma demanda atual. Necessária. Como ilustrou bem Atílio Boron, comparando o 15-M com a Comuna de Paris:

“Basta ver os documentos dos “indignados” de hoje para comprovar a assombrosas atualidade com as demandas dos comunardos e o pouco, muito pouco que mudou da política do capitalismo. Os jovens e os nem tão jovens que lotam umas 150 praças na Espanha não são “apolíticos” ou “antipolíticos” como certos setores da imprensa querem fazer crer, são gente profundamente politizada que se levam a sério na promessa da democracia e que, por isso mesmo, se rebelam contra a falsa democracia surgida das entranhas do franquismo e consagrada no tão aplaudido Pacto de Moncloa, exibido como um ato exemplar de engenharia política democrática”.

E não apenas a distante Comuna que ressurge nas praças e nos criativos cartazes do 15-M. Também as manifestações do movimento antiglobalização que tiveram lugar na virada do século e as grandes rebeliões da América Latina do mesmo período. A nova geração se une aos antigos lutadores, dando lugar a uma linda confraternização.

Tudo na praça é discutido. O clima de democracia direta e participação ativa é diretamente oposto ao que criticam no modelo oficial. Todas as tardes uma nova assembleia discute os próximos passos, conectando-se com os outros acampados do país. As equipes artísticas garantem apresentação de peças de teatros, exposição de cartazes, debates culturais, exibição de vídeos.

 O programa de reivindicações também é discutido: vai desde a taxação das grandes empresas até a incorporação de demandas como habitação, educação, emprego. Um ponto importante é a defesa que o movimento assume dos jovens e trabalhadores imigrantes. Fica claro que “Democracia Real” é bem mais do que um slogan. É um conceito, em construção, que define o “novo”, o que está nascendo nas esquinas da Espanha. A força inventiva da coletividade oferece um projeto para salvar a Espanha do caos dos banqueiros e da UE.

 

Às portas de um novo 1968?

Os desdobramentos do “Maio Espanhol” ainda são imprevísiveis. O fato é que a Espanha entrou de vez numa dinâmica de protestos e mobilização social, a partir do 15-M. Porém, quais passos, quais limites?

O que assistimos nos últimos anos nos países onde aconteceram importantes processo de luta contra planos de ajuste e retirada de direitos foi o desgaste dos governos de turno e sua substituição pela via mais “crível” da oposição. O pêndulo oscila na hegemonia da sociedade e a insatisfação acaba canalizada pela “alternância” eleitoral. Sai o PSOE entra o partido conservador, a alternativa na França de Sarkozy são os Socialistas. Ou seja, uma dinâmica que não consegue superar os limites da luta defensiva e acaba se dispersando no terreno da luta política.

A referência a outro “Maio”, o de 68, é fundamental. O “ano das revoluções” foi um marco por conta da singularidade do processo: massivo, combinado e profundo. Massivo porque milhões em todos os continentes, de forma mais ou menos espontanea, mais ou menos sincronizada saíram às ruas para contestar o poder vigente. Combinado porque convergiram inúmeras lutas, desde a luta por um “socialismo com rosto humano” na Primavera de Praga, a luta dentro dos Estados Unidos contra a guerra, nos países latino-americanos, chegando ao questionamento do regime francês, uma democracia européia desenvolvida. E profundo, pois chegou a colocar em xeque o governo, inaguarando a inédita hipótese de crise revolucionária na França.

O movimento atual está longe deste patamar. Contudo, o “fantasma” de 1968 ronda a Puerta del Sol. Uma definição mais cautelosa poderia afirmar que estamos num movimento cuja força potencial está no meio do caminho entre o movimento antiglobalização [iniciado em Seattle em 99] e as lutas de 1968. Mais perto de Seattle do que do maio francês.

O que esperar do futuro imediato destes novos processos?  Três fatores nos ajudam a pensar o que pode vir pela frente: a linha do BCE (Banco Central Europeu) tem sido errática para enfrentar a crise da dívida; o fato de que não existe nenhum sinal de recuperação da economia na Europa- a OCDE prevê que a Espanha vai demorar 15 anos para voltar a ter taxas de desemprego idênticas ao período anterior a crise; e por fim, o fator determinante: a capacidade de resistência social aos planos de austeridade.

 Não sabemos o que pode passar. Novas manifestações estão convocadas. A tarefa é ampliar e estender os protestos. Ampliar para os trabalhadores e desempregados. Para os Imigrantes. Das praças da Espanha para as praças de toda a Europa. E conectar. Conectar-se com as revoluções árabes, com o exemplo islandês, com a resistência nos outros cantos do mundo. O futuro imediato do 15-M depende da força das mobilizações nos países onde a crise social se encontra em estágios avançados.

 A Grécia é o grande vulcão que pode entrar em erupção e dar o esperado “salto de qualidade”. No dia 25 de Maio, dezenas de milhares de pessoas cercaram o parlamento grego. Uma bandeira gigante da Espanha abriu a manifestação: “Estamos despiertos, ya es hora que se vayan”

Nas manifestações gregas de 08/09 uma faixa se destacou. Seus dizeres “Povos da Europa, Levantem-se”.

Nas manifestações em Madrid e Barcelona outra faixa chamou a atenção. “Neste verão… te convidamos a virar do Avesso o mundo”.

Da resposta a este chamado depende o futuro.

 

 


[1] A “Puerta del Sol”  fica no centro de Madrid e é o quilometro zero de todas as estradas espanholas.

Israel Dutra, sociólogo e membro da direção nacional do PSOL

Crise burguesa e despertar político na Europa

05/06/2011

Por Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL

  Dois processos de signo oposto compõem a situação política da Europa. De um lado há uma quebra do projeto econômico e político construído pelas classes dominantes na União Européia (UE). Basta ler os jornais para perceber como o otimismo que reinou nas duas primeiras décadas de existência da EU (os anos 80 e 90), deu passos em direção ao ceticismo cada vez maior sobre o presente e o futuro incerto de seu projeto. Os fatos mais preocupantes são o estancamento econômico global e a crise aguda de alguns de seus países-membro (Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal, Islândia). De outro lado, um despertar do movimento de massas. Contagiados pela revolução árabe, os jovens espanhóis tomaram as ruas e praças com um novo movimento político, que em certo sentido nos lembra o Maio francês. A Espanha bate péssimos recordes, e atinge 20% de desemprego.  Por sua vez, o movimento de massas na Grécia se radicalizou e a última greve geral exemplifica. O continente com mais tradução de lutas dos trabalhadores despertou, abrindo uma nova vaga na luta de classes do continente.

 

 Um projeto em crise

 

 A UE foi um sério e ambicioso projeto do imperialismo europeu para fortalecer suas burguesias no período Reaganiano de ofensiva neoliberal. Talvez o mais importante projeto do imperialismo europeu em meio século. A idéia de uma nova ordem mundial estável, criada a partir da queda do “socialismo real”, tem como UE como peça chave. O projeto teve seu momento de esplendor com a queda do Muro de Berlim. Avançou com a incorporação de praticamente todos os países do Leste, relançando o capitalismo em economias como a Polônia, e outros países orientais que apresentavam a vantagem da mão de obra barata. Essa unidade, porém, significou a precarização do trabalho em diversos países, e a criação de um vasto exército de reserva, engrossado pelas fileiras imigrantes da América Latina e especialmente da África e da Ásia. A unidade interna da Alemanha, o centro da unidade européia, permitiu ao imperialismo arruinar com as conquistas históricas da classe trabalhadora alemã, os melhores salários da Europa. Permitiu também que o conjunto da burguesia imperialista avançasse sobre leis e conquistas sociais em geral. Logrou-se assim o fortalecimento do Euro, a criação de várias instituições continentais capitalistas, como o Banco Central e o Parlamento Europeus. Sua maior dificuldade foi construir instituições de poder supra estatal. O triunfo do NÃO à Nova Constituição da Europa na França, que impediu a sua implementação, foi uma derrota importante na consolidação da UE enquanto projeto imperialista. Foi sua primeira advertência de crise, que agora estourou como conseqüência da crise mundial aberta em 2007.

 

A Europa se “latino-americaniza”

 

  Sem dúvida, a União Européia está sentindo como nenhum outro continente a crise mundial aberta em 2007. Está passando algo tão similar ao que ocorreu com a América Latina nos anos 90. Lembremos o que foi a ofensiva neoliberal, de privatizações, de leoninos planos de ajustes ditados pelo FMI, que estrangularam as economias de muitos países. Ao fim da década, começou na América do Sul um amplo processo de insurreições e revoluções que se estenderam aos primeiros anos do século XXI. Bolívia, Equador, Venezuela e Argentina atravessaram distintos processos de mobilizações que alteraram a correlação de forças destes países. As revoluções bolivarianas lograram barrar o projeto da ALCA, e essa virada na correlação de forças fez surgir países politicamente independentes dos EUA.

            Respeitando o fato de que nada é igual, e por isso toda analogia pode se tornar equivocada, o que ocorre no velho continente são traços similares ao que passou na América Latina. O que fez o FMI em nosso continente é o que está fazendo agora, junto com os bancos alemães e franceses, com os países endividados da Europa. Os empréstimos às economias mais endividadas e a beira da bancarrota (Espanha, Portugal, Grécia, Islândia, Irlanda), se fizeram ao invés de se aplicar os piores planos de auteridade fiscal que sofreu nosso continente. O economista keynesiano Paul Krugman, em seu excelente artigo do New York Times (presente neste Boletim de junho da Secretaria de Relações Internacionais do PSOL) descreve perfeitamente a situação: “os líderes europeus ofereceram empréstimos de emergência para as nações em crise, mas em troca de promessas de que seriam implementados programas de austeridade cruéis, que consistiam principalmente de enormes cortes de despesas”. E nós acrescentamos: cortes de salários e aumento da idade das aposentadorias. Krugman pontua que há “um novo declínio econômico graças aos programas de austeridade implementados, e a confiança está naufragando, em vez de aumentar. É evidente, agora que Grécia, Irlanda e Portugal e não podem e não se dispõem a resgatar suas dívidas”.

            Ou seja, estes programas não só impõem efeitos sociais perversos ao povo, como também agrava a crise econômica do capitalismo. É um custo muito alto resgatar os países quebrados co alto índice de desemprego.  Sob estas condições, é impossível a recuperação econômica, o que abre a hipótese de crise similar a da Argentina em 2001, desvatar Portugal, Espanha e Grécia.

 

O despertar: início de um novo tempo político

 

            A ofensiva contra os trabalhadores, em particular os trabalhadores imigrantes, a mais barata mão de obra, está se ampliando. A classe trabalhadora européia, a mais organizada do mundo, está resistindo como pode. Sofreu cortes importantes em seus direitos trabalhistas, mas nunca foi plenamente derrotada. As organizações tradicionais dos sindicatos mantêm vivas as lutas defensivas. Conseguiram amenizar os panos de cortes clássicos que se tentam implementar, no continente de mais altos salários do mundo. As direções sindicais lograram negociar com os governos para que as reformas do FMI sejam menos austeras. Os partidos social-democratas e os velhos PC’s, bastante assimilados ao regime, se alternam no poder com os partidos da direita tradicionais, para levar adiante os planos de ajustes.

Entretanto, essa situação de um relativo status quo estável começou a mudar. Cresceram os protestos, as greves gerais na Itália, França, Inglaterra, as mobilizações estudantis de massas. A Islândia, país de pescadores que foi convertido em uma roleta financeira (ver artigos sobre a Islândia neste Boletim de junho da Secretaria de Relações Internacionais do PSOL), foi a primeira advertência de um novo tempo político. Com um “cacerolazo” e dois referendos populares, o povo disse não ao pagamento da dívida aos banqueiros. Sem embargo, o novo momento se fez mais evidente com a revolução árabe que contagiou a juventude espanhola. Neste país apareceu uma nova forma de protesto auto-organizado, com reivindicações muito mais políticas, superando o caráter defensivo e questionando os partidos e velhas direções sindicais, levantando demandas por outra democracia, denunciando o regime com consignas anticapitalistas.

As praças da Espanha poderiam ser um fenômeno conjuntural, de alguns dias de duração. Mas tudo indica que não é. Apesar do movimento não apresentar a massividade das revoluções árabes e seja mais de uma vanguarda jovem, impactaram as massas e tendem a se transformar em assembléias populares ao estilo da Argentina em 2001. É a expressão mais avançada de uma nova etapa que se abriu na Europa, com centro na Espanha e na Grécia, mas que tende a repercutir em outros países. A conexão dos movimentos na Espanha com o processo mais profundo da revolução árabe gera sua permanência.

 

O papel da juventude

            A semelhança com o Maio francês é, sobretudo, pelo papel da juventude, que compõe a vanguarda e lhe imprime um caráter espontâneo, contestatório, de auto-organização. A crise de consciência socialista (que permanece viva) faz com que seu programa seja menos avançado que o Maio francês, pois os jovens espanhóis questionam o regime, mais do que o sistema. Suas propostas são democráticas radicais, co elementos anticapitalistas. E uma das características comuns das novas mobilizações é o papel da vanguarda e a criatividade da juventude. A juventude o setor mais sensível das sociedades e por isso os jovens europeus percebem que a crise é global, e a responsabilidade da crise é dos políticos e dos banqueiros. Essa juventude contempla um amplo contingente de explorados e desempregados. A juventude é o novo sujeito dinâmico da luta de classes européia. 

A Europa é o continente palco das maiores batalhas da luta de classes na história: as revoluções operárias de 1848, a Comuna de Paris em 1870, a Revolução Russa de 1917 e suas revoluções correlatas na Europa, o Maio francês em 1968, a Revolução dos Cravos em 1974. Passou pelos mais avassaladores regimes contrarrevolucionários da história: o nazismo, o fascismo, fundamentais para sua derrota na II Guerra Mundial. Talvez possamos dizer que, dentro de poucos meses, Grécia e Espanha vivam situação pré revolucionárias. Se assim for, não haverá dúvidas de que, junto com as revoluções democráticas árabes, a Europa começará um novo tempo da luta de classes mundial.

As praças exigem mudanças sociais, as urnas refletem um giro à direita

02/06/2011

Por Partido Obrero Revolucionario da España

Dois processos estão misturados nas eleições de maio: a mobilização de milhares de jovens indignados com a crise econômica e com a falta de futuro que a atual sociedade lhes oferece e o voto em urna no dia 22. O resultado de ambos é bastante contraditório.

 

Milhares de jovens ocuparam as praças de muitas cidades desde o domingo, 15 de maio. Com seus protestos não fizeram mais que expressar o sentimento geral no país: que a crise está sendo paga pela classe trabalhadora, que os banqueiros e os grandes empresários seguem acumulando benefícios; que os dirigentes políticos são incapazes de tomar medidas contra os mais ricos, e que, na realidade, são mais seus lacaios que representantes do povo; que a corrupção e os corruptos seguem  no comando das instituições; que a democracia é muito insuficiente, que é necessário mudar essa sociedade para que as coisas funcionem melhor, para acabar com o fato de que alguns poucos decidam a economia e a política em função de seus interesses particulares e não dos interesses da maioria. Essa foi a mensagem transmitida – e que segue sendo repetida – pelos jovens indignados desse país.

 

Mas as urnas disseram coisa bem diferente. O voto da população outorgou uma maioria esmagadora ao Partido Popular (PP), partido dos ricos e empresários, contrários aos servições públicos, partidários da privatização, dos que se movimentam contra os imigrantes, que retiram direitos e liberdades. De qualquer ângulo que se olhe, a direita venceu as eleições. A maioria da população decidiu dar seu apoio para o partido dos ricos.

Não é que o discurso da direita convença. É que a esquerda neoliberal decepcionou. Ambos os processos, o das praças e o das urnas, têm uma origem comum: o rechaço às políticas do governo Zapatero. Provavelmente, muitos dos milhares de jovens que estão se mobilizando para exigir um mundo melhor são os que participaram das manifestações contra a guerra do Iraque na qual o governo anterior, chefiado pelo PP e com o apoio de Zapatero, nos enfiou.

Há tempos que o PSOE havia perdido crédito, portanto. Especialmente, desde que, frente à brutal crise capitalista, Zapatero decidiu implantar as decisões que impuseram os chamados “mercados”, ou seja, os banqueiros e as multinacionais, e que nos levaram à situalção atual: 5 milhões de desempregados, precariedade no mundo do trabalho, corte na previdência e ampliação da idade de aposentadoria, reformas trabalhistas a favor dos empresário e etc.

   Essa política neoliberal também foi mal recebida entre os trabalhadores.

Não é possível afirmar que algúem é de esquerda se ele aplica políticas de direita.  E foi a servidão frente a essa situação que deu espaço para o fortalecimento da direita. O fracasso das políticas de Zapatero é a base da vitória do PP. O partido dos ricos não venceu por suas propostas, mas pelo fracasso do PSOE. As políticas da direita, como já está demonstrando CIU na Catalunha ou Esperanza Aguirre em Madrid, serão novos ataques aos direitos públicos, à saúde e à educação pública para favorecer os capitalistas. É isso que representa a vitória do PP.

 

 Esquerda Unida, avanço positivo, porém insuficiente

 

A Esquerda Unida avançou, mas ainda é frágil, comparado ao que representou a derrota do PSOE. No conjunto das eleições, somou 18.153 votos a mais e um aumento da bancada em quatro deputados (Há 3 mais em Aragón,  1  na Castilla  y  León,  3  em  Extremadura,  2  em  Madrid e  1  em  Navarra,  mas perdeu  4  en Baleares e 2 no País Valenciano).

 

Enquanto nas eleições municipais, somou 190.829 votos a mais que em 2007 e passou a ter 2.628 conselheiros (antes, eram apenas 2.485). Além disso, obtiveram 58 prefeituras com maioria absoluta e 53 com maioria relativa, ainda que tenham perdido Córdoba.

 

Na situação de crise, como a atual, com o declínio eleitoral do PSOE, com um setor da juventude mobilizada nas praças da Espanha, temos que levar em conta esse avaço como base para gerar uma alternativa mais ampla, mais colada nas exigências do povo trabalhador e da juventude.

 

A esquerda social e política está numa situação da qual é difícil sair com sua bagagem atual. É o momento de reforçar a luta pela refundação/renovação do conjunto da esquerda. É hora de realizar um amplo esforço para reconstruir a esquerda sobre novas bases.

Não se trata de defender aquilo que já faremos: evitar que as prefeituras caiam nas mãos do PP e da direita. Tampouco se trata de simplesmente ter contato com movimentos e atores sociais e defender algumas de suas propostas. Trata-se de organizar, lançar um processo constituinte, que convide a criar algo novo e que usemos nossa força institucional obtida e nossas assembléias como instrumentos fundamentais, a serviço desse processo que regenere a esquerda.

 

Os acampamentos nas praças serviram, na campanha, para que muita gente fale de política e foi – e vai seguir sendo – uma referência. Inevitavelmente, uma parte desse processo de reorganização que clamamos deve passar pelos acampamentos.

Devemos propor, com prudência, com educação, com modéstia, mas com determinação que esse descontentamento se conecte com a política e a alimente massivamente – ainda que já saibamos que não o fará exclusivamente – as veias das principais entidades sindicais, associativas.

Assim, o vulcão lançará sua energia a favor da renovação da esquerda e não só ao ar. Isso significa que se trata de lutar conscientemente para que convirjam dois os dois processos: o da esquerda consequente e o processo de evolução política, de coordenação e elaboração de novas idéias, propostas e formas democráticas de fazer com que a política do movimento dos acampados se misture e conflua em um novo marco político e de organização da esquerda.

 

Por sua importância política, faremos menção especial ao resultado de Bildu. Primeiro proibiram Sortu, logo, tentaram com Bildu. Aí estão os resultados. Segunda força política em Euskadi, primeira em São Sebastião, o partido com mais conselheiros, 74 prefeituras e 22 maiorias simples. O processo para obter uma solução democrática em Euskadi passa pelo reconhecimento pleno e pela legalização do independentismo Basco.

 

As eleições em Madri

Sendo Sol e seus acampados uma referência em todo o território, o panorama eleitoral de Madrid foi a expressão viva da desconexão entre a esquerda política e essa parcela da população que, simbolizada na praça, quer dar um giro à esquerda e sai às ruas. Dos  2.287  conselheiros e 179 prefeitos em jogo, o PP obteve 1.188 (+118) conselheiros e  106 prefeituras onde são maioria absoluta e 38 onde são maioria simples. Por sua vez, o PSM-PSOE obteve os piores resultados da história, 725.306 votos e 539 conselheiros (‐125). IU que aumentou em quase 66 mil votos, alcançou 175 cadeiras de conselheiros (+46) e manteve seus principais bastiões (Rivas y San Fernando). Apesar disso, ainda está longe de recuperar os mais de 200 mil votos perdidos pelos socialistas. Por fim, UPD obteve 64 cadeiras de conselheiros e cerca de 200 mil votos.

Vitória eleitoral do neofranquismo (PP)

O panorama na assembléia de Madrid não é melhor, ao contrário. O PP teve maioria em 5 deputados e, com isso, terá 67, numa câmara de 129. O PSOE passa de 42 a 36. IU sobe de 11 a 13 e UPD irrompe com força passando de 0 a 8.

Aos demolidores dados eleitorais da esquerda na assembléia e na Comunidade, temos que somar seu significado, a perda da imensa maioria de importantes bastiões que eram uma certa barreira de contenção ante o neoliberalismo extremo e mantinham uma base populacional impotante no campo da esquerda, o chamado Cinturão Vermelho. Hoje, simplesmente, esse cinturão já não existe.

 

Na Catalunha

Catalunha apresenta alguns traços diferentes. O PSC perde, pela primeira vez, uma eleição municipal (778.042 votos para CiU x 721.443 votos para PSC). Diferentemente do resto do estado, a esquerda soma mais votos que a direita (PSC+ICV‐EUiA+ERC+CUP+CAV  somam 1.220.925 votos e CIU, PP, C’S i PxC somam 1.176.709 votos). 

Apesar da maré conservadora, houve mais votos na esquerda, especialmente na área metropolitana. A esquerda perdeu 399.614 votos em relação às eleições municipais anteriores, dentre os quais, uns 250 mil foram canalizados para a abstenção.

A direita somou a mais em relação à eleição de quatro anos atrás, mas perdeu 511.147 em relação às eleições de seis meses atrás. É especialmente relevante que a CiU perdeu 419.968 votos, o PP 20.464, Ciudadanos 70.715 e PxC 9.416. Por outro lado, o PSC recuperou  151.082  votos,  ERC  39.518,  ICV‐EUiA 11.933. Somados, são 202.533 votos.

Consolida-se o giro à direita repesentada majoritariamente pelo CiU, basicamente pela perda de Barcelona e cidades como Mataró,  Igualada,  Vilanova,  Vilafanca, Manres.

O PP sobe 80.000 e mais 200 conselheiros. Obteve maioria em Badalona, a terceira maior cidade da Catalunha, com uma campanha nitidamente xenófoba e racista. Será seu “as na manga” no pactos entre CiU e PP que se darão. Esse pactos suporão uma mudança profunda do mapa político catalão. Ciudadanos  foi reduzido quase à marginalidade com 1,2% dos  votos por trás da Plataforma por Catalunha (PxC) – uma organização de extrema direita, cujo ideário é contra a imigração e descaradamente racista, nos bairros onde a crise e as greves estão mais presentes – que somam 65 mil votos.

ERC sofreu um descalabrio ainda maior em relação a seu peso nos municípios. Boa parte de seu eleitorado não aceitou bem a “filiação”  de  Joan  Laporta, visto como alguém alheio aos valores progressistas. A Candidaturas de Unidade Popular (CUP), que já tinham certa consolidação em algumas bases, deram um salto importante, substituindo em algumas cidades, a ERC, como em  Girona. Seus mais de 62.000  votos  e 101  conselheiros se situam na esquerda independentista combativa, assim como as CAV, candidaturas de Vallès, que também cresceram até 15.000 votos e 16 conselheiros. Essas duas formações mostram que, num quadro de retrocesso da esquerda, há exemplos de acumulação de forças importantes para a confluência e unidade de ação na mobilização social e política.

ICV‐EUiA  atingiu resultados que a consolidam à esquerda do PSC. Aumentou em Barcelona, com uma campanha situada claramente à esquerda e contra as políticas de cortes sociais do governo de Artur  Mas.  Conseguiu manter o El  Prat e recuperou algumas localidades como Sant Feliu,  Santa Perpètua,  Montornés, Cubelles…  Não conseguiu atrair os votos que seriam destinados ao PSC, ainda… mas a campanha se situa como uma ferramenta útil a favor dos mais desfavorecidos e das camadas populares.

Agora começa o momento decisivo dos pactos. É o momento de consolidar governos com programas de esquerda e fechar o cerco para a direita. Chegar a acordos com CiU sempre deu alguns resultados nefastos. É decisivo tornar úteis e coerentes os votos da cidadania. Isso tem que ser notado nas políticas municipais.

No dia 14 de maio, mais de 200 organizações, com CCOO e UGT na vanguarda, levaram mais de 200 mil pessoas às ruas, contra os cortes orçamentários na saúde, educação e serviços sociais… são o reflexo de dezenas de pequenas lutas diárias.

No dia 15 de maio, mais de 15 mil manifestantes em Barcelona, convocados pelo “Democracia Real Já!” iniciam, junto a dezenas de cidades, os acampamentos que se multiplicam.

O descrédito da política profissional, a crise provocada pelo capitalismo, a necessidade de serem protagonistas do futuro atingiram dezenas de milhares de pessoas em todo o estado…  e provocaram uma espetacular atenção da mídia. Como teriam sido as eleições sem essas mobilizações? Sem dúvida, pior para a esquerda. É certo que o “tsunami” que que se supunha encontrar nas eleições ao parlamento era difícil de superar em apenas seis meses. Mas as lutas começaram a por em dúvida a legitimidade da CiU para seguir com seus ataques aos direitos sociais e suas políticas de benefício para as empresas e as grandes fortunas.

 

Em Euskadi

O mapa político no país Basco mudou radicalmente. A diferença do resto do estado foi Bildu, a confluência de diversas tendências do nacionalismo de esquerda Basco, que obteve o avanço mais espetacular. 25% dos votantes lhes deram seu apoio. Em 74 povoados, obtiveram maioria absoluta. É o primeiro partido na provincia de Guipúzcoa e na cidade de San Sebastián. Toma um novo impulso a luta por paz, pelo direito de decidir dos Bascos, pela legalização plena dos partidos. Ao contrário, Ezker Batua, teve um importante retrocesso. Perdeu mais de 32 mil votos e ficou com apenas 13 conselheiros.

 

 

Partido Obrero Revolucionario da España (Quarta Internacional)

25 maio 2011

As praças são de esquerda

02/06/2011

Comunicado do Partido Obrero Revolucionario  (POR)

 

O movimento 15 M é a expressão de uma rebelião crítica e cidadã da juventude engajada na denúncia e na resistência à crise capitalista e àqueles que a provocaram: os poderosos do setor financeiro e seus instrumentos políticos. Essa eclosão era necessária. O POR apoia e participa mobilizações nas praças nessa jornada eleitoral.

Sol, com a participação das massas, é a ponta de um iceberg que emerge também na Catalunha, Donostia etc. A indignação e a frustração de uma juventude sem futuro, desacreditada do Eldorado capitalista, irrompe como novo fator político que ninguém poderá desconhecer após os atos de maio. A onda expansiva se estende por toda Europa. Já assistimos, por exemplo, a concentrações em Londres, Paris, Roma e Copenhague. Houve também uma concentração no México. Nos últimos dias, chegou uma saudação ao 15M vinda da Praça de Tahrir.

  O movimento 15M estabeleceu praças livres de fascistas, de xenofobia, de violência contra as mulheres, de representantes dos poderes dominantes (do setor econômico e político); nas praças, se defende tolerância, igualdade e os direitos das minorias.

 Nenhuma intervenção promove os postulados da direita – PP, CiU ou PNV- ou da extrema direita. Ao contrário, denunciam a direita e combatem as políticas das multinacionais e dos bancos.

Jovens sem futuro, jovens indignados, Democracia Real Já, diversidade de fóruns, grupos e plataformas, juventude sindicalista, podem todos confluir no movimento 15M e, a partir daí, coesionar suas movimentações e dar força à rebelião.

 

A juventude está dando uma grande mostra de por onde pode passar a profunda regeneração da esquerda. Em uma semana, o movimento 15M pôs o dedo na ferida de toda a esquerda, fazendo o que os diversos setores não foram capazes de fazer: motivar, mobilizar, subverter e concretizar os objetivos da sociedade contra as políticas da direita (multinacionais e banqueiros). As e os jovens não querem políticos comprometidos com o sistema, cúmplices ou conciliadores, que cedem nas reivindicações acerca da soberania, da cidadania e da liberdade dos povos para decidir. Estão corretos em não querer esses políticos e denunciá-los.

 

Depois de uma semana nas ruas, as eleições com tendência favorável à direita vão influir na evolução do movimento.

 

Defendemos a continuidade do movimento com as formas, propostas e mobilização que surja dessa juventude; com a coordenação a partir das praças, com a unidade com a juventude trabalhadora e sindicalista.

 

À organização! Todas e todos ao movimento 15M!

 

 

Partido Obreiro Revolucionário (POR)

22 de maio de 2011

Palavras de 15 de Maio

02/06/2011

   Por Carlos Taibo, professor de Ciência Política e da Administração na Universidade Autónoma de Madrid

  22/05/2011

 

Tentei reconstruir aqui, baseando-me nos meus apontamentos, o que disse na Porta do Sol madrilena no domingo 15, ao final da multitudinária manifestação que convocou a plataforma Democracia Real Já.

  Tempo haverá para valorizar –a mim custa-me trabalho– que é o que está a acontecer nestes dias. Contento-me agora com chamar a atenção sobre uma discreta experiência pessoal que algo nos diz –acho– da inquietude com a que os meios de incomunicação do sistema assumiram a revolta de tantos jovens.

Nas jornadas sucessivas ao dia 15 recebi um monte de telefonemas desses meios de incomunicação. Algumas procediam, dito seja de passagem, de emissoras de rádio e de jornais que de maneira altiva e descortês me tinham posto na rua no seu momento. Pareceu-me evidente que os profissionais correspondentes andavam desesperados procurando alguma cara que pôr ao movimento que, fundamentalmente articulado por jovens, começava a tomar a rua. Em todos os casos -já terei tempo de mudar, caso proceda, de conduta– neguei-me a fazer declaração alguma e em todos sugeri que entrevistassem aos organizadores das manifestações e, mais ainda, aos próprios manifestantes. Numa dessas conversas o meu interlocutor fez questão da sua demanda e perguntou-me expressamente se não teria algum outro professor universitário que pudesse pôr a sua cara. Ao que parece, e aos olhos de alguns, para explicar o que está a acontecer é inevitável botar mão das sisudas explicações que proporcionamos os professores de universidade, como se o povo não soubesse exprimir-se com clareza e contundência. Ainda bem que há algum profissional que se salva. Ontem, e de novo na Porta do Sol, um jornalista disse-me que os jovens aos que entrevistara falavam muito melhor do que Tomás Gómez e –tenho o palpite– que a própria senhora De Cospedal.

Dantes de colocar o meu texto, permito-me acrescentar uma última observação: não só devemos estar sobre aviso perante o que fazem os meios –para quando uma ativa campanha de denúncia do que supõe essa genuína praga contemporânea que são os tertulianos–. Também devemos guardar as distâncias a respeito do que dizem e se aprestam a fazer muitas gentes da esquerda de sempre que, bem intencionadas, se propõem enfiar uns movimentos que em último termo não compreendem e olham com desdém. Eis, em todo o caso, as minhas palavras do dia 15.

“Quem estamos aqui somos, sem dúvida, pessoas muito diferentes. Levamos na cabeça projetos e ideais diferentes. Conseguiram, no entanto, que nos ponhamos de acordo num punhado de ideias básicas. Tento-as resumir de maneira muito rápida.

Primeira. Chamam-no democracia e não o é. As principais instituições e, com elas, os principais partidos conseguiram demonstrar a sua capacidade para funcionar à margem do ruído molesto que emite a população. Os dois partidos mais importantes, em singular, cenificam desde tempo atrás uma confrontação aparentemente severa que esconde uma fundamental comunidade de ideias. Um e outro mantêm nas suas fileiras, falando nisso, pessoas de mais que duvidosa moralidade. Não é difícil adivinhar o que há por trás: nos factos são formidáveis corporações económico-financeiras as que ditam a maioria das regras do jogo.

Segunda. Somos vítimas com frequência de grandes cifras que se nos impõem. Em maio de 2010, por propor um exemplo, a União Européia exigiu do Governo espanhol que reduzisse em 15.000 milhões de euros a despesa pública. Ninguém sabe a ciência verdadeira que são 15.000 milhões de euros.

 Para compreendê-lo não está a mais que assumamos uma rápida comparação com outras cifras. Nuns anos atrás esse Governo espanhol que acabo de mencionar destinou em início 9.000 milhões de euros ao saneamento de uma única caixa de poupanças, a de Castilla-La Mancha, que estava à beira da falência; estou a falar de uma cifra que se achegava às duas terceiras partes da exigida em cortes pela União Europeia. Durante dois anos fiscais consecutivos, esse mesmo Governo obsequiou com 400 euros todos os que fazemos uma declaração da renda. Todos, dito seja de passagem, por igual: o mesmo recebeu o senhor Botim que o cidadão mais pobre. Segundo uma estimativa, esse presente levou-se, em cada um desses anos, 10.000 milhões de euros. Estou a falar do mesmo Governo, que se autotitula socialista, que não duvidou em suprimir um imposto, o do património, que por lógica grava antes de mais aos ricos, reduzindo sensivelmente a arrecadação, enquanto incrementava em troca outro, o IVA, que castiga os pobres. O mesmo Governo, em fim, que quase não faz nada para lutar contra a fraude fiscal e que mantém a legislação mais laxa da União Européia no que faz a evasão de capitais e paraísos fiscais.

 Terceira. Se há um deus que adoram políticos, economistas e muitos sindicalistas, esse deus é o da concorrência. Qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe, porém, em que se traduziram, para a maioria dos que estão aqui, os formidáveis ganhos obtidos nos últimos anos em matéria de concorrência: salários cada vez mais baixos, jornadas laborais cada vez mais prolongadas, direitos sociais que recuam, precariedade por todas as partes.

Não é difícil identificar as vítimas de tanta miséria. A primeira achegam-na os jovens, que engrossão em massa o nosso exército de reserva de desempregados. Se não tivesse muitas tragédias por trás, teria a sua graça glosar essa deriva terminológica que faz meia dúzia de anos nos convidava a falar de “mileuristas” para retratar uma delicada situação, hoje nos convida ao fazer de “quinhentoseuristas” e passado amanhã, as coisas como vão, obrigar-nos-á a nos referir aos “trezentoseuristas”. A segunda vítima são as mulheres, de sempre pior pagas e condenadas a ocupar os degraus inferiores da pirâmide produtiva, para além de se verem obrigadas a carregar com o grosso do trabalho doméstico. Uma terceira vítima são os esquecidos de sempre, os idosos, ignorados designadamente por esses dois maravilhosos sindicatos, Comissões e UGT, sempre dispostos a assinarem o inassinável. Não quero esquecer, em quarto e último lugar, aos nossos amigos imigrantes, convertidos, segundo as conjunturas, em mercadoria de tira e põe. Estou a falar, afinal de contas, de uma escueta minoria da população: jovens, mulheres, idosos e imigrantes.

Quarta. Não quero deixar no esquecimento os direitos das gerações futuras e, com eles, os das demais espécies que nos acompanham no planeta Terra. Digo-o porque neste país no que estamos há muito tempo que confundimos crescimento e consumo, por um lado, com felicidade e bem-estar, pelo outro. Falo do mesmo país que permitiu orgulhoso que a sua pegada ecológica se acrescentasse espetacularmente, com efeito principal na rutura de precários equilíbrios do meio ambiente. Eis, para testemunhá-lo, a idolatria do automóvel e da sua cultura, esses maravilhosos comboios de alta velocidade que permitem que os ricos se movam com rapidez enquanto se deterioram as possibilidades ao alcance das classes populares, os castigos, talvez irreversíveis, que padeceram a nossa costa ou, para o deixar aí, o dramático desaparecimento da vida rural. Nada retrata melhor onde estamos que o facto de que Espanha esteja na cauda da União Européia na luta contra a mudança climática, com um Governo que alenta a inapresentável compra de quotas de contaminação em países pobres que não estão em condições de esgotar as suas.

Quinta. Entre as reivindicações que propõe a plataforma que promove estas manifestações e concentrações há uma expressa relativa à urgência de reduzir a despesa militar. Parece-me tanto mais pertinente quanto que nos últimos anos tivemos a oportunidade de comprovar como nossos diferentes dirigentes reduziam de maneira muito sensível a ajuda ao desenvolvimento. Nunca vamos sublinhá-lo de maneira suficiente: o momento mais tétrico da nossa crise desenha um cenário claramente preferível ao momento mais airoso da situação da maioria dos países do Sul.

Volto, com tudo, ao da despesa militar. Esta última, visivelmente ocultada depois de numerosas verbas, responde a dois grandes objetivos. O primeiro não é outro que manter Espanha no núcleo dos países poderosos, com os deveres consiguientes em matéria de apoio a essas genuínas guerras de pilhagem global que lideram os Estados Unidos. O segundo vincula-se com o desígnio de preservar um apoio franco ao que fazem tantas empresas espanholas no exterior. Alguém teve notícia de que algum porta-voz do Partido Socialista ou do Partido Popular se tenha atrevido a criticar, sequer só seja mornamente, as violações de direitos humanos básicos de que são responsáveis empresas espanholas na Colômbia como no Equador, no Peru como na Bolívia, na Argentina como no Brasil?

Acabo. Gostaria nestas horas de ter uma lembrança para alguém que nos deixou em Madrid na terça-feira passada. Falo de Ramón Fernández Durán, que alumiou o nosso conhecimento relativo às misérias do capitalismo global e nos alertou perante o que nos espera da mão dessa genuína idade das trevas na qual, se não o remediamos, nos adentramos a passo forçado. Não se me ocorre melhor maneira de fazê-lo que a que me convida a resgatar uma frase que repetiu muitas vezes o meu amigo José Luis Sampedro, de quem escutaremos, por verdadeiro, um saúdo dentro de uns minutos. A frase em questão, que acho reflete bem às claras nossa intenção desta tarde, pronunciou-a Martin Luther King, o gestor principal do movimento de direitos civis nos Estados Unidos de cinquenta anos atrás. Diz assim: ‘Quando refletamos sobre no nosso século, o que vai parecer-nos mais grave não será a ruindade dos malvados, senão o escandaloso silêncio das boas pessoas’. Muito obrigado por ter-me escutado”.

Em Diário Liberdade

Quando a austeridade fracassa

02/06/2011

Por Paul Krugman, The New York Times – O Estado de S.Paulo

Se os bancos gregos entrarem em colapso, isso obrigará o país a sair da zona do euro, o que daria início à queda dos dominós financeiros em grande parte da Europa

 

Muitas vezes eu me queixo, e com razão, sobre o estado em que encontra a discussão da economia nos EUA. E a irresponsabilidade de alguns políticos – como esses republicanos que afirmam que um calote da dívida americana não seria um grande problema – é assustadora.

 Mas pelo menos entre os membros do “grupo da dor, defensor do rigor “, para quem elevar as taxas de juro e cortar as despesas do governo diante do desemprego em massa de alguma maneira deixarão as coisas melhores, não piores, estão sendo obrigados a um certo recuo por parte do Federal Reserve e o governo Obama.

Na Europa, ao contrário, esse “grupo da dor” está no comando há mais de um ano, e insiste que uma moeda sólida e orçamentos equilibrados são a resposta para todos os problemas. Uma insistência que tem por base fantasias econômicas, em particular a crença na fada da confiança, ou seja, a crença de que um corte de gastos criará de fato postos de trabalho, porque a austeridade fiscal reforçará a confiança do setor privado.

Infelizmente a fada da confiança continua se recusando em se mostrar.

E uma disputa sobre como lidar com a inconveniente realidade ameaça fazer da Europa o ponto de ignição de uma nova crise financeira.

Depois da criação do euro, em 1999, nações europeias que antes eram consideradas de risco e que, por isso, só podiam tomar emprestado até um determinado limite, começaram a experienciar enormes entradas de capital. Afinal, os investidores devem ter pensado, Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, eram membros de uma unidade monetária europeia, então o que poderia dar errado? Hoje, a resposta a essa pergunta está penosamente aparente. O governo da Grécia, não conseguindo levantar empréstimos a taxas ligeiramente mais altas do que as obtidas pela Alemanha, endividou-se demasiadamente. Os governos da Irlanda e Espanha não chegaram a tanto (Portugal está numa posição intermediária) – mas seus bancos estão bastante endividados já que o boom de 1999-2007 deixou os preços e custos nos países devedores bastante desalinhados com os dos seus vizinhos.

 

Merkel e Sarkozy: barco furado

O que fazer? Os líderes europeus ofereceram empréstimos de emergência para as nações em crise, mas em troca de promessas de que seriam implementados programas de austeridade cruéis, que consistiam principalmente de enormes cortes de despesas. As objeções de que tais programas seriam contraproducentes, – não só infligiriam um sofrimento direto, mas provocariam uma piora da crise econômica, reduziriam receitas – foram desconsideradas. A austeridade na verdade provocaria uma expansão, pois melhoraria a confiança.

Ninguém acreditou na doutrina da austeridade expansionista com mais confiança do que Jean-Claude Trichet, presidente do BCE. Sob a sua direção, o banco passou a pregar a austeridade como o elixir econômico que deveria ser imposto imediatamente e em todas as partes, incluindo países como Grã-Bretanha e Estados Unidos, que ainda contabilizam um alto índice de desemprego e não estão enfrentando nenhuma pressão dos mercados financeiros.

Mas, como disse, a fada da confiança não se manifestou. Os países endividados da Europa estão, como era de esperar, sofrendo um novo declínio econômico graças aos programas de austeridade implementados, e a confiança está naufragando, em vez de aumentar. É evidente, agora que Grécia, Irlanda e Portugal e não podem e não se dispõem a resgatar suas dívidas, embora a Espanha possa conseguir enfrentar a situação.

Realisticamente, então, a Europa precisa se preparar para uma redução da dívida, que envolveria uma combinação de ajuda das economias mais saudáveis e a imposição aos credores privados de “reduções parciais” do seu crédito, aceitando menos do que emprestaram. Mas parece que está faltando um pouco de realismo.

De um lado, a Alemanha adotou uma posição dura contra qualquer coisa que se assemelhe a uma ajuda para seus vizinhos em dificuldades, mesmo que uma razão importante para um programa de socorro seja tentar proteger os bancos germânicos de prejuízos.

Já o BCE age como se determinado a provocar uma crise financeira. Começou a elevar as taxas de juro, não obstante o terrível estado de muitas economias europeias. E executivos do banco vêm advertindo contra qualquer forma de alívio da dívida – na verdade, na semana passada, um membro do do BCE sugeriu que mesmo uma reestruturação moderada dos títulos gregos levaria o BCE a deixar de aceitar esses papéis como garantias de empréstimos a bancos gregos. O que equivale a uma declaração de que, se a Grécia buscar um alívio da sua dívida, o BCE retirará toda a ajuda para os bancos gregos, que dependem de maneira crucial desses empréstimos.

Se os bancos gregos entrarem em colapso, isso obrigará a país a sair da zona do euro – e é muito fácil ver como isso pode dar início à queda dos dominós financeiros em grande parte da Europa.

Então, o que o BCE anda pensando? O meu palpite é que o banco não está disposto a encarar o fracasso das suas fantasias. E se isso soa algo incrivelmente insensato, bem, quem disse algum dia que a sensatez rege o mundo? / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Propostas do movimento Democracia Real Já!

02/06/2011

Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros!

democraciarealya.es

 Essas são algumas das medidas que, enquanto cidadãos, consideramos essenciais para a regeneração de nosso sistema político e econômico. Opine sobre as elas e traga novas propostas para as plenárias!

1. Eliminação dos privilégios da classe política:

  Controle estrito do absenteísmo dos cargos eleitos em seus respectivos postos. Sanções Específicas pelo abandono de funções.Supressão dos privilégios no pagamento de impostos, anos de contribuição e montante das pensões. Equiparação do salário dos representantes eleitos ao salário médio espanhol mais os honorários indispensáveis para o exercício de suas funções.Eliminação da imunidade associada ao cargo.Aplicabilidade dos delitos de corrupção.Publicação obrigatória do patrimônio de todos os cargos públicos.Redução dos cargos de livre designação.

2. Contra o desemprego:

Distribuição do trabalho, fomentando as reduções de jornada e a arbitragem trabalhista até acabar com o desemprego estrutural (ou seja, até que as taxas de desemprego atinjam menos de 5%).Aposentadoria com 65 anos e nenhum aumento da idade de aposentadoria até que seja extinto o desemprego juvenil.Bonificações para empresas com menos de 10% de contratação temporária.Segurança no emprego: impossibilidade de demissão coletiva ou por causas objetivas nas grandes empresas enquanto haja benefícios. Fiscalização às grandes empresas para assegurar que não contratem trabalhadores temporários para vagas que deveriam ser ocupadas por trabalhadores fixos.Restabelecimento do subsídio de 426 euros para todos os desempregados de longa duração.

3. Direito à habitação:

Expropriação pelo Estado das moradias construídas em estoque que não foram vendidas para colocá-las no mercado em regime de aluguel protegido.Auxílio aluguel para jovens e para todas as pessoas de poucos recursos.Que seja permitida o pagamento em espécie das moradias para cancelar suas hipotecas.

4. Serviços públicos de qualidade:

Supressão de gastos inúteis nas Administrações Públicas e estabelecimento de um controle independente de orçamento e gastos.Contratação de trabalhadores de saúde até que se esvaziem as listas de espera.Contratação de professores para garantir a proporção adequada de alunos por aula, os grupos de desenvolvimento e grupos de apoio.Redução do custo da matricula em toda a educação universitária, equiparando o preço de pós-graduação aos de graduação.Financiamento público da pesquisa para garantir sua independência.Transporte público barato, de qualidade e ecologicamente sustentável: restabelecimento dos trens que estão sendo substituídos pelo AVE com os preços originários, barateamento dos passes, restrição do tráfego de automóveis privados no centro das cidades, construção de vias para ciclistas.Recursos sociais locais: aplicação efetiva da Lei de Dependência, redes de serviços locais, encarregadas da educação municipal, serviços de mediação e tutoria local.

5. Controle das instituições bancárias:

Proibição de qualquer tipo de resgate ou injeção de capital em instituições bancárias. Aquelas entidades em dificuldades devem quebrar ou ser nacionalizadas para constituir um sistema financeiro público, com controle social.Elevação dos impostos aos bancos de maneira diretamente proporcional ao gasto social ocasionado pela crise gerada por sua má gestão.Devolução aos cofres públicos de todo o capital público fornecido.Proibição de inversão de bancos espanhóis em paraísos fiscais.Regulação de sanções aos movimentos especulativos e às más práticas bancárias.

6. Tributação sobre grandes fortunas:

Aumentar a taxa de imposto sobre grandes fortunas e instituições bancárias.Eliminação das IACV.Volta do imposto sobre herança.Controle real e efetivo de fraude fiscal e da fuga de capitais a paraísos fiscais.Promoção a nível internacional da adoção de uma taxa a transações internacionais (Taxa Tobin).

 

 

7. Liberdades cidadãs e democracia participativa:

Não ao controle da internet. Abolição da Lei Sinde.Proteção a liberdade de informação e de imprensa e ao jornalismo investigativo.Referendos obrigatórios e vinculados às questões de grande relevância, que alteram a vida dos cidadãos.Referendos obrigatórios para a introdução de medidas ditadas pela União Européia.Modificação da Lei Eleitoral para garantir um sistema autenticamente representativo e voto proporcional que não discrimine nenhuma força política, na qual o voto em branco e o voto nulo também tenham sua representação no parlamento.Independência do poder judiciário: reforma do Ministério Público para garantir sua independência, e acabar com a nomeação de membros para o Tribunal Constitucional e para o Conselho Geral do Poder Judicial por parte do Poder Executivo.Estabelecimento de mecanismos efetivos que garantam a democracia interna nos partidos políticos.

 

8. Redução do gasto militar.